Groenlândia ou Patagônia?
“Greenland or Patagonia?” - This
text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)
Klaus H. G. Rehfeldt
Excluindo alguns negacionistas dos problemas climáticos em curso e
futuros, seja qual for a razão para tal postura, observa-se uma clara e
crescente apreensão com a evolução das mudanças climáticas entre a população.
Especialmente pessoas e populações diretamente afetadas pelos efeitos de
caprichos meteorológicos tem toda razão para convencer-se de que algo está
mudando com o tempo.
Enchentes, furacões, secas, temperatura extremas e
anormalidades climáticas de toda ordem e suas consequências frequentam as manchetes
das mídias. Como não podia ser diferente, cada calamidade, cada desastre
climático clama pela identificação de suas causas e seus responsáveis. Uma
resposta perfeitamente válida alega que sempre houve mudanças climáticas no
nosso planeta pelas mais diversas causas. Tanto externas ao nosso planeta,
especialmente provenientes do sol com ocasionais proeminências (jatos de gases
e vapores metálicos) e eventuais mudanças orbitais, quanto originárias da
própria Terra influenciaram as condições meteorológicas na sua superfície. Eras
glaciais e outras de extremo calor fazem parte da longa história do mundo e
deixaram suas marcas.
Algumas causas são razoavelmente conhecidas, de
simples mudanças da espessura da camada de ozônio a processos menos evidentes
ligados ao envelhecimento do nosso planeta, outras nem tanto, embora mais
imediatas. Vale aqui mencionar o fundo do mar (a parte menos conhecida da Terra)
que, entre outros fenômenos, abriga muitos milhares de vulcões, alguns
adormecidos, outros em erupção constantes, e ainda aqueles em atividade
intermitente – os números exatos não são conhecidos. Os efeitos de aumento da
temperatura das águas marítimas em constante circulação pelos oceanos e ao
redor da Terra parecem óbvios. Os fenômenos causadores são múltiplos e suas
ações, isoladas ou combinadas são igualmente multiformes – entre imprevisíveis
e já perceptíveis, como as atuais condições térmicas que hoje já permitem o
plantio de vinhedos na Noruega.
Mesmo com todos esses fatos e condições próprios do
planeta, independentes da presença do homem, a humanidade moderna tem
comprovadamente contribuído para o atual quadro de mudanças climáticas. Em que
proporção com o resto das circunstâncias? Ninguém sabe. Simplesmente não há como
determinar em que grau os efeitos nocivos produzidos pelo homem participam no
total de fatores determinantes das mudanças em curso. Mas isso não justifica
uma isenção de responsabilidade, um ”tirar o corpo fora”. Por menor que seja a
emissão de CO2 ou metano liberados pela ação humana, por mais insignificante
pareça a agressão à natureza pela nossa civilização em comparação com os
processos naturais, trata-se de uma parcela de participação no processo de
mudanças em curso. Somos nós os responsáveis pelas estruturas de produção e
consumo de energia e de transformação física e química de materiais construídas
ao redor do mundo. Somos nós os responsáveis pelo fato de que mais de 60% dos
mamíferos de porte no mundo são animais de criação (apenas 4% vive livre na
natureza, e 36% - a humanidade). E somos os responsáveis coletiva, más também
individualmente. Não podemos nos eximir como pessoas, culpando a humanidade
como um todo – ela se compõe de 7,3 bilhões de pessoas, cada uma um ser distinto
com seus direitos e seus deveres. A omissão alheia, do outro, cidadão ou coletividade,
não justifica a própria indiferença.
É preciso ter consciência que nossa contribuição,
mesmo involuntária, na evolução dos problemas ambientais e climáticos tem
história, tem um passado bastante longo e, consequentemente, quaisquer posturas
corretivas não trarão resultados imediatas – e talvez não influam na medida
esperada num conjunto de fatores fora do controle da humanidade. Como medida
individual, talvez sejam gotas que o beija-flor carrega para apagar o fogo na
mata, mas em escala coletiva, possivelmente retardaremos a necessidade de nossa
migração para terras como a Groenlândia, o Alasca, as regiões polares da Rússia
ou a Patagônia.
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