A Energia na Civilização – Parte 2
(“The Energy in Civilization”
- Part 2 - This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Enquanto
no passado mais remoto a vida dependia da energia solar transformada em
biomassa, da qual o homem fazia parte, sua gradativa fixação na terra por volta
de oito mil antes de Cristo trouxe mudanças fundamentais. Ao lado do domínio do
fogo, esse foi um dos grandes momentos na história da humanidade. Os então
cerca de cinco milhões de habitantes começaram a se beneficiar de uma nova
compreensão de como garantir o sustento: o cultivo da terra, certamente num
processo lento a partir do conhecimento adquirido e com o auxílio das
ferramentas até então desenvolvidas, diversificadas e necessárias para tal.
A
concentração artificial dos produtos da terra em áreas delimitadas não apenas trouxe
uma racionalização do trabalho, ou do emprego de energia, mas, ao mesmo tempo, garantiu
o primeiro estabelecimento de patrimônio fixo do homem. A contínua procura por
reservas de produtos vegetais e animais deu lugar ao cultivo permanente do
mesmo campo, a moradia sólida substituía a tenda. Mesmo que o arado feito da
espátula de um bisonte fosse puxado por um membro do casal e empurrado e
direcionado pelo outro, o ganho de racionalidade do trabalho e do dispêndio de
energia era enorme.
Mas
essa revolução proporcionou outro benefício à humanidade: a eventual utilização
da força animal para complementar o potencial energético do homem. Naquele
momento, o homem começou a dispor de uma fonte de energia extra-humana, tanto
na produção como no transporte. Obviamente, essa energia não era gratuita, o
que impunha restrições a seu uso. Os resultados dessa nova realidade agrícola,
que passou a abranger a quase totalidade da população, inicialmente garantiam o
sustento próprio, ao lado da caça ou da pesca, mas crescentes excedentes conseguiam
abastecer as emergentes populações urbanas. Foi a aurora da redistribuição do
trabalho entre as atividades agrícolas e as dos artífices. Porém, mesmo com uma
maior racionalização no empenho energético, havia um limite: a capacidade dos
músculos humanos.
O
crescimento humano continuava a desenvolver-se a taxas de frações de um por
cento. Continuavam os contratempos de toda ordem, como doenças, pragas,
catástrofes climáticas, e maiores contingentes humanos levaram a conflitos
também de maiores proporções. Condições de precariedade sanitária e de higiene
nos ambientes de concentração urbana propiciavam doenças e epidemias, como a
grande peste que dizimou quase um terço da população europeia. São essas as
razões principais que explicam o baixo crescimento populacional dos últimos dez
mil anos até o século XVIII. Esses eventos, porém, causavam quedas, às vezes
expressivas, mas temporárias na população e nas suas taxas de crescimento, mas
sempre com recuperação posterior aos níveis anteriores.
Continua, no entanto, como fator delimitador de um desenvolvimento geral da humanidade a finitude de recursos energéticos, essencialmente concentrados a força muscular humana. Até quando a força do vento começou a ser usada nos barcos a vela no Nilo, na Grécia Antiga e na China. Apenas mais de um milênio depois surgiram os primeiros moinhos a vento e forma primitivas de rodas d´água. Mesmo com ferramentas mais aprimoradas, o trabalho continuava sendo feito pelo homem no campo, junto à bigorna, ao beneficiamento da madeira e da argila, e na mina de sal ou de minério de ferro. O trabalho escravo, onde e quando foi empregado, de uma maneira geral não beneficiava diretamente a grande população.
Importante
é ter em mente que até a Idade Média, mais de 90 por cento da população
cultivava a terra. De maneira geral, o trabalho do campo esgotava a capacidade
energética do lavrador e de sua família. Recorrer à força animal multiplicava o
rendimento da terra, mas, ao mesmo tempo significava a necessidade de repartir
o produto da terra entre humanos e animais durante o ano todo, em troca de um
tempo limitado de utilização dessa força adicional. Em poucas palavras: a terra
era pouca, nem sempre muito fértil, o trabalho árduo com ferramentas manuais, e
a colheita tão rica ou pobre como a terra e as condições climáticas favoráveis
ou não. Era o frágil equilíbrio entre a variabilidade da natureza e a
capacidade de reação e domínio do homem. Por outro lado, excessos de produção
não faziam sentido por falta de mercado consumidor e a incapacidade de prever
eventuais períodos de carência.
Foram
centenas de milhares de anos regidos por Gênesis 3:19-24 “Pelo suor do teu
rosto comerás o teu pão, ...” até a saída da primeira máquina a vapor de uma
fábrica em Soho em 1774, e pouco mais de dois séculos depois os plantios e
colheitas totalmente comandadas e operadas por Tecnologia de Informação e
Inteligência Artificial.
E
qual será o futuro do trabalho, daquilo que foi a base de existência da humanidade
e de sua civilização? Ele acabará em exercícios nas academias?
E qual será o futuro do trabalho, daquilo que foi a base de existência da humanidade e de sua civilização? Ele acabará em exercícios nas academias? (Sic).
ResponderExcluirDúvida cruel, pessoalmente já estou partindo para os exercícios na academia.
Na empresa o trabalho não é mais que um esforço mental.