Democracia de Competências
(Partidos Políticos Têm Futuro?)
(“Democracy of Competences– Is There a Future for Political Partiers” – This text is written in a way to
ease electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Democracia e partidos
políticos são tidos como fatores inseparáveis. Sempre foram. Todavia, os tempos
também mudam no Estado, nas instituições, na política – e nas utopias. Em
tempos passados, o objetivo central da política, e dos políticos, era garantir
a soberania e a coesão interna de uma nação. Hoje, as demandas concentram-se em
assegurar e promover a qualidade de vida e a prosperidade do cidadão. Ao mesmo
tempo observam-se ao longo das últimas eleições nos regimes democráticos importantes
mudanças no comportamento dos eleitores na escolha de seus representantes em
cargos políticos.
Ao mesmo
tempo, ideários políticos perderam gradativamente sua importância,
principalmente em decorrência do comunismo ter fracassado em alcançar uma livre
adesão em escala maior a seus ideais e postulados, e o capitalismo ter percebido
a importância de aspectos sociais em suas decisões. Atualmente, as agremiações
políticas aproximam-se em suas posturas cada vez mais no centro do espectro
entre extrema direita e extrema esquerda. Por outro lado, a universalização da
comunicação em tempo real tem influenciado fortemente os processos e de
campanhas eleitorais – para o bem e para o mal.
O que
pouco mudou é o perfil do político com suas qualidades e seus defeitos. Isso
manifesta-se através da indiferença com respeito às mudanças socioeconômicas e
observadas em várias áreas do conhecimento, a frequente priorização de
interesses políticos sobre soluções com real atendimento das necessidades e
aspirações da sociedade, ou a redução a meros e nostálgicos propagandistas
ideológicos. Ou, então, o simples desconhecimento de causa nas deliberações, quando
os temas da atualidade e de competência governamental requerem em seus
enfrentamentos e suas soluções muito mais respostas técnicas do que de essência
político-partidária. Obviamente, também grande parte do eleitorado, mormente a
dos mais idosos, possui perfil conservador.
A
pergunta que se impõe diante disso é clara: existem alternativas? Sim, por
exemplo, a chamada democracia direta como ela existe na Suíça, que resolve seus
assuntos importantes através de referendos ou plebiscitos. Mas é preciso
lembrar aos eventuais imitadores que sistemas são muito resistentes a mudanças.
No entanto, está surgindo um fenômeno espontâneo nesse panorama. É a formação
voluntária de blocos suprapartidários em torno de interesses, preocupações e
capacitações comuns. São no caso brasileiro as bancadas específicas do agronegócio ou ruralista, dos direitos humanos, da saúde, da educação, da
segurança pública, feminina, evangélica, sindical, entre outros.
Isso permite
e sugere algumas projeções. Ao passo que tais bancadas se consolidam, aspectos
político-partidários perdem de importância e passam para o segundo plano. Além de
permitir respostas fundamentadas domínio de causa, isso pode mudar as
estratégias eleitorais, e muito. Uma realocação nas argumentações do caráter político-partidário
para considerações e soluções primordialmente técnicas certamente obrigará os
partidos tradicionais a revisar suas táticas, seus procedimentos e seu
potencial humano. Muito possivelmente, parlamentares, ou candidatos menos políticos,
mas com conhecimentos específicos encontrarão boa receptividade numa população
totalmente desiludida e decepcionada com o perfil do político atual.
A partir
da percepção de sua importância e seu peso, as bancadas tenderão a deixar a informalidade
e buscar estruturação institucional, inclusive com o estabelecimento de
articulações inter-bancadas em assuntos comuns; parece apenas ser uma questão
de tempo. Um fenômeno paralelo deverá ser a gradual desconstrução da fidelidade
partidária, não por último pelo risco de auto-atrofia dos partidos.
Por fim, o
que se esboça claramente é a passagem do parlamento de partidos políticos para
out6ro das competências específicas – uma evolução aparentemente irrefreável
num mundo essencialmente objetivo e cunhado pelo contínuo avanço tecnológico. Está
se esboçando a era do homem público do conhecimento em lugar daquele da inteligência
política. Cabe ao eleitor perceber a mudança – e assegurar sua consolidação.
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