segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Energia numa Curiosa Dimensão

 

Energia Numa Curiosa Dimensão

(“Energie in a Different Dimension” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Definindo de forma simples, energia é a capacidade de fazer um trabalho, gerar calor ou luz. Portanto, ela é necessária quando algo for colocado em movimento, acelerado, levantado, aquecido ou iluminado. Assim, a energia é vital e indispensável para todos os processos naturais e sua fonte, que garante toda a vida sobre a Terra, o Sol. Por conseguinte, foi a única fonte de calor e luz do homem por muitas centenas de milênios. Então ele aprendeu a fazer fogo. Em seguida e em lento progresso, a humanidade descobriu como aproveitar a força dos animais domesticados, da água e dos ventos para complementar sua própria energia e sua produtividade. Paralelamente soube criar e desenvolver mecanismos que tornassem o uso da energia mais racional, da simples alavanca a engenhosos sistemas de roldanas.

Uma nova era começou para a humanidade com os primeiros inventos de geração de energia a partir do uso de recursos baseados em leis físicas e químicas, das primeiras máquinas a vapor às reações nucleares, passando por usinas de energia elétrica e motores de combustão interna. Uma consequência foi o surgimento quase imediata de uma relação mútua e permanente entre disponibilidade (em geral deficitária) e demanda. Cada cidadão adicional, cada luxo a mais e cada avanço tecnológico exige mais e novos recursos energéticos.

E quem é o consumidor final de toda a energia gerada pela mão do homem? Você conhece a demanda e o consumo dessa energia?

O próprio homem é sempre o consumir final, direta ou indiretamente de toda a energia gerada. No caso brasileiro, ele é o consumidor final de uma geração total de energia elétrica instalada de mais de 180 Gigawatts (GW), isso são 180.000.000.000 W (180 x 109 W). É a energia que garante a luz noturna, o funcionamento de seu celular e que toca as indústrias que fabricam suas roupas, seu fogão a gás e seu automóvel. Se dividirmos esse potencial energético pela população do país (210 milhões de habitantes) encontramos um valor de quase 860 W por pessoa.

Numa outra dimensão, cada pessoa, em atividade normal, gera e consome aproximadamente 100 W de potência, ou seja, o suficiente para manter acesa uma lâmpada de igual wattagem. Consequentemente, conclui-se que cada pessoa consome, além da própria, a energia complementar correspondente àquela de quase nove outras pessoas, que estariam escondidos na nossa geladeira, na máquina de lavar, na TV, no aspirador, no celular, enfim, em todos os utensílios que fazem parte de nossa vida cotidiana moderna.

Mas não é só. Até aqui estamos falando de apenas 70% da capacidade energética atualmente instalada e disponível. Os outros 30% provém de origem fóssil, principalmente do petróleo e do carvão consumidos pelas siderurgias, indústrias e pelos sistemas de transporte. Isso significa que o consumo individual desse recurso energético outras três pessoas se encontram debaixo do capô do nosso carro ou na turbina do avião que nos leva à Europa. E aqui há a agravante das consequências ambientais causadas por tais combustíveis.

Na soma final, portanto, cada um de nós demanda a energia que equivale àquela de outras 12 pessoas, como se tivéssemos, cada um, 12 escravos trabalhando para nós durante 24 horas em 365 dias por ano. E nós, brasileiros, não somos os maiores consumidores energéticos deste nosso planeta.

Essa é uma realidade dificilmente mutável, pois cada novidade para aumentar nosso conforto acentuará essa situação. Mas é bom ter consciência desse cenário e sentir um certo alívio na medida em que as fontes energéticas se tornem mais sustentáveis.       

 

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