Vacinas
Klaus H. G. Rehfeldt
Quem não conhece o passado não compreende o
presente, muito menos consegue projetar um futuro.
Vacinas não são novidade como podíamos imaginar.
Acredita-se que os experimentos com essa técnica começaram na China (talvez na Índia)
já em torno de 200 a.C. Médicos chineses selecionaram pessoas com casos leves
de varíola para obter uma proteção imunizante, removendo nos infectados crostas
das marcas da doença. Os pedaços foram moídos em pó e inseridos no nariz da
pessoa a ser imunizada. Uma ‘vacina’ que nunca saiu da Ásia e se perdeu nos
tempo.
Na medicina mais moderna, porém, os médicos na
Europa viam-se até o século XIX geralmente impotentes contra as epidemias
generalizadas e recorrentes. Uma dessas doenças infecciosas generalizadas era a
varíola, que matou cerca de 30% dos afetados ou deixou os sobreviventes
frequentemente desfigurados por cicatrizes. Por outro lado, percebeu-se cedo
que pessoas uma vez infectadas se tornaram imunes contra novos contágios. Esse
conhecimento e outras suspeitas na mesma direção se tornariam a base para todos
os trabalhos futuros em busca de imunizações.
Tais esforços eram desenvolvidos por médicos que
dedicaram longos e longos anos a estudos, pesquisas, reformulações e recomeços,
enfrentando riscos e fracassos paricias até chegar a resultados positivos.
Edward Jenner, Theodor C. Eulner, Louis Pasteur, Roberto Koch, para citar
apenas alguns nomes, empenharam-se por décadas até vir seus esforços coroados
de êxito com as respostas positivas em seus pacientes. Doenças como difteria,
raiva, tuberculose, tétano, entre outras tantas, puderam então ser evitadas
mediante imunizações prévias. Iniciarem-se vacinações em grande escala
resultando na exterminação de muitos flagelos históricos.
Embora as pesquisas pessoais continuassem, como no
caso de Jonas Salk e Albert Sabin na busca da vacina contra a paralisia
infantil, surgiram no século XX os grandes laboratórios farmacêuticos. Esforços
individuais, até então orientados principalmente pelo serviço à ciência e o bem
estar humano, passaram a ser desenvolvidos no modelo de laboratório industrial de
forma programada e estruturada com o fim primordial de gerar lucros. Com isso,
não apenas medicamentos, mas também vacinas puderam ser criados, produzidos e testados
em tempos mais curtos e em grandes quantidades. Embora algumas pesquisas virais,
como a da imunização contra o ebola, continuem sem resultados satisfatórios a
décadas, tecnologias avançadas permitem hoje a criação de vacinas em questão de
meses, como no caso do imunizante contra a gripe H1N1, ou do covid-19, com 160
laboratórios em todo mundo se empenhando paralelamente na descoberta, criação e
produção da vacina mais eficiente. Curiosamente, grandes indústrias
farmacêuticas surgiram em épocas recentes exatamente em locais que, há milhares
de anos, eram palco de trabalhos pioneiros nesse ramo, a Índia e a China.
Sempre houve ao longo da história resistências
contra a aplicação de vacinas, provindo das mais diversas origens como igrejas
ou convicções pessoais, mas também de próprias áreas médicas, ou oriundas da
ignorância popular, como ocorrido em 1904 no Rio de Janeiro (a Revolta da Vacina)
contra a vacina da varíola, ou ainda da incompreensível discriminação da origem
de vacinas, priorizando posições ideológicas sobre questões de saúde da própria
população. Entretanto, por conhecimento dos benefícios ou puro bom senso, a
grande maioria das populações tem aderido à vacinações de toda ordem, em
proteção própria e do próximo.
Adorei o texto. Achei objetivo.
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