Startups ad Infinitum
(“Startups ad Infinitum” - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translations)
Klaus H.G. Rehfeldt
O
processo civilizatório do homem está intimamente associado ao avanço de sua
habilidade de criar, desenvolver e manusear ferramentas que reduzissem e
racionalizassem seu dispêndio de energia. As mais antigas destinam-se à defesa
e à caça na forma da cunha de mão, da clava, e da lança. Ao longo de centenas,
milhares de anos, materiais, técnicas e habilidades melhores aperfeiçoaram continuamente
os instrumentos.
A incipiente agricultura e seu consequente sedentarismo, com
novas tarefas e novas formas de dispêndio energético, clamou por novas
ferramentas destinados ao preparo da terra: o machado, já conhecido como arma,
e o arado, inicialmente de simples pontas, depois de pá. Mas também se
inventaram o disco do oleiro, serras de pedra lascada e a broca de sílex. Sempre
sob a mesma premissa – melhores ferramentas, menor gasto energético, melhores
resultados.
Com a urbanização nasceram as atividades extra-agricolas na
forma dos ofícios com seus artesãos. Numa evolução do conhecimento, trabalhos
cada vez mais especializados de pedreiros, carpinteiros, ferreiros e outros
artesãos fizeram surgir ferramentas e instrumentos especiais, apropriados para
cada trabalho e material.
Então, a revolução industrial e energética com inovações de
grandes efeitos dinamiza os avanços tecnológicos nos processos de extração e
composição de matérias primas e de industrialização, gerando riquezas e
investimentos. Apesar das ferramentas e instrumentos, cada vez mais complexos e
sofisticados, são 10 mil anos limitados à fruição e aplicação das leis da
física e química.
Chegou o século XX e a partir dos primeiros passos da cibernética, a era digital. Convergiram no tempo as altíssimas complexidades tecnológicas de bens de produção e processos – o hardware – com o aparecimento de recursos eletrônicos capazes de operacionalizar e controla-las – o software. Em poucas décadas, os recursos digitais invadiram todos os setores da economia, da robótica ao lazer, bem como todos as áreas da vida cotidiana, da casa digital ao pix. Até então, qualquer inovação era concebida, projetada e desenvolvida com grande dispêndio de tempo, material e financeiro. Hoje, programa digitais são desenhados num laptop, no quarto de dormir ou na garagem de alguém, quando não numa ilha do Pacífico, em questão de tempo relativamente curto e por pessoas eventualmente autodidatas e não necessariamente com apurada qualificação técnica – as cada vez mais espantosas startups. Essas figuras têm diante de si ao mesmo tempo o projeto, os esboços preliminares, a construção do protótipo, o banco de ensaios e a pesquisa de mercado para o produto. São os moldadores, fundidores e torneiros de novas ideias, novos conceitos. E se multiplicam rapidamente, acumulando sucesso e resultados expressivos em pouco tempo, muitas vezes sem qualquer capital.
No Brasil, atualmente 16 startups
alcançaram o status de unicórnio, ou seja, de empreendimentos que valem mais de
1 bilhão de dólares, sendo que o primeiro surgiu em 1998. E há outros tantos a
caminho do mesmo êxito, inclusive podendo partir de puro amadorismo. O conhecimento
tornou-se um capital expressivo, às vezes o único – imaterial, intangível e imensurável.
E para a transformação do conhecimento em produto já existirem investidores
para os quais a criatividade e o pioneirismo das startups representam aplicação de baixo risco e isento de crise.
Não existe solo mais fértil que o conhecimento para a
criatividade brotar e a solução se concretizar. As ferramentas de hoje são fórmulas
em formato de software que dão resposta a necessidades concretas e abstratas,
criando as próprias instrumentos físicas. São ferramentas invisíveis, mas com
poder de causar até profundas mudanças comportamentais – até culturais.
Cada conhecimento novo traz em si novas perguntas, cujas
respostas levam a novos conhecimentos. O conhecimento se reproduz em progressão
geométrica. Uma projeção ad infinitum
para startups e similares.
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