Câmbio x Paridade de Poder de Compra
Klaus H. G. Rehfeldt
Quem já viajou ao
exterior não escapou de defrontar-se em algum momento com a figura do câmbio,
ou a troca de moedas nacionais, ou supranacionais. A razão para tal é simples:
cada país tem sua moeda e diversos fatores concretos das diferentes estruturas
econômicas e sociais determinam que essas moedas tenham valores distintos de
nação para nação. Daí a necessidade de uma troca de moedas, quando o destino
são outros países, ou houver operações comerciais entre dois países.
Ocorre, que não apenas aspectos conjunturais
reais determinam as taxas entre moedas distintas nessas trocas. Há componentes
importantes no jogo, tais como especulações e a oferta e procura – nem sempre
com efeitos positivos. Vejamos um exemplo hipotético. Especialmente a partir da
segunda guerra mundial, em virtude da estabilidade, solidez e do tamanho da
economia norte-americana, o dólar tornou-se moeda de referência em praticamente
todo mundo. Todavia, seria ingênuo pensar que tal situação está garantida ad infinitum. Sem avaliar possibilidades
mais ou menos prováveis, se em algum momento do futuro outra economia revelar
as mesmas caraterísticas, combinadas com um potencial econômico de ponta, essa
referência monetária pode facilmente migrar para outra nação, ou comunidade de
nações. A consequência para o dólar americano seria catastrófica, pois, estima-se
que cerca de 60% dos dólares em circulação encontram-se fora dos Estados Unidos.
Esse montante deixaria de ter procura no mercado mundial e, além de assim perder
seu valor no mercado mundial, retornariam cedo ou tarde ao país de origem,
causando uma inflação dramática – com óbvios reflexos em todo o mundo.
Portanto,
há dois tipos de flutuação nas taxas de câmbio: uma decorrente de mudanças
conjunturais econômicas (p.ex., crescimento ou redução do PIB) que, em geral,
se processam lentamente, e outra, consequente de fatores especulativos (p. ex.,
de causas políticos ou sociais), combinados com variações na oferta e procura
de outra natureza (p.ex., turismo).
Pouco
conhecido, por outro lado, é a chamada Paridade de Poder de Compra (PPC). Ela
consiste basicamente numa comparação de poder aquisitivo de duas moedas
distintas. Por exemplo, se um determinado produto custa num país 100 Unidades
Monetárias Locais (UML) e o mesmo produto vale num outro 240 UML, a PPC é de
2,4 (é a PPC Brasil - Estados Unidos em 2020), embora a taxa de câmbio possa
ser bem mais alta – ou mais baixa em economias dirigidas. Parece um mecanismo
ideal, porém, o problema dessa taxa é sua inércia uma vez que não responde
imediatamente às diversas mudanças possíveis no comércio internacional,
dificultando, ou até impedindo tomadas de decisão. No entanto, essa taxa é
extremamente útil para a comparação de questões no âmbito social, e, com
certeza, seria muito útil na equiparação de valores extrínsecos ou intangíveis,
além de melhor atender a casos que devem considerar a capacidade de pagamento
entre sociedades distintas. (Para efeitos práticos em turismo existe a variante
da Paridade Big Mac.)
Mesmo
largamente desconhecido, é deveras importante saber que esse instrumento existe
e pode ser extremamente útil em determinadas negociações.
Nenhum comentário:
Postar um comentário