terça-feira, 26 de outubro de 2021

Câmbio x Paridade de Poder de Compra

 

Câmbio x Paridade de Poder de Compra

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Quem já viajou ao exterior não escapou de defrontar-se em algum momento com a figura do câmbio, ou a troca de moedas nacionais, ou supranacionais. A razão para tal é simples: cada país tem sua moeda e diversos fatores concretos das diferentes estruturas econômicas e sociais determinam que essas moedas tenham valores distintos de nação para nação. Daí a necessidade de uma troca de moedas, quando o destino são outros países, ou houver operações comerciais entre dois países.

 Ocorre, que não apenas aspectos conjunturais reais determinam as taxas entre moedas distintas nessas trocas. Há componentes importantes no jogo, tais como especulações e a oferta e procura – nem sempre com efeitos positivos. Vejamos um exemplo hipotético. Especialmente a partir da segunda guerra mundial, em virtude da estabilidade, solidez e do tamanho da economia norte-americana, o dólar tornou-se moeda de referência em praticamente todo mundo. Todavia, seria ingênuo pensar que tal situação está garantida ad infinitum. Sem avaliar possibilidades mais ou menos prováveis, se em algum momento do futuro outra economia revelar as mesmas caraterísticas, combinadas com um potencial econômico de ponta, essa referência monetária pode facilmente migrar para outra nação, ou comunidade de nações. A consequência para o dólar americano seria catastrófica, pois, estima-se que cerca de 60% dos dólares em circulação encontram-se fora dos Estados Unidos. Esse montante deixaria de ter procura no mercado mundial e, além de assim perder seu valor no mercado mundial, retornariam cedo ou tarde ao país de origem, causando uma inflação dramática – com óbvios reflexos em todo o mundo.

Portanto, há dois tipos de flutuação nas taxas de câmbio: uma decorrente de mudanças conjunturais econômicas (p.ex., crescimento ou redução do PIB) que, em geral, se processam lentamente, e outra, consequente de fatores especulativos (p. ex., de causas políticos ou sociais), combinados com variações na oferta e procura de outra natureza (p.ex., turismo).

Pouco conhecido, por outro lado, é a chamada Paridade de Poder de Compra (PPC). Ela consiste basicamente numa comparação de poder aquisitivo de duas moedas distintas. Por exemplo, se um determinado produto custa num país 100 Unidades Monetárias Locais (UML) e o mesmo produto vale num outro 240 UML, a PPC é de 2,4 (é a PPC Brasil - Estados Unidos em 2020), embora a taxa de câmbio possa ser bem mais alta – ou mais baixa em economias dirigidas. Parece um mecanismo ideal, porém, o problema dessa taxa é sua inércia uma vez que não responde imediatamente às diversas mudanças possíveis no comércio internacional, dificultando, ou até impedindo tomadas de decisão. No entanto, essa taxa é extremamente útil para a comparação de questões no âmbito social, e, com certeza, seria muito útil na equiparação de valores extrínsecos ou intangíveis, além de melhor atender a casos que devem considerar a capacidade de pagamento entre sociedades distintas. (Para efeitos práticos em turismo existe a variante da Paridade Big Mac.)

Mesmo largamente desconhecido, é deveras importante saber que esse instrumento existe e pode ser extremamente útil em determinadas negociações.  

  

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