O Futuro Começou Ontem
(“Future Began
Yesterday” - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Há décadas, o Brasil
está experimentado uma silenciosa, mas significativa mudança. Depois de um
contínuo crescimento populacional ao longo de cinco séculos, essa evolução está
sofrendo uma ruptura. Dede a década de
1950 obviera-se uma queda contínua na taxa de fertilidade da mulher brasileira,
queda essa, que por volta do ano 2000 atinge e cai abaixo da marca de mera
reposição da população (2,1 filhos por mulher. A partir do desse momento
inicia-se um processo de diminuição dos nascimentos, com oscilações, mas também
contínua. Em comparação com os 3,3 milhões de nascimentos em 1999, em 2020
foram registrados apenas 2,7 milhões de nascimentos. Teríamos, a partir do
mesmo momento, um crescimento negativo da população se não houvesse um concomitante
aumento da expectativa de vida na ponta da pirâmide etária.
Até esse
momento, fora a queda nas matrículas, principalmente no ensino fundamental, e
uma possível redução na venda de chupetas e outros artigos de bebê, não se
observaram consequências sensíveis desse fenômeno. No entanto, devemos esperar para
breve os primeiros sinais dessa mudança. Nos últimos 20 anos tivemos uma
redução de mais de meio milhão de nascimentos. Isso significa que a partir de
agora devemos contar com esse mesmo meio milhão a menos de pessoas ingressando na força
de trabalho do país, ou, então, corresponde à perda da força de trabalho de uma cidade de cerca de 50 mil habitantes - por ano. E esse processo deverá tornar-se um fenômeno constante. Sabendo
que o idoso com a vida prolongada não gera riqueza, mas apenas consome reservas
feitas compulsoriamente, ou não, durante sua vida produtiva, uma simples
redução na renovação da população economicamente produtiva significa menos
produção, menos consumo, menos investimento, ou seja, queda no PIB – Produto
Interno Bruto. (Mesmo assim, o PIB per capita pode aumentar devido a outros
fatores.) Neste ponto, é preciso lembrar que outros países (p.ex. Japão,
Alemanha, Rússia) estão em situações semelhantes, porém, mesmo assim apresentem
índices de crescimento positivo, mesmo moderados, do PIB. Qual é a fórmula? Desenvolvimento
tecnológico e aumento da produtividade, priorizando a qualidade, em prejuízo da
quantidade.
E o
Brasil carece de ambos. Temos ilhas de desenvolvimento tecnológico de
excelência como Embaer, Embrapa, entre poucas outras, mas, de uma maneira
geral, somos obrigados a nos servir do mercado externo com as implicações positivas
e negativas (maiores) conhecidas. Já a produtividade, além de depender
diretamente do grau de ‘conhecimento faber’
está diretamente vinculada à disponibilidade energética que, aliás, é hoje um
problema multifocal e global.
O mundo
moderno tem mostrado que existem outras vias. Alguns países asiáticos, mas não
só, mostram o caminho, as fórmulas, as ferramentas – e os resultados. Mas na
raiz há uma verdade curta e clara: pais tecnologicamente desenvolvido é
consequência, na raiz está um país com consciência coletiva de que seu maior
bem é o conhecimento – e que atua de acordo com essa convicção. No caso
brasileiro, é urgente que aprendamos a ensinar e a aprender nos moldes que o
mundo moderno exige de todos aqueles que queiram fazer parte dele. Do
contrário, poderemos abolir o sinal de ‘+’ das nossas calculadoras.
O aumento
da expectativa de vida tem limite. Então se evidenciará que efetivamente seremos
quantitativamente menos, mas podemos ser qualitativamente muito mais
competentes, produtivos, prósperos – e felizes.
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