quarta-feira, 14 de abril de 2021

MEIs e Desemprego

 

MEIs e Desemprego

 

(“Individual Micro-Entrepreneurs and Unemployment” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Uma das áreas mais afetadas pela pandemia do covid-19 é, sem dúvida, o mercado de trabalho. Não necessariamente pelos efeitos patológicos diretos do vírus, mas pelas medidas restritivas no intuito da prevenção e da contenção da doença. É notório que tais medidas afetaram com bastante severidade alguns setores produtivos, de distribuição e de prestação de serviços. Especialmente empreendimentos econômica e financeiramente frágeis acabaram por encolher, ou até sucumbir.

Nesse contexto conjuntural, o aumento do desemprego é uma consequência direta. Em números concretos desenvolveu-se o seguinte quadro:  os 11,2% de desempregados (10,4 milhões) de dez. 2019 evoluíram para 14.6% (13,6 milhões) em dez. 2020 – aumento de 3,2 milhões de pessoas.

Porém, ao noticiar esses dados lamentáveis, outro fenômeno, igualmente importante e correlacionado, deixa de ser levado em consideração – o Microempreendedor Individual (MEI). Este trabalhador, de maneira geral, tem sua origem ocupacional no vínculo empregatício, ou no trabalho informal. Desde quando foi criado em 2011, a pessoa jurídica do MEI vem ganhando espaço no universo econômico e com boas razões é visto como a forma de trabalho do futuro. Uma das razões principais é o gradual fortalecimento do setor de serviços, contribuindo hoje com 70% no PIB e oferendo ótimas condições para esse regime de trabalho. As inúmeras oportunidades são preenchidas a partir da migração da mão-de-obra oriunda principalmente dos setores em processo de automação e robotização, mas fica praticamente vedada ao trabalhador sem qualificação.

No fim de 2019 havia um total de 9,4 milhões de MEIs registrados. Essa força de trabalho cresceu em significativos 20% ao longo de 2020 para 11,2 milhões de empreendimentos. Apenas no espaço de março – início da pandemia no Brasil – a dezembro de 2020 registrou-se um aumento de 1,3 milhão de novos CNPJs. Como são raros os casos de alguém entrar na vida profissional com a fundação de uma MEI, é lícito concluir que esses empreendedores vieram com o necessário conhecimento profissional de um anterior regime de vínculo empregatício, ou do trabalho informal. Além dos empreendimentos oficiais, muito provavelmente, outro contingente de mão-de-obra desempregada passou a engrossar um mercado de “MEIs informais”. Fato é, que futuramente não poderá haver análises do mercado de trabalho sem consideração da existência dos MEIs.

Com a devida atenção é possível observar uma intensificação no processo do empreendedorismo individual como consequência das condições impostas pela pandemia do covid-19. Por outro lado, esta realidade esvazia tentativas de agravar a situação de fato dramática do mercado de trabalho. Momentos de necessidade têm historicamente desafiado a coragem, a criatividade e os potenciais ocultos nas pessoas e não raro produzido resultados surpreendentes.

 


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