sábado, 24 de agosto de 2019

Vilão da Vez: O Metano



Vilão da Vez: O Metano

Klaus H. G. Rehfeldt

Extintos os incêndios a Amazônia, a ecologia voltará à sua pauta e ao assunto do momento: as emissões de gás metano.
Desde quando se formou consciência em torno da preservação do meio ambiente na década de 1960, vários vilões já passaram pelo palco da ecologia – obviamente, não sem razão e amplamente fundamentados com dados incontestáveis. Outros, porém, nem sempre foram retratados com a gravidade e magnitude corretas. Afim de justificar a necessidade de existência do movimento verde, não raro houve exageros e manipulação nos dados apresentados ao público, mas igualmente aos órgãos oficiais. A verificação da autenticidade de dados e fontes nesse campo muitas vezes é difícil.
Especificamente abordando o metano cabem algumas considerações a respeito de tais vícios. As recentes revelações sobre aumentos das emissões desse gás excluem totalmente aquelas decorrentes do derretimento do permafrost (congelamento permanente do solo), por exemplo nas tundras russas. Citam, no entanto, as causas como a queima de combustíveis fósseis (carvão na China), o plantio de arroz (na Ásia), vazamentos no fracking (extração de gás nos EUA) e, com destaque, a origem animal.
No centro da questão está a criação de gado bovino. Há, sem dúvida, um aumento dos rebanhos em várias partes do mundo, acompanhando – em escala bem menor – o crescimento da população humana. Enquanto a humanidade cresceu em 140% entre 1961 e 2914, o rebanho bovino mundial expandiu-se em apenas 58% no mesmo período (FAO). Mais recentemente, o rebanho da Comunidade Europeia diminuiu no período de 2007 a 2013 em 6,6 milhões de cabeça (4,8%), em parte reflorestando as áreas assim liberadas. Ao mesmo tempo         compensa esta queda com crescentes importações de carne. Em outras palavras, a Europa está exportando a emissão de gases – além do elevado consumo de água envolvido na produção de carne –, inclusive para o Brasil.  
Com relação ao crescimento dos rebanhos, temos na América do Norte uma situação particular. O atual rebanho de cerca de 100 milhões de cabeças de gado equivale aproximadamente em peso – e em alimentação – aos estimados 60 milhões de búfalos praticamente exterminados no passado. Não houve, portanto, qualquer sensível alteração na geração de metano de origem animal nesse espaço geográfico.   
Pergunta-se então: Cabe apontar o dedo e responsabilizar apenas o criador de gado pela emissão do gás metanos de origem animal, como o Brasil? E o consumidor da carne no exterior?


Nenhum comentário:

Postar um comentário