segunda-feira, 5 de abril de 2021

Homeschooling

 

Homeschooling

 (This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)


Klaus H. G. Rehfeldt

 

Um casal alemão com dois filhos em idade escolar vendeu sua casa, comprou um motorhome preparado para longo curso e partiu para uma viagem ao redor do mundo. Perguntados numa entrevista, enquanto em viagem entre o Marrocos e o Senegal, sobre a situação escolar dos filhos explicaram: existem atualmente exames oficiais que avaliam o conhecimento do aluno, não a forma como ele foi adquirido. Resolveram adotar um programa de homeschooling, reservando três horas diárias de estudo para os filhos, quando possível em afinidade com o ambiente de cada momento.

            O homeschooling, ou estudo doméstico, no nível fundamental, já a bastante tempo encontra-se devidamente aprovado e regulamentado em diversos formatos e vários países, como a Áustria, Dinamarca e Estados Unidos. Ele consiste basicamente numa forma de educação na qual as crianças são ensinadas em casa por pais ou por professores particulares. O espectro de modalidades varia de formas altamente estruturadas orientadas para a escolaridade tradicional a formas mais abertas, atendendo os interesses específicos do aluno. Não resta a menor dúvida, que a facilidade de obtenção de informações a partir de recursos de informática contribui hoje significativamente para o sucesso do sistema.  Até aqui, porém, o número de famílias que optam por esse tipo de ensino é bastante pequeno e a prática quase desconhecida pelo grande público.

Recentemente, o distanciamento social imposto pela pandemia do coronavírus obrigou o sistema educacional desenvolver e ajustar-se a novas técnicas e estratégias do ensino, recorrendo ao ensino a distância com o suporte que os recursos digitais oferecem. Obviamente, o imprevisto, a urgência e o despreparo técnico para tal mudança resultaram em erros e desacertos que, contudo, estão sendo corrigidos e superados. E, involuntariamente, está havendo uma certa aproximação do ensino tradicional aos conceitos de homeschooling, a ponto de o governo brasileiro começar a pensar em regulamentar tal modalidade de ensino.

É claro que nem todas as famílias encontram-se estruturalmente em condições para adotar um homeschooling, seja por disponibilidade de tempo, espaço ou recursos técnicos, seja pela própria formação escolar dos pais, sem a qual uma orientação nesse modelo fica bastante prejudicada. Além disso, os pais desses alunos devem estar cientes da necessidade de proporcionar outras opções para sua socialização, coisa que a escola propicia naturalmente. Na prática, observa-se que os alunos educados por esse sistema produzem notas acima da média nos exames (p.ex., teste realizado em 2009 com 12.000 alunos nos EUA). Além disso, as práticas de formas híbridas aprendidas no ensino formal nas atuais dificuldades da pandemia também deverão encontrar eco e aplicação no homeschooling.

Não podemos esquecer que as atuais estratégias e os objetivos no ensino requerem profundas mudanças para atender as necessidades do moderno mundo do trabalho, sabendo que a obtenção do conhecimento por meio de recursos digitais dispensa o professor em muitos casos e que o ensino do futuro valoriza crescentemente a capacidade de raciocínio dedutivo e criativo a partir de sólidos conhecimentos básicos, além de habilidades de comunicação em vários idiomas. Conhecimentos específicos são adquiridos por aqueles que os necessitam.

Hoje, um dos maiores indícios práticos do sucesso da autoeducação e do autodesenvolvimento, que são fazem parte indireta do homeschooling, é o crescente número de start-ups bem-sucedidos nos mais diversos ramos.

Como benefícios indiretos, os laços de família certamente resultam mais fortes do que hoje se observam em muitas famílias e está garantida uma atualização dos conhecimentos dos pais.  

 

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