segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

A Demonização da Oposição

 

A Demonização da Oposição

 

(“Satanizing of the Opposition” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Nota: Nunca comunguei de qualquer ideário socialista/comunista.

 

Inegavelmente, a partir da primeira cerca instituindo uma propriedade, a evolução civilizatória avançou naturalmente para um modelo socioeconômico chamado de capitalismo. Todos os bens materiais ou imateriais tornaram-se passiveis de negociação em busca de algum proveito ou lucro. E nem todo lucro com caraterísticas win-win. Passando por milênios com proprietários de terra e vassalos, uma minoria economicamente independente e um gradual avanço técnico nos meios de produção e distribuição desembocamos numa revolução industrial e num consequente capitalismo descontrolado amplamente conhecido.

A pobreza, até então lá longe no campo, invadiu as cidades onde ganhou visibilidade na sociedade. Em resposta surgiram movimentos de trabalhadores cobrando direitos inéditos e os ideários democráticos encontraram eco e se fortaleceram.              

            Na realidade, as democracias (ou tentativas de) não nasceram da vontade de ‘fracos e oprimidos’, em geral também iletrados, mas de detentores de poder secundário e subordinado, mas peso e influência na sociedade. (As guerras de camponeses na Europa do século XVI, por exemplo, nada, ou muito pouco, conseguiram mudar nas estruturas feudais da época, mas esvaziaram-se na falta de base política.) Coincidência, ou não, os objetivos centrais dos democratas de primeira hora em busca de espaço, e dos socialistas (ou até marxistas) com suas causas ganhando repercussão, não conflitaram, mas se avigoraram mutuamente.

O bipartidarismo típico das primeiras democracias tende a cristalizar os ideários da situação e da oposição da vez. Mesmo não sendo um regime perfeito, seus benefícios para as nações de regime democrático são inegáveis. Surgiram democracias pluripartidárias, dando espaço a mais facetas representativas, mas que no fim resultaram também em situação e oposição, num mundo de economia da livre iniciativa sempre redundando no confronto entre acumulação e redistribuição das riquezas geradas.

Desvios de propósito e abusos sempre houve, e sempre haverá, em geral decorrentes de desequilíbrios entre os poderes. Destacam-se ultimamente entre eles diversas modalidades de populismo, amplamente beneficiadas pelas facilidades de intercomunicação instantânea proporcionada pelas redes sociais. Estratégia típica dos populistas é a divisão da população em ‘nós’, imbuídos de simpatia à paixão, e ‘eles’, passivos de aversão ao ódio.

Uma nação assim dividida se torna frágil política e economicamente, interna e externamente. A oposição legalmente constituída, mas também outros poderes moderadores, são transfigurados em supostos inimigos do governo e do povo e entre ´nos’ é criado um espírito belicoso, cuja difusão se beneficia dos modernos meios de comunicação. Suprimem-se respeito e decoro, e ódios desenfreados, conspirações, difamações e inverdades são disseminados sem quaisquer critérios ou filtros éticos. Voltamos aos tempos primitivos da humanidade? Só falta a borduna? É verdade que apesentar uma crítica bem argumentada é bem mais trabalhoso e demandante de inteligência do que um xingamento ou uma mentira. Mass também é verdade quer não se constrói a prosperidade de uma nação com xingamentos e mentiras. Arisco-me a dizer que o povo é do bem e consciente de que atitudes negativas não produzem resultados favoráveis.

O preâmbulo da constituição de Alemanha reza: “A dignidade da pessoa é intocável”, o que obriga o Estado a assegurar e defender essa dignidade. Não é o nosso caso. Resta então a pergunta, ‘o que fazer?’ NADA, mas entender tais desvios de comportamento cívico como provocações que não merecem reação, ignorar, e deixar os agentes – diretos e indiretos – onanizar-se em suas iras e consumir-se no próprio ácido. (Peguei pesado, sim, mas é o que a hostilidade, truculência e a seriedade da situação exigem.)

O SALDO POSITIVO DO SUCESSO DA HUMANIDADE PROVÉM DE UMA VIDA HARMONIOSA EM SOCIEDADE.

 

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