Homeschooling
Klaus
H. G. Rehfeldt
Um casal alemão com dois filhos em idade escolar vendeu sua
casa, comprou um motorhome preparado para longo curso e partiu para uma viagem
ao redor do mundo. Perguntados numa entrevista, enquanto em viagem entre o
Marrocos e o Senegal, sobre a situação escolar dos filhos explicaram: existem
atualmente exames oficiais que avaliam o conhecimento do aluno, não a forma
como ele foi adquirido. Resolveram adotar um programa de homeschooling,
reservando três horas diárias de estudo para os filhos, quando possível em
afinidade com o ambiente de cada momento.
O
homeschooling, ou estudo doméstico, no nível fundamental, já a bastante tempo
encontra-se devidamente aprovado e regulamentado em diversos formatos e vários
países, como a Áustria, Dinamarca e Estados Unidos. Ele consiste basicamente numa
forma de
educação na qual as crianças são ensinadas em casa
por pais ou por professores particulares. O espectro de modalidades varia
de formas altamente estruturadas orientadas para a escolaridade tradicional a
formas mais abertas, atendendo os interesses específicos do aluno. Não resta a menor
dúvida, que a facilidade de obtenção de informações a partir de recursos de
informática contribui hoje significativamente para o sucesso do sistema. Até aqui, porém, o número de famílias que optam
por esse tipo de ensino é bastante pequeno e a prática quase desconhecida pelo
grande público.
Recentemente, o distanciamento social imposto
pela pandemia do coronavírus obrigou o sistema educacional desenvolver e ajustar-se
a novas técnicas e estratégias do ensino, recorrendo ao ensino a distância com
o suporte que os recursos digitais oferecem. Obviamente, o imprevisto, a
urgência e o despreparo técnico para tal mudança resultaram em erros e
desacertos que, contudo, estão sendo corrigidos e superados. E,
involuntariamente, está havendo uma certa aproximação do ensino tradicional aos
conceitos de homeschooling, a ponto de o governo brasileiro começar a pensar em
regulamentar tal modalidade de ensino.
É claro que nem todas as famílias encontram-se estruturalmente
em condições para adotar um homeschooling, seja por disponibilidade de tempo,
espaço ou recursos técnicos, seja pela própria formação escolar dos pais, sem a
qual uma orientação nesse modelo fica bastante prejudicada. Além disso, os pais
desses alunos devem estar cientes da necessidade de proporcionar outras opções
para sua socialização, coisa que a escola propicia naturalmente. Na prática, observa-se
que os alunos educados por esse sistema produzem notas acima da média nos
exames (p.ex., teste realizado em 2009 com 12.000 alunos nos EUA). Além disso, as
práticas de formas híbridas aprendidas no ensino formal nas atuais dificuldades
da pandemia também deverão encontrar eco e aplicação no homeschooling.
Não podemos esquecer que as atuais estratégias
e os objetivos no ensino requerem profundas mudanças para atender as necessidades
do moderno mundo do trabalho, sabendo que a obtenção do conhecimento por meio
de recursos digitais dispensa o professor em muitos casos e que o ensino do
futuro valoriza crescentemente a capacidade de raciocínio dedutivo e criativo a
partir de sólidos conhecimentos básicos, além de habilidades de comunicação em
vários idiomas. Conhecimentos específicos são adquiridos por aqueles que os
necessitam.
Hoje, um dos maiores indícios práticos do sucesso
da autoeducação e do autodesenvolvimento, que são fazem parte indireta do
homeschooling, é o crescente número de start-ups bem-sucedidos nos mais
diversos ramos.
Como benefícios indiretos, os laços de família certamente
resultam mais fortes do que hoje se observam em muitas famílias e está
garantida uma atualização dos conhecimentos dos pais.
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