A
Capitalização Inevitável *)
Klaus
H. G. Rehfeldt
Com a Reforma da Previdência em processo de aprovação
final, continua em evidência a busca por fórmulas de custeio do sistema de
aposentadoria. Um fator central da preocupação com a manutenção da fórmula
atual é, com razão, o continuo aumento da expectativa de vida do brasileiro e o
consequente desequilíbrio na proporção entre as populações economicamente ativa
e de aposentados. Um contingente cada vez maior de aposentados e por um tempo
cada vez mais longo deverá ser bancado com as contribuições diretas e indiretas
de uma população quase inalterada de pessoas economicamente ativas.
Diversos
indícios que agravem sensivelmente essa situação, são totalmente ignorados e
desprezados. Esses localizam-se na outra extremidade da escala da vida – na
infância e juventude. Por um lado, a taxa de fertilidade de 1,7 filho por
mulher (deveriam ser 2,1 filhos para manter a população estável), e por outro,
confirmando este dado, uma contínuo queda no número de matrículas no ensino
fundamental de cerca de 18% entre 2005 e 2018 (dados do IBGE) sinalizam o
início de um claro decréscimo demográfico dentro de um prazo de poucos anos.
Este último dado permite-nos a seguinte projeção: a mesma queda deverá ser
observada nos jovens que entrarão com a idade de 18 anos na vida econômica no
período de 2017 a 2027.
Estes
dados não decorrem de um episódio momentâneo, mas indicam uma clara tendência
sem previsão de término, e percebe-se facilmente a urgente necessidade de encontrar
uma nova modalidade de suportar financeiramente o sistema previdenciário. À
parte considerações ideológicas, é preciso reconhecer que vivemos na era da
informação e do consequente amadurecimento da humanidade, especialmente daquela
parcela inserida na vida econômica. O atual grau de maturidade nos qualifica
perfeitamente para assumirmos as responsabilidades pelo destino das nossas
vidas. Reciprocamente, mais responsabilidade resulta em mais maturidade.
Na
conjunção desses fatores, a gestão participativa na construção dos recursos
para a aposentadoria por via de planos de capitalização apresenta-se como
solução não somente lógica, mas inevitável. Uma velhice garantida pelo esforço
dos (poucos) filhos, cujo futuro fica cada vez mais imprevisível, não cabe mais
neste mundo. A contrapartida do Estado consiste em garantir a solvência dos
capitais acumulados.
*) Publicado no jornal NSC Santa, em 29.08.2019
Nota:
O aumento estimado da população brasileira com taxa anual de
0,79% (IBGE, 28.08.2019) não é necessariamente um crescimento populacional uma vez que decorre fortemente do expressivo aumento da expectativa
de vida. Evidencia isso a queda nas matrículas do ensino
fundamental em média de 1,5% anuais ao longo dos últimos 12 anos (IBGE, Cidades).
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