Ensino Domiciliar
Klaus H. G. Rehfeldt
É
da natureza das pessoas adultas resistir a novidades que causem mudanças em
suas vidas cotidianas, nas quais a educação dos filhos em escolas públicas ou
privadas têm papel importante. Pouco conhecido no Brasil, existem vários países
onde esta rotina inclui o ensino, especialmente o fundamental, provido pela
própria família no ambiente domiciliar. Na realidade trata-se essencialmente de
uma modalidade moderna da prática milenar de passar informações e tradições à
próxima geração em uso desde a antiga vida tribal até a introdução do ensino
compulsório público ou privado a partir de início do século XIX.
Nunca, porém, aquela forma de ensino
foi totalmente abandonado. Razões religiosas, a vida em regiões parcamente
habitadas, ou situações de ensino público muito precário, entre outras, exigiam
ou estimulavam a alternativa do ensino domiciliar. Em meados do século XX,
novas teorias, concepções e técnicas de ensino revigoraram esse modelo
educacional. Mais recentemente, o fácil e amplo acesso a informações e a
disponibilidade de programas via internet, como também a opção do ensino online,
facilitaram a realização dessa prática por parte dos pais. Atualmente,
inicia-se no Brasil um debate sobre o assunto e os devidos amparos legais.
Os argumentos pros e contra são
numerosos e todos são válidos em maior o menor grau. Há os fatores positivos como
o acompanhamento direto do progresso dos filhos, transmissão dos valores da
família, progresso conforme a capacidade individual, flexibilidade e
adaptabilidade temporal de acordo com a predisposição e aptidão do aluno, menos
pressão e influência nocivas, ausência de risco de bullying como aspectos de maior significância. A eles contrapõem-se
argumentos desqualificadores como a necessidade e capacidade de pai/mãe
responder pelo ensino, mas também pela administração do processo (planejamento,
organização etc.), dedicar uma parte fixa de seu tempo à tarefa educacional,
bem como um círculo possivelmente menor de amigos/as dos filhos, o que pode
significar um entrave na socialização da criança, falta de competição, entre
outros de menor importância.
Percebe-se claramente que nem todos
os pais se encaixam no perfil requerido para o ensino domiciliar. Inegável é o
enriquecimento permanente do conhecimento dos pais como consequência de dessa
atividade de ensino. Ao lado disso, além de restituir à família um maior grau
de disciplina interna e de respeito e amor entre pais e filhos, alunos de
ensino domiciliar tem conseguido notas iguais ou melhores que a média de todos
os alunos em teste padronizados.
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