domingo, 11 de abril de 2021

Prosperidade e Desigualdade

 

Prosperidade e Desigualdade

 

(“Prosperity and Inequality” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

É clássica a divisão da sociedade no aspecto socioeconômico em pobres, classe média e ricos. Existem índices oficiais, nacionais e internacionais, que estabelecem valores de renda para a delimitação de tais categorias que não necessariamente definem ou espelham a percepção dos indivíduos de seu status econômico. Um cidadão de classe média, p. ex., pode facilmente considerar-se pobre ao ver o iate de 300 pés de seu primo rico.

            O ideal de uma sociedade igualitária é antigo, mas somente em visões filosóficas. As concepções de igualdade preconizados por ideários comunistas ou socialistas mais radicais através de mecanismos estatais de controle sobre a propriedade foram abandonadas. Em seu lugar entrou a busca pela redução das desigualdades, uma maneira de enfrentar as diferenças sociais dentro de uma compreensão mais capitalista de economia de mercado.

Na base da pirâmide de renda encontra-se a população mais pobre, ou em extrema pobreza, que, no caso brasileiro, é formada por 11% da população em 2019 (13% em 2021, depois de um ano de pandemia). Sua participação na economia nacional restringe-se basicamente ao valor distribuído pelo programa bolsa-família. Ao todo, cerca de 30% da população situa-se abaixo da linha de pobreza representando as assim chamadas classes D e E. A classe C, que constitui a classe média, perfaz aproximadamente 55% da população, e as classes A e B, ou ricas, cerca de 15%.   

Segundo estudo da FGV, cobrindo o período de 21 anos entre 2008 e 2018 observa-se aumento populacional de 3% nas classes A e B juntas, 6% na C, e uma diminuição de 9% nas D e E juntas. Isso faz conta da migração socioeconômica fechar: 9% das classes D e E avançaram para a classe C, de onde 3% passaram a integrar as classes A e B. (Obviamente, a pandemia causou uma ruptura nessa evolução com as perspectivas para o futuro totalmente em aberto.)    

Tomando-se o valor médio de renda estabelecido por classe (nas classes A e B, como não existe teto, um valor hipoteticamente estimado de R$ 25 mil), resultam as seguintes participações na renda nacional: classes A e B, R$ 750 bilhões (possivelmente mais), classe C, R$ 578 bilhões, e classe D e E, R$ 60 bilhões.

Um aumento de 3% na renda gerada pelas classes A e B representa um ganho de R$ 22,5 bilhões, o de 6% na pela classe C, um aumento de quase R$ 35 bilhões, e a diminuição da renda produzida perlas classes D e E de 9% perfaz uma perda de R$ 5,4 bilhões. Saldo positivo: R$ 52,1 bilhões. Em resumo, observa-se um aumento geral de prosperidade, acompanhado de uma migração também positiva entre as classes sociais.

No aspecto da desigualdade social, aplica-se geralmente o coeficiente, ou índice, de Gini, que mede a concentração de rendimentos; quanto mais perto de 0, maior a igualdade, e 1 revela a pior a distribuição possível de renda. No Brasil, de 2010 a 2019, a média móvel do índice Gini oscila relativamente estável entre 0,78 e 0,80, sem dúvida, um coeficiente lastimável. Para caso de aumento do índice, apresentam-se duas causas possíveis: aumento da parcela de pobres (classes D e E), ou o aumento da concentração da riqueza (classes A e B). Já numa redução do índice, nota-se uma aproximação entre as rendas produzidas entre pobres e ricos.

No caso brasileiro, a quase constância do índice Gini explica-se pela simultânea migração positiva das classes A, B e C, e aumento da riqueza nas D e E, (especialmente gerada no contexto tecnológico, p. ex., o surgimento de 11 unicórnios). Considerando o período pré-pandemia, a análise acima invalida a versão do aumento da pobreza no Brasil.

Tratando-se de um fenômeno sem precedentes, as consequências da pandemia do covid-19 sobre as dinâmicas sociais e econômicas são imprevisíveis. Enquanto os efeitos produzidos pela gripe espanhola não podem servir de parâmetro pela sua coincidência com aqueles da primeira guerra mundial, a peste negra na Idade Média causou profundas mudanças nas estruturas sociais e econômicas da época, dando um impulso extra na lenta evolução da humanidade havida até então. Veremos!

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