Reedito em virtude dos
recentes casos de violência nas escolas.
Culpa in Vigilando *)
Klaus H. G. Rehfeldt
No
momento da identificação e imputação de responsabilidades, raras são as pessoas
que começam tal processo em sua própria seara. Por soberba, comodidade ou
conveniência, para a maioria das pessoas essa busca começa no outro. E mesmo
quando as evidências contra a própria pessoa são avassaladoras, assumir
responsabilidade ou culpa envolve extrema dificuldade e resistência.
Este fenômeno observa-se também na
família. Se o filho comportar-se mal, a escola é responsabilizada por não educa-lo;
se não obedece aos pais, os vizinhos são culpados, pois criam os amiguinhos sem
limites; se surpreendidos usando drogas, os maus amigos foram os indutores; se
a moça engravidar aos 15 anos, os pais do namorado não lhe deram a educação
adequada.
Mas se a escola enfrentar o maus
comportamentos com atitudes disciplinadoras, a professora é demonizada – ou agredida;
se a vizinha apontar a desobediência, é fofoqueira; ninguém pode referir-se ao
consumo de drogas sem ser chamado de caluniador; e a menina grávida corre o
risco de fazer um aborto.
E a responsabilidade dos pais pela
educação dos filhos?
Longe o tempo quando as travessuras
da meninada resultavam na batida de um policial na porta da casa dos pais, cobrando
atitudes. Ou quando, em casos graves, pai ou mãe era levado à delegacia para
investigação e indiciamento, passível de condenação. – É a figura jurídica da “culpa
in vigilando” caracterizada pela falta de atenção com o procedimento de outrem sob
responsabilidade de alguém. Diz o Artigo 932 do Código Civil: “São também
responsáveis pela reparação civil (...) os pais, pelos filhos menores que
estiverem sob sua autoridade e em sua companhia”.
Diante disto, antes de discutir a
possível redução da idade penal, cabe examinar um recrudescimento na
responsabilidade dos pais na educação dos filhos e pelos atos dos mesmos. Isto
suscita a questão das prioridades: começar a vida familiar adquirindo conforto
material através de trabalho integral (ou excessivo), ou dedicar-se aos filhos (que, aliás, nascem cada vez menos 'sem querer') com a intenção de torna-los cidadãos e pais responsáveis e felizes.
*)
Publicado no Jornal de Santa Catarina em 27/28.04.2013
Pais omissos = filhos que trazem dor de cabeça. A lei da palmada foi apenas mais uma das desgraças que a esquerda deixou ao país
ResponderExcluirParabéns Klaus. Concordamos plenamente com você
ResponderExcluir