O Veneno Russo
(‘The Russian Poison’ - This text was written
in a way to ease comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
O
caso de envenenamento do oposicionista russo Nawalny mais indica uma rotina do
que um episódio isolado. Na Rússia, você pode encontrar em restaurantes canecos
de cerveja com três alças. A razão; todos são obrigados a tomar do mesmo
caneca, assegurando-se assim a não presença de veneno na bebida. Obviamente uma
resposta a envenenamentos frequentes nessas plagas.
Alguma dúvida? A notícia não suscita maiores
dúvidas. Entretanto, apesar de fatos comprováveis, a notícia tem
inconsistências de ordem cronológica. Rússia e várias repúblicas satélites
fizeram parte da União Soviética até 1990, inclusive a Estônia. Naquele país,
hoje independente, existem de fatos tais canecos, porém, num restaurante de
Tallinn mantido em estilo medieval, com alimentos e utensílios de mesa daquela
época, incluído os canecos como relíquia daquele tempo.
Portanto, trata-se de um exemplo clássico de
construção de um mito (ou teoria) de conspiração. É uma amostra de como se produz
uma fake news ou um mito conspiratório, tentando dar caráter de verdade a
suspeitas de que, neste caso o envenenamento é prática recorrente do governo
russo. E certamente, muitas pessoas acreditaram na história como foi escrito e,
principalmente, fizeram a conexão com o caso Nawalny.
Isso levanta a questão de como proteger-se
contra narrativas falsas ou conspiratórias.
Como se viu acima, são precisos uma boa dose
de astúcia e capacidade articuladora, mas, acima de tudo, um propósito, uma
intenção. Em primeiro lugar, é típico dessas narrativas não ter motivação
positiva e apresentar apenas parte da história com somente uma faceta – aquela
que interessa. Teorias de conspiração e fake news razoavelmente críveis
requerem certa habilidade e competência – e malevolência – na sua elaboração,
por isso, essas notícias entram no receptor do internauta como compartilhamento
– ‘encaminhando’. Por outro lado, qualquer contestação, prova em contrário ou
desmentido é respondida com agressividade e hostilidade.
Além da percepção dessas características,
alguns aspectos podem ajudar na identificação de autenticidade, ou não, quando
formulamos as seguintes perguntas:
-
há fonte citada, e em caso positivo, ela é merecedora de crédito?
-
a informação cabe no tempo e no espaço, ou seja, ela se situa no momento e
local reais e possui uma lógica interna?
-
o estilo de escrita permite identificar uma redação competente ou profissional?
-
o assunto é sensacionalista ou bombástico, mas não aparece nas agência de
notícias que, em geral, não perdem notícias reais dessa ordem?
-
o texto têm motivação política, incluindo apologias extremas ou ofensas pessoais?
Em tempos de informações em tempo real,
existem os sites de busca de informações que absorvem muito rapidamente
assuntos do momento, ou mesmo identificam e denunciam fake news e teorias de
conspiração como tais. Uma postura objetivo no sentido de convencer-se de que
tudo tem dois lados é decisiva.
A contribuição construtiva de cada um, com o
propósito de impedir a circulação de informações viciadas, consiste em não
compartilhar material que não passa pelo crivo de um sadio e bom senso, não por
último por que o ator do compartilhamento pode estar comprometendo sua própria
credibilidade. A cautela não causa dano algum, já o vexame...
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