Longevidade e Expectativa de Vida *)
Klaus H. G. Rehfeldt
Ao longo das últimas décadas, dois assuntos
frequentem seguidamente os noticiários: a longevidade e a expectativa de vida. A
razão – ambas encontram-se em contínua elevação. Embora aparentemente sinônimos
para um mesmo fenômeno, são, na realidade, dois conceitos muito distinto. A duração
de vida, da qual a longevidade é uma particularidade, está ligada ao limite
biológico de idade de cada espécie, inclusive da humana. Este limite não está
claramente definido, podendo no homem situar-se entre os 90 e 100 anos, embora
em todos os tempos tenha havido pessoas que atingiram idades acima de 100 anos.
Existem especulações sobre a possibilidade de estender este limite por meio de
recursos médico-científicos, mas são apenas especulações. De concreto sabe-se
que a natureza não conhece a identidade ou igualdade: não existem dois grãos e
arreia iguais, nem duas folhas da mesma árvore ou dois animais da mesma raça idênticos
– nem no homem. Todas as características que descrevem qualquer ser representam
valores médios, sejam elas físicas (tamanho, solidez óssea – nosso hardware) ou
sejam de natureza funcional (eficiência metabólica, capacidade mental – nosso
software) da qual resulta a duração de vida. Os valores que se situarem
próximos da faixa média representam a normalidade, quanto mais se afastarem
desse eixo, mais fortes ficam os indícios de anomalia. Transposto para a idade,
isso significa que ocasionais idades muito elevadas devem ser vistas como
anomalia, longe de indicarem eventuais tendências para longevidades por muito
sonhados. Muito frequentemente, o caráter de anomalia inerente a tais casos
fica claro quando se observa que as pessoas nessa situação costumam sofrer de
total carência de autonomia.
A expectativa
de vida, porém, é a idade que a média da população de uma sociedade atinge,
sempre contada a partir de determinado instante da vida, podendo ser a
expectativa ao nascer (Brasil, média de 76 anos), ou, como exemplo, ao atingir
a idade de 60 anos (Brasil, média de 84 anos). A expectativa de vida da mulher
costuma ser em até 10% mais longa que a do homem. Mudanças na expectativa de
vida dependem essencialmente mudanças das condições de vida, i.e., da qualidade
de vida – da alimentação ao conforto social, talvez mais fielmente sintetizado
pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de cada sociedade.
*)
Extraído do manuscrito do livro “O Brasil de
Menos Gente” que em breve será publicado.
Interessante notar que determonadas regiões do planeta a longevidade é notoriamente superior a de outras, vide exemplo do Japão.
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