quinta-feira, 18 de abril de 2019

O Ensino Domiciliar



Ensino Domiciliar

Klaus H. G. Rehfeldt

É da natureza das pessoas adultas resistir a novidades que causem mudanças em suas vidas cotidianas, nas quais a educação dos filhos em escolas públicas ou privadas têm papel importante. Pouco conhecido no Brasil, existem vários países onde esta rotina inclui o ensino, especialmente o fundamental, provido pela própria família no ambiente domiciliar. Na realidade trata-se essencialmente de uma modalidade moderna da prática milenar de passar informações e tradições à próxima geração em uso desde a antiga vida tribal até a introdução do ensino compulsório público ou privado a partir de início do século XIX.
            Nunca, porém, aquela forma de ensino foi totalmente abandonado. Razões religiosas, a vida em regiões parcamente habitadas, ou situações de ensino público muito precário, entre outras, exigiam ou estimulavam a alternativa do ensino domiciliar. Em meados do século XX, novas teorias, concepções e técnicas de ensino revigoraram esse modelo educacional. Mais recentemente, o fácil e amplo acesso a informações e a disponibilidade de programas via internet, como também a opção do ensino online, facilitaram a realização dessa prática por parte dos pais. Atualmente, inicia-se no Brasil um debate sobre o assunto e os devidos amparos legais.
            Os argumentos pros e contra são numerosos e todos são válidos em maior o menor grau. Há os fatores positivos como o acompanhamento direto do progresso dos filhos, transmissão dos valores da família, progresso conforme a capacidade individual, flexibilidade e adaptabilidade temporal de acordo com a predisposição e aptidão do aluno, menos pressão e influência nocivas, ausência de risco de bullying como aspectos de maior significância. A eles contrapõem-se argumentos desqualificadores como a necessidade e capacidade de pai/mãe responder pelo ensino, mas também pela administração do processo (planejamento, organização etc.), dedicar uma parte fixa de seu tempo à tarefa educacional, bem como um círculo possivelmente menor de amigos/as dos filhos, o que pode significar um entrave na socialização da criança, falta de competição, entre outros de menor importância.
            Percebe-se claramente que nem todos os pais se encaixam no perfil requerido para o ensino domiciliar. Inegável é o enriquecimento permanente do conhecimento dos pais como consequência de dessa atividade de ensino. Ao lado disso, além de restituir à família um maior grau de disciplina interna e de respeito e amor entre pais e filhos, alunos de ensino domiciliar tem conseguido notas iguais ou melhores que a média de todos os alunos em teste padronizados.    

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