sábado, 27 de novembro de 2021

O Futuro Começou Ontem

 

O Futuro Começou Ontem

(“Future Began Yesterday” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Há décadas, o Brasil está experimentado uma silenciosa, mas significativa mudança. Depois de um contínuo crescimento populacional ao longo de cinco séculos, essa evolução está sofrendo uma ruptura. Dede a década de 1950 obviera-se uma queda contínua na taxa de fertilidade da mulher brasileira, queda essa, que por volta do ano 2000 atinge e cai abaixo da marca de mera reposição da população (2,1 filhos por mulher. A partir do desse momento inicia-se um processo de diminuição dos nascimentos, com oscilações, mas também contínua. Em comparação com os 3,3 milhões de nascimentos em 1999, em 2020 foram registrados apenas 2,7 milhões de nascimentos. Teríamos, a partir do mesmo momento, um crescimento negativo da população se não houvesse um concomitante aumento da expectativa de vida na ponta da pirâmide etária.

Até esse momento, fora a queda nas matrículas, principalmente no ensino fundamental, e uma possível redução na venda de chupetas e outros artigos de bebê, não se observaram consequências sensíveis desse fenômeno. No entanto, devemos esperar para breve os primeiros sinais dessa mudança. Nos últimos 20 anos tivemos uma redução de mais de meio milhão de nascimentos. Isso significa que a partir de agora devemos contar com esse mesmo meio milhão a menos de pessoas ingressando na força de trabalho do país, ou, então, corresponde à perda da força de trabalho de uma cidade de cerca de 50 mil habitantes - por ano. E esse processo deverá tornar-se um fenômeno constante. Sabendo que o idoso com a vida prolongada não gera riqueza, mas apenas consome reservas feitas compulsoriamente, ou não, durante sua vida produtiva, uma simples redução na renovação da população economicamente produtiva significa menos produção, menos consumo, menos investimento, ou seja, queda no PIB – Produto Interno Bruto. (Mesmo assim, o PIB per capita pode aumentar devido a outros fatores.) Neste ponto, é preciso lembrar que outros países (p.ex. Japão, Alemanha, Rússia) estão em situações semelhantes, porém, mesmo assim apresentem índices de crescimento positivo, mesmo moderados, do PIB. Qual é a fórmula? Desenvolvimento tecnológico e aumento da produtividade, priorizando a qualidade, em prejuízo da quantidade.

E o Brasil carece de ambos. Temos ilhas de desenvolvimento tecnológico de excelência como Embaer, Embrapa, entre poucas outras, mas, de uma maneira geral, somos obrigados a nos servir do mercado externo com as implicações positivas e negativas (maiores) conhecidas. Já a produtividade, além de depender diretamente do grau de ‘conhecimento faber’ está diretamente vinculada à disponibilidade energética que, aliás, é hoje um problema multifocal e global.  

O mundo moderno tem mostrado que existem outras vias. Alguns países asiáticos, mas não só, mostram o caminho, as fórmulas, as ferramentas – e os resultados. Mas na raiz há uma verdade curta e clara: pais tecnologicamente desenvolvido é consequência, na raiz está um país com consciência coletiva de que seu maior bem é o conhecimento – e que atua de acordo com essa convicção. No caso brasileiro, é urgente que aprendamos a ensinar e a aprender nos moldes que o mundo moderno exige de todos aqueles que queiram fazer parte dele. Do contrário, poderemos abolir o sinal de ‘+’ das nossas calculadoras.  

O aumento da expectativa de vida tem limite. Então se evidenciará que efetivamente seremos quantitativamente menos, mas podemos ser qualitativamente muito mais competentes, produtivos, prósperos – e felizes.

 

 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Auxílio ou Ensino?

 

Auxílio ou Ensino?

(“Aid or Education?” - – This text is written in a way to ease electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

No mundo do conhecimento, quem não tem estudo não tem vez. Isso soa cruel, mas é a realidade. Não existirá mais chance ocupacional para o auxiliar de construção civil, o cobrador de ônibus ou o frentista de posto de abastecimento num futuro mais ou menos próximo. O próprio comerciário sem qualificação específica encontrará cada vez menos espaço para o trabalho. Até a perspectiva de garantia de trabalho para o trabalhador industrial apenas preparado para a função pela própria empresa é cada vez menor. Tirando do quadro os efeitos transitórios da pandemia de covid-19, isso evidencia-se claramente ao examinar o perfil do atual desempregado.

E mesmo os ‘afortunados’ que conseguem ganhar seu pão com trabalhos que dispensam qualificações, além de uma constante incerteza relativa ao futuro, jamais sairão das amarras de uma maior ou menos pobreza. A simples alfabetização e as quatro operações da matemática são necessárias, mas não bastam, apenas são um primeiro passo na formação de uma base mínima para a construção do conhecimento, seja qual seu campo. Especialmente o ensino básico tradicional, essencialmente teórico e abstrato, como se encontra em prática o Brasil, em nada, ou muito pouco, serve para o preparo do profissional ‘século 21’.

Essa situação praticamente impede uma migração social. Raras são as pessoas que conseguem romper os laços que as prendem ao seu status quo socioeconômico. Para esse salto através da aquisição do conhecimento ter êxito, sempre exigir-se-ão grandes sacrifícios, seja da pessoa, seja da família, seja da sociedade.

Tal salto, definitivamente, não se pode esperar de programas de auxílio financeiro para a população de baixos níveis de renda. (Não está se falando aqui de Programas de Renda Básica Universal, mas daqueles do tipo Bolsa Família e similares.). Por mais que esses recursos possam atenuar a situação financeira, boa parte desses recursos não resiste aos apelos de uma economia de consumo, nem às arapucas de crédito. Assim, mesmo conseguindo fugir de tais tentações, tais programas são incapazes de gerar riquezas que permitam uma ascensão social. Mas, obviamente, tornam-se politicamente simpáticos.

Diante disso impõe-se a pergunta: aumentar o poder de compra da parte mais carente da sociedade, ou investir na chance profissional de quem não dispõe de recursos para tal. Um modelo bem-sucedido existe para ser seguido e ampliado: o Sistema S (SENAI, SENAC etc,) com 1,2 milhão de matrículas. Igualmente existe um mercado de trabalho preparado para acolher mão de obra qualificada, em especial nas áreas de tecnologia.

A educação tem seu tempo necessário, mas limitado na vida da pessoa, um auxílio financeiro estende-se por toda a vida. Ademais, esse tipo de subvenção não consegue tirar o beneficiário da pobreza e, ainda pior, lega sua condição de indigência para as próximas gerações – possivelmente ainda mais numerosas (as favelas são prova cabal dessa realidade). Esse tipo de auxílio, sem num efetivo complemento educacional que consiga romper a estagnação social e econômica, é quase uma condenação à paupérie eterna.

A educação é um investimento sem risco e com retorno garantido durante toda a vida produtiva do educando. Além disso e pela sua própria natureza, o conhecimento não tem perdas, não se deteriora – e proporciona um capital de liquidez garantida e um futuro próspero para aqueles que o adquiriram. E, pelo seu fator multiplicador, beneficia toda a sociedade.

A questão, então, é: atenuar, mas perpetuar a pobreza, ou promover a ascensão social através do investimento na educação.  

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Groenlândia ou Patagônia

 

Groenlândia ou Patagônia?

“Greenland or Patagonia?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Excluindo alguns negacionistas dos problemas climáticos em curso e futuros, seja qual for a razão para tal postura, observa-se uma clara e crescente apreensão com a evolução das mudanças climáticas entre a população. Especialmente pessoas e populações diretamente afetadas pelos efeitos de caprichos meteorológicos tem toda razão para convencer-se de que algo está mudando com o tempo.

Enchentes, furacões, secas, temperatura extremas e anormalidades climáticas de toda ordem e suas consequências frequentam as manchetes das mídias. Como não podia ser diferente, cada calamidade, cada desastre climático clama pela identificação de suas causas e seus responsáveis. Uma resposta perfeitamente válida alega que sempre houve mudanças climáticas no nosso planeta pelas mais diversas causas. Tanto externas ao nosso planeta, especialmente provenientes do sol com ocasionais proeminências (jatos de gases e vapores metálicos) e eventuais mudanças orbitais, quanto originárias da própria Terra influenciaram as condições meteorológicas na sua superfície. Eras glaciais e outras de extremo calor fazem parte da longa história do mundo e deixaram suas marcas.

Algumas causas são razoavelmente conhecidas, de simples mudanças da espessura da camada de ozônio a processos menos evidentes ligados ao envelhecimento do nosso planeta, outras nem tanto, embora mais imediatas. Vale aqui mencionar o fundo do mar (a parte menos conhecida da Terra) que, entre outros fenômenos, abriga muitos milhares de vulcões, alguns adormecidos, outros em erupção constantes, e ainda aqueles em atividade intermitente – os números exatos não são conhecidos. Os efeitos de aumento da temperatura das águas marítimas em constante circulação pelos oceanos e ao redor da Terra parecem óbvios. Os fenômenos causadores são múltiplos e suas ações, isoladas ou combinadas são igualmente multiformes – entre imprevisíveis e já perceptíveis, como as atuais condições térmicas que hoje já permitem o plantio de vinhedos na Noruega.

Mesmo com todos esses fatos e condições próprios do planeta, independentes da presença do homem, a humanidade moderna tem comprovadamente contribuído para o atual quadro de mudanças climáticas. Em que proporção com o resto das circunstâncias? Ninguém sabe. Simplesmente não há como determinar em que grau os efeitos nocivos produzidos pelo homem participam no total de fatores determinantes das mudanças em curso. Mas isso não justifica uma isenção de responsabilidade, um ”tirar o corpo fora”. Por menor que seja a emissão de CO2 ou metano liberados pela ação humana, por mais insignificante pareça a agressão à natureza pela nossa civilização em comparação com os processos naturais, trata-se de uma parcela de participação no processo de mudanças em curso. Somos nós os responsáveis pelas estruturas de produção e consumo de energia e de transformação física e química de materiais construídas ao redor do mundo. Somos nós os responsáveis pelo fato de que mais de 60% dos mamíferos de porte no mundo são animais de criação (apenas 4% vive livre na natureza, e 36% - a humanidade). E somos os responsáveis coletiva, más também individualmente. Não podemos nos eximir como pessoas, culpando a humanidade como um todo – ela se compõe de 7,3 bilhões de pessoas, cada uma um ser distinto com seus direitos e seus deveres. A omissão alheia, do outro, cidadão ou coletividade, não justifica a própria indiferença.

É preciso ter consciência que nossa contribuição, mesmo involuntária, na evolução dos problemas ambientais e climáticos tem história, tem um passado bastante longo e, consequentemente, quaisquer posturas corretivas não trarão resultados imediatas – e talvez não influam na medida esperada num conjunto de fatores fora do controle da humanidade. Como medida individual, talvez sejam gotas que o beija-flor carrega para apagar o fogo na mata, mas em escala coletiva, possivelmente retardaremos a necessidade de nossa migração para terras como a Groenlândia, o Alasca, as regiões polares da Rússia ou a Patagônia.  

 

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Mobilidade em Terceira Dimensão - Parte 2

 

Mobilidade em Terceira Dimensão – Parte 2

(“Third Dimension Mobility – Part 2“ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H; G. Rehfeldt

 

“Deslize relaxado lá em cima, deixe a agitação da cidade abaixo de você, aproveite a vista e vá para o seu destino com calma” – os teleféricos tornam isso possível. Eles não agridem o meio ambiente, são baratos, rapidamente implementáveis e confiáveis. Eles podem fechar lacunas no transporte público, substituir outros serviços dessa natureza, conectando áreas urbanas entre si e com outras suburbanas.

Tendo isso em mente, é oportuno analisar se, como e onde um sistema teleférico poderia ser útil e benéfico como opção eficiente de transporte público em Blumenau, fazendo realmente a diferença. Com sua configuração geográfica, o centro espremido entre um rio e um conjunto de montanhas e de onde os bairros avançam vales adentro, esse formato de estrela distancia as periferias – com poucas vias alternativas – mais do que seria o caso de uma cidade circular. Isso contribui para notórios problemas no transporte público. Outro aspecto a considerar nesse contexto é a característica e a tradição de cidade turística, um fato que exige, ou pelo menos recomenda, infraestrutura diferenciada 

Esse conjunto de fatores praticamente imutáveis justifica a busca por alternativas e aperfeiçoamentos no transporte coletivo, e uma delas seria um sistema de teleféricos urbanos, tirando parte do transporte público da rua para um nível aéreo. Exatamente a configuração geográfica particular oferece opções extremamente favoráveis para a implementação de um sistema de teleféricos, Dois dos principais bairros da cidade estendem-se ao longo de dois ribeirões, Garcia e Velha, que oferecem condições especialmente favoráveis para o transporte elevado, uma vez que os próprios leitos podem servir de curso para as linhas, não oferecendo obstáculos físicos, e ao mesmo tempo disponibilizando áreas sem valor comercial para as torres de sustentação. Cabe esclarecer, que os sistemas atuais permitem desvios de até 30 graus em seus percursos. E não há motivo para um possível desconforto por parte de moradores próximos de ver gondolas passando perto de sua janela com olhares invadindo sua privacidade. Experiências adquiridas com Uma ou duas primeiras linhas poderão validar novos trechos.

No caso do bairro Garcia tratar-se-ia de uma opção quase exclusivamente destinada ao transporte cotidiano de passageiros locais e que poderia facilmente chegar até o atual terminal de ônibus do bairro. Já no bairro da Velha, soma-se ao usuário local o turista, uma vez que essa linha, passando pelo Terminal Proeb poderia estender-se até a Vila Germânica na configuração de atração turística. E ainda haveria a possibilidade da convergência de ambos os sistemas.

Diante das características dos trechos em foco é bom lembrar que não exista uma única opção na solução, mas inúmeras variáveis tecnológicas, sejam elas construtivas, sejam operacionais, ou sejam econômicas, que precisam ser ponderadas e definidas. As opções são muitas. Mas também deve se considerar que o cidadão de amanhã, que deverá ser tecnológica e ambientalmente mais sintonizado com as necessidades e limitações de uma vida sustentável, ainda não fez sua opção sobre como, onde e em que condições e ambientes deseja viver. Um crescente abandono da obsessão de possuir um automóvel entre os jovens é apenas um sinal muito claro. Tudo indica que eficiência e densidade digitais ganham prioridade sobre proximidade e convivência físicas. Com certeza, sustentabilidade e interferência mínima no equilíbrio ambiental estarão indispensavelmente presentes em sua compreensão de valores e em quaisquer escolhas ou definições.

No mínimo, o assunto merece um estudo mais detalhado e aprofundado em suas várias facetas.    

 

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Mobilidade em Terceira Dimensão - Parte 1

 

Mobilidade em Terceira Dimensão – Parte 1

(“Third Dimension Mobility – Part 1“ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H; G. Rehfeldt

 

Flutuando, suavemente e sem ruído. Às vezes um leve balanço. Mesmo assim, chegando onde quero, sem congestionamento, sem stress e na hora certa. E que vista! Mobilidade? Sim, e mobilidade urbana!

Isso não é um passeio de balão na Capadócia, nem um sonho de transporte num futuro imaginário e longínquo. É realidade cada vez mais presente no ambiente citadino nos mais diversos países e chama-se: teleférico urbano, horizontal ou não. Teleféricos existem em muitos lugares ao redor do mundo, mas, em geral, são conhecidos na sua modalidade de transporte turístico em lugares montanhosos. Porém, estão começando a entrar em outra área de transporte público, a mobilidade urbana.

É o teleférico urbano como um meio alternativo ou complementar de transporte público. Em comparação com soluções baseadas em trilhos, a construção de um teleférico é geralmente mais barata e requer menor em tempo de construção, mas com capacidade de transporte compatível. Além disso, destaca-se como um meio de transporte rápido, silencioso, ambientalmente benigno e extremamente seguro.

Os teleféricos têm uma vantagem decisiva: lidam com condições topográficas difíceis. Em La Paz, na Bolívia, por exemplo, a solução para seu problema do tráfego estava na terceira dimensão – ou seja, a construção de uma rede de teleféricos urbanos. A adoção do sistema é um sucesso completo, já consiste em sete linhas, muito frequentadas (o preço da passagem é, convertido, de cerca de R$ 2,00), e que conectam os vários distritos e bairros da cidade. Espera-se que a rede cresça ainda mais até um comprimento total de cerca de 30 km das 7 linhas previstas.

Outras cidades com sistemas de teleférico urbano impactado são, por exemplo, a Cidade do México, Hong Kong, Toulouse e Anacara, entre muitas outras. Todas elas com as mais diversas particularidades urbanas, geográficas e econômicas. O teleférico de Ancara, por exemplo, foi na época de sua construção, 2014, o teleférico mais longo da Eurásia, tendo na época os custos operacionais 80% mais baixos que os de um metro ou trem urbano, além dos custos notoriamente menores da implementação com uma capacidade de transportar 2.400 passageiros por hora. O trajeto de mais de mais de 3 km é feito em cerca de 10 minutos.  

Quais são as vantagens desse meio de transporte no conjunto da mobilidade urbana? Comparado com outros sistemas, os teleféricos não agridem o meio ambiente, pois são acionados por energia elétrica (eventualmente de fonte renovável) e assim não emitem CO2, além de não produzirem ruído. Isso torna sua operação extremamente econômica e perfeitamente compatível com, e integrável a outros sistemas. Seu funcionamento contínuo não gera esperas e aglomerações de passageiros, além de proporcionar uma viagem extremamente agradável. Ao mesmo tempo não existe a possibilidade de congestionamentos ou batidas de trânsito, nem atropelamentos – teleféricos são, com grande distância, os meios mais seguros de transporte coletivo com apenas uma morte por 1,7 milhão de passageiros transportados.

A implementação do sistema permite a pré-fabricação em grande escala ao lado de uma ocupação mínima de solo, restringindo-se às áreas necessárias para as estações e as torres de sustentação. Além da fácil superação de obstáculos topo- e geográficos, o custo da obra é incomparavelmente mais favorável (US$ 19 milhões por km na cidade do México) do que de outras vias no mesmo ambiente urbano. Somente a implantação de uma linha de ônibus em via já existente é mais barata, no entanto – diferentemente do sistema teleférico altamente automatizado –, tem um custo operacional mais elevado e todos os problemas atuais do transporte terrestre urbano. Os custos energéticos são baixos: como as relações de massa e resistência do vento se compensam nas respectivas direções de deslocamento, os sistemas requerem somente a energia para a superação do atrito da natureza do sistema. Com isso, teleféricos mostram ser os meios de transporte motorizado com a maior eficiência energética. Ventos com velocidades de até 80 km/h não impedem o funcionamento.

Embora um teleférico da cidade não possa resolver todos os problemas de trânsito, sob determinadas circunstâncias faz muito sentido deslocar o fluxo de tráfego do solo para o ar. No entanto, o pré-requisito para um novo sistema de transporte combinado é que o teleférico seja aceito pela população e que o projeto seja elaborado e aplicado na presença de vontade política.

(Segue Parte 2)

 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Que Tal Madeira?

 

Que Tal Madeira?

(„What About Wood?“ - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desde os primórdios da humanidade, a madeira faz parte do processo civilizatório. Ao lado de armas, ferramentas e utensílios, de veículos e embarcações, praticamente todas as culturas serviam-se da madeira como elemento principal ou complementar na construção de seus abrigos e outras edificações. De simples cabanas a catedrais, a madeira, com suas qualidades e suas dimensões, determinou as possibilidades e as limitações da construção civil durante milênios em combinação, ou não, com a pedra e a argila.

A invenção do cimento em 1824 na Inglaterra (mais precisamente na península de Portland, que lhe deu o nome de cimento Portland) e a utilização do aço na construção civil produziram uma revolução que se traduziu em obras de toda natureza e finalidade, e cada vez mais audaciosas. Hoje esses materiais fazem parte do nosso cotidiano, passando a madeira para um papel de quase insignificância.

Porém, embora um tanto esquecidas, continuam valendo as qualidades da madeira, e com isso, sua serventia para a construção civil. Entre essas cabem citar sua característica de material sustentável (madeiras de qualidade levam de 40 a 80 anos para atingir sua maturidade, dependendo de sua espécie e localização geográfica), sua prestabilidade para processos de pré-fabricação, a capacidade de sustentar um múltiplo de seu próprio peso, sua combustibilidade mais previsível e controlável, e o reaproveitamento seus resíduos, além de outras,

Em tempos de consciência ecológica e necessidade de sustentabilidade, tudo isso está alimentando reconsiderações sobre seu uso na construção civil. Num primeiro instante, isso sugere pensar em casas ou outras edificações de madeira de altura limitada. Mais difícil é imaginar uma construção de, por exemplo, 24 andares e 84 metros da altura – como o prédio HoHo (Holz-Hochhaus) localizado em Viena Áustria. Esta construção possui apenas um nucleão de concreto, ao redor do qual construíram-se um hotel e escritórios com um total de 19.500 m2, em grande parte utilizando-se a pré-fabricação longe do local de construção. E não é o único. Sem chamar muita atenção, surgiram, desde 2008 mais de 20 prédios de madeira com mais de oito andares na Europa, no Canadá e na Austrália. Novas técnicas, como, por exemplo, o uso de tábuas e pranchões de aglomerado multicamadas cruzadas impulsionaram tais arrojos.

Além das vantagens já mencionadas, a maior leveza do material necessita de fundações menor dimensionadas, e de menor custo. Mas a maior vantagem está na própria madeira. Qualquer árvore tem seu ciclo de vida, e sua transformação em material de construção antes de sua morte natural praticamente não interfere no equilíbrio ambiental, além de postergar a liberação de CO2 por ocasião de sua decomposição. Outras vantagens são menor tempo e menores custos de construção, menor peso, adequado mesmo em condições difíceis do solo, matéria prima de baixo custo energético, entre outros.

Os custos materiais mais elevados são indiscutíveis. A qualidade tem seu preço, que cada vez mais construtores estão dispostos a pagar. No entanto, se você olhar para todas as fases de planejamento, construção e residencial, os custos de investimento se justificam rapidamente. Não é preciso dizer que a madeira não precisa ser usada dogmaticamente como o único material de construção. Grande sucesso poderá ser alcançado, por exemplo, com um método de construção híbrido no qual, ao lado da madeira, outros materiais de construção são selecionados de acordo com sua respectiva adequação,

Somos um país sob todos os aspectos favorecidos para o cultivo da madeira e seu uso mais amplo possível, de maneira que, num ambiente de constante renovação tecnológica, somos obrigados a realizar revisões permanentes no espectro da utilização racional de uma das nossas maiores riquezas - sustentáveis.