quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Groenlândia ou Patagônia

 

Groenlândia ou Patagônia?

“Greenland or Patagonia?” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Excluindo alguns negacionistas dos problemas climáticos em curso e futuros, seja qual for a razão para tal postura, observa-se uma clara e crescente apreensão com a evolução das mudanças climáticas entre a população. Especialmente pessoas e populações diretamente afetadas pelos efeitos de caprichos meteorológicos tem toda razão para convencer-se de que algo está mudando com o tempo.

Enchentes, furacões, secas, temperatura extremas e anormalidades climáticas de toda ordem e suas consequências frequentam as manchetes das mídias. Como não podia ser diferente, cada calamidade, cada desastre climático clama pela identificação de suas causas e seus responsáveis. Uma resposta perfeitamente válida alega que sempre houve mudanças climáticas no nosso planeta pelas mais diversas causas. Tanto externas ao nosso planeta, especialmente provenientes do sol com ocasionais proeminências (jatos de gases e vapores metálicos) e eventuais mudanças orbitais, quanto originárias da própria Terra influenciaram as condições meteorológicas na sua superfície. Eras glaciais e outras de extremo calor fazem parte da longa história do mundo e deixaram suas marcas.

Algumas causas são razoavelmente conhecidas, de simples mudanças da espessura da camada de ozônio a processos menos evidentes ligados ao envelhecimento do nosso planeta, outras nem tanto, embora mais imediatas. Vale aqui mencionar o fundo do mar (a parte menos conhecida da Terra) que, entre outros fenômenos, abriga muitos milhares de vulcões, alguns adormecidos, outros em erupção constantes, e ainda aqueles em atividade intermitente – os números exatos não são conhecidos. Os efeitos de aumento da temperatura das águas marítimas em constante circulação pelos oceanos e ao redor da Terra parecem óbvios. Os fenômenos causadores são múltiplos e suas ações, isoladas ou combinadas são igualmente multiformes – entre imprevisíveis e já perceptíveis, como as atuais condições térmicas que hoje já permitem o plantio de vinhedos na Noruega.

Mesmo com todos esses fatos e condições próprios do planeta, independentes da presença do homem, a humanidade moderna tem comprovadamente contribuído para o atual quadro de mudanças climáticas. Em que proporção com o resto das circunstâncias? Ninguém sabe. Simplesmente não há como determinar em que grau os efeitos nocivos produzidos pelo homem participam no total de fatores determinantes das mudanças em curso. Mas isso não justifica uma isenção de responsabilidade, um ”tirar o corpo fora”. Por menor que seja a emissão de CO2 ou metano liberados pela ação humana, por mais insignificante pareça a agressão à natureza pela nossa civilização em comparação com os processos naturais, trata-se de uma parcela de participação no processo de mudanças em curso. Somos nós os responsáveis pelas estruturas de produção e consumo de energia e de transformação física e química de materiais construídas ao redor do mundo. Somos nós os responsáveis pelo fato de que mais de 60% dos mamíferos de porte no mundo são animais de criação (apenas 4% vive livre na natureza, e 36% - a humanidade). E somos os responsáveis coletiva, más também individualmente. Não podemos nos eximir como pessoas, culpando a humanidade como um todo – ela se compõe de 7,3 bilhões de pessoas, cada uma um ser distinto com seus direitos e seus deveres. A omissão alheia, do outro, cidadão ou coletividade, não justifica a própria indiferença.

É preciso ter consciência que nossa contribuição, mesmo involuntária, na evolução dos problemas ambientais e climáticos tem história, tem um passado bastante longo e, consequentemente, quaisquer posturas corretivas não trarão resultados imediatas – e talvez não influam na medida esperada num conjunto de fatores fora do controle da humanidade. Como medida individual, talvez sejam gotas que o beija-flor carrega para apagar o fogo na mata, mas em escala coletiva, possivelmente retardaremos a necessidade de nossa migração para terras como a Groenlândia, o Alasca, as regiões polares da Rússia ou a Patagônia.  

 

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