Me Enganem Que Eu Gosto.
(“Fool me, I like it.”
– This text is written in a way to
ease comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
O dito expresso no
título deste texto pode parecer absurdo, mas tudo faz crer que há pessoas que
não tem problema em adotar para si tal postura – e sentir-se bem. Como explicar
isso? Obviamente é cômodo e confortável não precisar dispender qualquer esforço
no sentido de averiguar a veracidade ou autenticidade de uma informação ou
notícia, especialmente quando a abordagem do assunto é do agrado da pessoa. Contudo,
os sonhos e os desejos das pessoas nem sempre coincidem ou combinam com o mundo
real.
Tudo isso
não é novidade. E também não é novidade que em determinados momentos tem havido
interesses específicos em aproveitar-se política ou economicamente dessa,
digamos, leviandade ou imprevidência. Desde quando surgiram as mídias de massa,
como rádio e televisão, esses meios foram usados, de tempo em tempo e nas
ocasiões próprias, na tentativa de influenciar pessoas, na qualidade de eleitores
ou de consumidores – seja esmerando imagens ou desconstruindo adversários
políticos, seja promovendo produtos ou desmentindo advertências ou alertas. Porém,
enquanto tais mídias tinham quase exclusivamente formato empresarial,
verificações sobre fontes e autenticidades eram relativamente fáceis, além de
permitir um possível monitoramento mútuo.
Uma
mudança radical desse quadro surgiu com o aparecimento das mídias sociais. De
repente, milhões de pessoas conseguem comunicar-se com outros milhões, tudo em
tempo real, e tudo praticamente livre de qualquer controle. De notícias de
interesse geral e de toda natureza, de cantos de pássaros a fenômenos cósmicos,
de receitas de bolo a considerações filosóficas, tudo cabe nas redes sociais.
Mas também cabem mentiras, distorções, difamações, ódios e conspirações. E os
respectivos canais não em mostrado muito empenho em disciplinas quaisquer
abusos. Apenas recentemente, a crescente pressão sofrida pelos servidores dessa
mídia resultou em algumas medidas fiscalizadoras.
Todavia, nenhuma arbitrariedade, nenhuma
maldade, nenhum abuso é eterno. A própria sociedade começa a clamar por, e a
construir seus mecanismos de defesa. Por um lado, como faz o comprador de um
par de sapatos, o usuário rejeita o que não lhe agrada, por outro, formam-se
entidades com o fim específico de identificar e denunciar afrontas, inverdades,
difamações a agressões e outras mais infâmias e maldades. Resultaram daí alguns
sites dedicados a esse objetivo, facilmente encontráveis:
- fato e fake,
- boato.org,
- Lupa,
- AOS FATOS,
- UOL confere,
- Estadão Verifica.
O
propósito é simples: oferecer ao cidadão comum canais para a verificação da
veracidade de postagens que lhe pareçam duvidosas. É um assunto seríssimo, mas
chega a ser divertido ver tantos absurdos sendo jogados no público. Em geral,
os mencionados sites reagem muito rapidamente, muitas vezes no mesmo dia. Dessa
maneira, a autoproteção contra fakes de qualquer natureza sugere aguardar as reações
devidas, ou sua ausência, nesses sites antes de aceitar uma informação,
especialmente quando sensacional ou bombástica, como verdadeira e confiável. Em
outras palavras, cada um faz sua escolha. Ou se previne, ou se torna vítima de
informações falsas, intencionais ou não, na medida em que ignora os recursos de
que dispõe – torna-se inocente útil, pedindo “me enganem que eu gosto!”
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