sábado, 10 de setembro de 2022

Nós Idosos, de Fardo para a Autonomia;

 

Nós Idosos, de Fardo à Autonomia

(“We, the Elderly, from Ballast to Autonomy” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Nossa sociedade está passando por uma transformação fundamental. A estrutura populacional encontra-se numa mudança fundamental e que continuará nos próximos anos e décadas. Porque a sociedade está envelhecendo em um ritmo rápido. A questão do equilíbrio intergeracional e o que manterá a sociedade do amanhã unida já está sendo levantada hoje. No entanto, a futura sociedade de longa vida também oferece novas oportunidades. Uma coisa já está clara: teremos que abrir novos caminhos.

 

Até poucas gerações atrás e com expectativa e vida abaixo de 40 anos, o idoso ocupava um papel absolutamente secundário na sociedade. Com participação quantitativa pequena e capacidade produtiva reduzida, especialmente em tempos de trabalho quase exclusivamente braçal e elevados índices de enfermidades geriátricas, ele representava mais um fardo para a família e a sociedade do que um ganho. Sua experiência de vida era pouco valorizada (diferentemente de muitos povos primitivos, onde o conselho dos velhos ainda é uma entidade indispensável.)

 

A partir das últimas uma ou duas gerações, as pessoas mais velhas desempenham um papel cada vez mais importante na sociedade, e essa evolução continuará. Enquanto em 1950 uma em cada 20 pessoas era idosa (5%), hoje são quase três (14%). Em mais uma geração, esse valor deve aproximadamente dobrar. É por isso que o diálogo conjunto entre velhos e jovens é de grande importância. A relação entre as gerações é crucial para a viabilidade pacífica de nossa sociedade no futuro. Precisamos de coesão, justiça e responsabilidade entre as gerações. Devemos levar em conta as diferentes habilidades, necessidades e aspirações de velhos e jovens e promover uma convivência em proveito de todos.

 

Hoje, na sociedade de vida longa, pessoas mais velhas passam a ser demandadas como nunca antes. Precisamos de seu conhecimento e sua corresponsabilidade, mas também da defesa ativa por suas necessidades, vontades e seus interesses. Para isso é preciso que o idoso crie para si uma nova imagem, ofereça seus potenciais e assuma sua responsabilidade social.

 

A imagem do idoso é definida de duas percepções: da população jovem e de órgãos oficiais. O velhinho de bengala que sinaliza os estacionamentos preferenciais certamente não saiu do lápis de um idoso. Por outro lado, os governos evocam para si a determinação a partir de qual idade o cidadão deverá ser considerado velho. No entanto, quando vemos pessoas produtivas ao 70 ou 80 anos, evidencia-se que ambos os conceitos formadores dessa imagem podem ser extremamente prejudicais para o idoso e a sociedade; o idoso é colocado numa camisa de força de incapacidade e de fardo para a coletividade.

 

Com relação a seus potenciais, cabe ao idoso valorizar e oferecer suas experiências e sua capacidade de realizações. Para isso será preciso que saia da poltrona e se torne visível para que a sociedade se ajuste à sua presença como pessoa autônoma e que tenha algo a oferecer à coletividade, material e imaterialmente. Por outro lado, essa coletividade precisa tomar consciência de que a população de terceira idade hoje é um expressivo fator econômico, mormente numa economia de consumo. E, neste contexto, é preciso considerar as profundas mudanças a esperar no mercado de trabalho, não por último devido ao atual crescimento quase zero da população – e, consequentemente, da mão de obra disponível no futuro – com perspectivas de passar a ser negativo. Também há um aspecto cultural, e ao mesmo tempo promissor: o Brasil ainda não acordou para o voluntariado.         

 

Quanto à sua responsabilidade social, além de procurar ser ativo socialmente, o papel político do idoso é extremamente importante. Enquanto a população mais jovem tende a ser mais impulsiva e mais progressista, o cidadão mais velho costuma se revelar inclinado para posturas conservadoras. Um equilíbrio entre tais posicionamentos é indispensável, sob risco de opções equivocadas, em geral prejudiciais para toda a sociedade. Não faltam exemplos. 

 

A população de terceira idade está se consolidando numa nova classe na sociedade, na nação, com caraterísticas próprias, um espaço social próprio e uma filosofia de vida própria. Com isso, o ‘velho’ não é, nem deve ser, nem aceitar ser visto como ícone de ociosidade. O novo e moderno idoso pode ser, e certamente será um ganho para toda a sociedade, porém, o maior beneficiado de uma terceira idade vivida plena e ao máximo produtivamente com certeza será ele mesmo. 


Nós, idosos, devemos abandonar a postura de devedores, porque ainda estamos aqui, para assumir aquela de credores – porque ainda estamos aqui.     

 

 

 

 

 

 

 

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