Que Tal Madeira?
(„What About Wood?“ - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Desde os primórdios da
humanidade, a madeira faz parte do processo civilizatório. Ao lado de armas,
ferramentas e utensílios, de veículos e embarcações, praticamente todas as culturas
serviam-se da madeira como elemento principal ou complementar na construção de
seus abrigos e outras edificações. De simples cabanas a catedrais, a madeira,
com suas qualidades e suas dimensões, determinou as possibilidades e as limitações
da construção civil durante milênios em combinação, ou não, com a pedra e a
argila.
A
invenção do cimento em 1824 na Inglaterra (mais precisamente na península de
Portland, que lhe deu o nome de cimento Portland) e a utilização do aço na
construção civil produziram uma revolução que se traduziu em obras de toda
natureza e finalidade, e cada vez mais audaciosas. Hoje esses materiais fazem
parte do nosso cotidiano, passando a madeira para um papel de quase
insignificância.
Porém, embora
um tanto esquecidas, continuam valendo as qualidades da madeira, e com isso,
sua serventia para a construção civil. Entre essas cabem citar sua
característica de material sustentável (madeiras de qualidade levam de 40 a 80
anos para atingir sua maturidade, dependendo de sua espécie e localização
geográfica), sua prestabilidade para processos de pré-fabricação, a capacidade
de sustentar um múltiplo de seu próprio peso, sua combustibilidade mais
previsível e controlável, e o reaproveitamento seus resíduos, além de outras,
Em tempos
de consciência ecológica e necessidade de sustentabilidade, tudo isso está
alimentando reconsiderações sobre seu uso na construção civil. Num primeiro
instante, isso sugere pensar em casas ou outras edificações de madeira de
altura limitada. Mais difícil é imaginar uma construção de, por exemplo, 24
andares e 84 metros da altura – como o prédio HoHo (Holz-Hochhaus) localizado em
Viena Áustria. Esta construção possui apenas um nucleão de concreto, ao redor
do qual construíram-se um hotel e escritórios com um total de 19.500 m2,
em grande parte utilizando-se a pré-fabricação longe do local de construção. E
não é o único. Sem chamar muita atenção, surgiram, desde 2008 mais de 20
prédios de madeira com mais de oito andares na Europa, no Canadá e na Austrália.
Novas técnicas, como, por exemplo, o uso de tábuas e pranchões de aglomerado
multicamadas cruzadas impulsionaram tais arrojos.
Além das
vantagens já mencionadas, a maior leveza do material necessita de fundações menor
dimensionadas, e de menor custo. Mas a maior vantagem está na própria madeira.
Qualquer árvore tem seu ciclo de vida, e sua transformação em material de
construção antes de sua morte natural praticamente não interfere no equilíbrio
ambiental, além de postergar a liberação de CO2 por ocasião de sua
decomposição. Outras vantagens são menor tempo e menores custos de construção,
menor peso, adequado mesmo em condições difíceis do solo, matéria prima de
baixo custo energético, entre outros.
Os custos
materiais mais elevados são indiscutíveis. A qualidade tem seu preço, que cada
vez mais construtores estão dispostos a pagar. No entanto, se você olhar para
todas as fases de planejamento, construção e residencial, os custos de investimento
se justificam rapidamente. Não é preciso dizer que a madeira não precisa ser
usada dogmaticamente como o único material de construção. Grande sucesso poderá
ser alcançado, por exemplo, com um método de construção híbrido no qual, ao
lado da madeira, outros materiais de construção são selecionados de acordo com
sua respectiva adequação,
Somos um
país sob todos os aspectos favorecidos para o cultivo da madeira e seu uso mais
amplo possível, de maneira que, num ambiente de constante renovação
tecnológica, somos obrigados a realizar revisões permanentes no espectro da
utilização racional de uma das nossas maiores riquezas - sustentáveis.
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