segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Que Tal Madeira?

 

Que Tal Madeira?

(„What About Wood?“ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desde os primórdios da humanidade, a madeira faz parte do processo civilizatório. Ao lado de armas, ferramentas e utensílios, de veículos e embarcações, praticamente todas as culturas serviam-se da madeira como elemento principal ou complementar na construção de seus abrigos e outras edificações. De simples cabanas a catedrais, a madeira, com suas qualidades e suas dimensões, determinou as possibilidades e as limitações da construção civil durante milênios em combinação, ou não, com a pedra e a argila.

A invenção do cimento em 1824 na Inglaterra (mais precisamente na península de Portland, que lhe deu o nome de cimento Portland) e a utilização do aço na construção civil produziram uma revolução que se traduziu em obras de toda natureza e finalidade, e cada vez mais audaciosas. Hoje esses materiais fazem parte do nosso cotidiano, passando a madeira para um papel de quase insignificância.

Porém, embora um tanto esquecidas, continuam valendo as qualidades da madeira, e com isso, sua serventia para a construção civil. Entre essas cabem citar sua característica de material sustentável (madeiras de qualidade levam de 40 a 80 anos para atingir sua maturidade, dependendo de sua espécie e localização geográfica), sua prestabilidade para processos de pré-fabricação, a capacidade de sustentar um múltiplo de seu próprio peso, sua combustibilidade mais previsível e controlável, e o reaproveitamento seus resíduos, além de outras,

Em tempos de consciência ecológica e necessidade de sustentabilidade, tudo isso está alimentando reconsiderações sobre seu uso na construção civil. Num primeiro instante, isso sugere pensar em casas ou outras edificações de madeira de altura limitada. Mais difícil é imaginar uma construção de, por exemplo, 24 andares e 84 metros da altura – como o prédio HoHo (Holz-Hochhaus) localizado em Viena Áustria. Esta construção possui apenas um nucleão de concreto, ao redor do qual construíram-se um hotel e escritórios com um total de 19.500 m2, em grande parte utilizando-se a pré-fabricação longe do local de construção. E não é o único. Sem chamar muita atenção, surgiram, desde 2008 mais de 20 prédios de madeira com mais de oito andares na Europa, no Canadá e na Austrália. Novas técnicas, como, por exemplo, o uso de tábuas e pranchões de aglomerado multicamadas cruzadas impulsionaram tais arrojos.

Além das vantagens já mencionadas, a maior leveza do material necessita de fundações menor dimensionadas, e de menor custo. Mas a maior vantagem está na própria madeira. Qualquer árvore tem seu ciclo de vida, e sua transformação em material de construção antes de sua morte natural praticamente não interfere no equilíbrio ambiental, além de postergar a liberação de CO2 por ocasião de sua decomposição. Outras vantagens são menor tempo e menores custos de construção, menor peso, adequado mesmo em condições difíceis do solo, matéria prima de baixo custo energético, entre outros.

Os custos materiais mais elevados são indiscutíveis. A qualidade tem seu preço, que cada vez mais construtores estão dispostos a pagar. No entanto, se você olhar para todas as fases de planejamento, construção e residencial, os custos de investimento se justificam rapidamente. Não é preciso dizer que a madeira não precisa ser usada dogmaticamente como o único material de construção. Grande sucesso poderá ser alcançado, por exemplo, com um método de construção híbrido no qual, ao lado da madeira, outros materiais de construção são selecionados de acordo com sua respectiva adequação,

Somos um país sob todos os aspectos favorecidos para o cultivo da madeira e seu uso mais amplo possível, de maneira que, num ambiente de constante renovação tecnológica, somos obrigados a realizar revisões permanentes no espectro da utilização racional de uma das nossas maiores riquezas - sustentáveis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário