sábado, 11 de abril de 2020

Vamos Brincar de Adultos!



Vamos Brincar de Adultos!

Klaus H. G. Rehfeldt

Crianças são imprevisíveis, barulhentas, briguentas, irresponsáveis, indisciplinadas por natureza e é bom que sejam tudo isso e muito mais. Afinal, elas estão experimentando a vida cercadas por adultos que os mantêm dentro do razoável e dos limites. Depois, elas crescem e acabam por assumir gradativamente atitudes e comportamentos amadurecidos e tornam-se adultos que, com responsabilidade, estabelecem seus projetos de vida, suas prioridades, seus focos, suas expectativas.
Por isso surpreende que na atual crise sanitária com dimensões epidêmicas pessoas que foram eleitos pelos cidadãos para dirigir direta ou indiretamente seus destinos, especialmente em momentos de dificuldade, parecem aproveitar-se da situação de instabilidade para promover seus próprios interesses em detrimento das causas públicas. Na priorização de disputas políticas, de intrigas, ‘frituras’, populismos baratos e atribuições de culpa renascem atitudes pueris, aplaudidas por inúmeros seguidores políticos acríticos, fãs e torcedores.
O voto popular não confere infalibilidade aos eleitos, mas expressa a esperança do acerto, mormente na hora das adversidades. Portanto, vamos deixar as pendengas e os vícios políticos para quando houver espaço e tempo para isto.
Em vez de imprevisibilidade, o povo espera de seus líderes uma garantia mínima de segurança.
Em vez de barulho político, espera tranquilidade para esquecer a aflição.
Em vez de brigas por poder, espera a busca por união que lhe possa inspirar confiança.
Em vez de atos e de manifestações irresponsáveis, espera exemplos que lhe permitam perspectivas para seu futuro.
Em vez de ódios, espera compreensão e amor.
Em vez de posturas imaturas de fanatismo e idolatria, de brincar de engraçadinhos, de nos divertir com a aflição e o desconforto alheio, se não conseguimos entender a seriedade da situação, então sugiro outra brincadeira: VAMOS BRINCAR DE ADULTOS!     


Um comentário:

  1. A sua lucidez diante de teus 83 anos permite que possamos apreciar uma opinião muito contemporânea, obrigado por partilhar conosco.

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