A Demonização
da Oposição
(“Satanizing
of the Opposition” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic
translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Nota: Nunca comunguei de qualquer ideário socialista/comunista.
Inegavelmente,
a partir da primeira cerca instituindo uma propriedade, a evolução
civilizatória avançou naturalmente para um modelo socioeconômico chamado de capitalismo.
Todos os bens materiais ou imateriais tornaram-se passiveis de negociação em
busca de algum proveito ou lucro. E nem todo lucro com caraterísticas win-win. Passando por milênios com
proprietários de terra e vassalos, uma minoria economicamente independente e um
gradual avanço técnico nos meios de produção e distribuição desembocamos numa revolução
industrial e num consequente capitalismo descontrolado amplamente conhecido.
A pobreza, até então lá longe no campo, invadiu
as cidades onde ganhou visibilidade na sociedade. Em resposta surgiram
movimentos de trabalhadores cobrando direitos inéditos e os ideários
democráticos encontraram eco e se fortaleceram.
Na realidade, as democracias (ou
tentativas de) não nasceram da vontade de ‘fracos e oprimidos’, em geral também
iletrados, mas de detentores de poder secundário e subordinado, mas peso e
influência na sociedade. (As guerras de camponeses na Europa do século XVI, por
exemplo, nada, ou muito pouco, conseguiram mudar nas estruturas feudais da
época, mas esvaziaram-se na falta de base política.) Coincidência, ou não, os
objetivos centrais dos democratas de primeira hora em busca de espaço, e dos
socialistas (ou até marxistas) com suas causas ganhando repercussão, não
conflitaram, mas se avigoraram mutuamente.
O bipartidarismo típico das primeiras
democracias tende a cristalizar os ideários da situação e da oposição da vez.
Mesmo não sendo um regime perfeito, seus benefícios para as nações de regime
democrático são inegáveis. Surgiram democracias pluripartidárias, dando espaço
a mais facetas representativas, mas que no fim resultaram também em situação e
oposição, num mundo de economia da livre iniciativa sempre redundando no
confronto entre acumulação e redistribuição das riquezas geradas.
Desvios de propósito e abusos sempre houve, e
sempre haverá, em geral decorrentes de desequilíbrios entre os poderes. Destacam-se
ultimamente entre eles diversas modalidades de populismo, amplamente beneficiadas
pelas facilidades de intercomunicação instantânea proporcionada pelas redes
sociais. Estratégia típica dos populistas é a divisão da população em ‘nós’, imbuídos
de simpatia à paixão, e ‘eles’, passivos de aversão ao ódio.
Uma nação assim dividida se torna frágil
política e economicamente, interna e externamente. A oposição legalmente
constituída, mas também outros poderes moderadores, são transfigurados em
supostos inimigos do governo e do povo e entre ´nos’ é criado um espírito
belicoso, cuja difusão se beneficia dos modernos meios de comunicação. Suprimem-se
respeito e decoro, e ódios desenfreados, conspirações, difamações e inverdades
são disseminados sem quaisquer critérios ou filtros éticos. Voltamos aos tempos
primitivos da humanidade? Só falta a borduna? É verdade que apesentar uma
crítica bem argumentada é bem mais trabalhoso e demandante de inteligência do
que um xingamento ou uma mentira. Mass também é verdade quer não se constrói a
prosperidade de uma nação com xingamentos e mentiras. Arisco-me a dizer que o
povo é do bem e consciente de que atitudes negativas não produzem resultados
favoráveis.
O preâmbulo da constituição de Alemanha reza: “A
dignidade da pessoa é intocável”, o que obriga o Estado a assegurar e defender essa dignidade. Não é o nosso caso. Resta então a pergunta, ‘o que fazer?’
NADA, mas entender tais desvios de comportamento cívico como provocações que
não merecem reação, ignorar, e deixar os agentes – diretos e indiretos –
onanizar-se em suas iras e consumir-se no próprio ácido. (Peguei pesado, sim,
mas é o que a hostilidade, truculência e a seriedade da situação exigem.)
O SALDO POSITIVO DO SUCESSO DA HUMANIDADE
PROVÉM DE UMA VIDA HARMONIOSA EM SOCIEDADE.
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