Auxílio ou Ensino?
(“Aid or Education?” -
–
This text is written in a way to ease electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
No mundo do conhecimento, quem
não tem estudo não tem vez. Isso soa cruel, mas é a realidade. Não existirá
mais chance ocupacional para o auxiliar de construção civil, o cobrador de
ônibus ou o frentista de posto de abastecimento num futuro mais ou menos
próximo. O próprio comerciário sem qualificação específica encontrará cada vez
menos espaço para o trabalho. Até a perspectiva de garantia de trabalho para o
trabalhador industrial apenas preparado para a função pela própria empresa é
cada vez menor. Tirando do quadro os efeitos transitórios da pandemia de
covid-19, isso evidencia-se claramente ao examinar o perfil do atual desempregado.
E
mesmo os ‘afortunados’ que conseguem ganhar seu pão com trabalhos que dispensam
qualificações, além de uma constante incerteza relativa ao futuro, jamais
sairão das amarras de uma maior ou menos pobreza. A simples alfabetização e as
quatro operações da matemática são necessárias, mas não bastam, apenas são um
primeiro passo na formação de uma base mínima para a construção do
conhecimento, seja qual seu campo. Especialmente o ensino básico tradicional,
essencialmente teórico e abstrato, como se encontra em prática o Brasil, em
nada, ou muito pouco, serve para o preparo do profissional ‘século 21’.
Essa
situação praticamente impede uma migração social. Raras são as pessoas que
conseguem romper os laços que as prendem ao seu status quo socioeconômico. Para
esse salto através da aquisição do conhecimento ter êxito, sempre exigir-se-ão grandes
sacrifícios, seja da pessoa, seja da família, seja da sociedade.
Tal salto, definitivamente, não se pode esperar de programas de auxílio financeiro para a população de baixos níveis de renda. (Não está se falando aqui de Programas de Renda Básica Universal, mas daqueles do tipo Bolsa Família e similares.). Por mais que esses recursos possam atenuar a situação financeira, boa parte desses recursos não resiste aos apelos de uma economia de consumo, nem às arapucas de crédito. Assim, mesmo conseguindo fugir de tais tentações, tais programas são incapazes de gerar riquezas que permitam uma ascensão social. Mas, obviamente, tornam-se politicamente simpáticos.
Diante
disso impõe-se a pergunta: aumentar o poder de compra da parte mais carente da
sociedade, ou investir na chance profissional de quem não dispõe de recursos
para tal. Um modelo bem-sucedido existe para ser seguido e ampliado: o Sistema
S (SENAI, SENAC etc,) com 1,2 milhão de matrículas. Igualmente existe um
mercado de trabalho preparado para acolher mão de obra qualificada, em especial
nas áreas de tecnologia.
A educação tem seu tempo necessário, mas limitado na vida da pessoa,
um auxílio financeiro estende-se por toda a vida. Ademais, esse tipo de
subvenção não consegue tirar o beneficiário da pobreza e, ainda pior, lega sua
condição de indigência para as próximas gerações – possivelmente ainda mais numerosas
(as favelas são prova cabal dessa realidade). Esse tipo de auxílio, sem num efetivo
complemento educacional que consiga romper a estagnação social e econômica, é
quase uma condenação à paupérie eterna.
A educação é um investimento sem risco e com retorno
garantido durante toda a vida produtiva do educando. Além disso e pela sua
própria natureza, o conhecimento não tem perdas, não se deteriora – e
proporciona um capital de liquidez garantida e um futuro próspero para aqueles
que o adquiriram. E, pelo seu fator multiplicador, beneficia toda a sociedade.
A questão, então, é: atenuar, mas perpetuar a pobreza, ou promover
a ascensão social através do investimento na educação.
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