quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Adeus, Combustíveis Fosseis, Mas...

 

Adeus, Combustíveis Fosseis, Mas...

 

“Goodbye, Fossil Fuels, But...” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Há mais de um século, desde a invenção dos motores de combustão interna, o combustível fóssil a partir do petróleo tornou-se um produto de primeira ordem em todas as áreas do cotidiano. A humanidade depende tanto dele, que, hoje, numa eventual falta desse insumo, o mundo simplesmente pararia e entraria em colapso total. O transporte é aspecto indispensável na vida moderna. Sem ele não há deslocamento, não há abastecimento, além de muitos outros ‘não há’. O mundo em paralisia.

 

No entanto, são muito bem conhecidos os efeitos secundários causados desse produto na forma de poluentes potenciais. Por mais que possamos não gostar, ou nos recusemos a aceitar, as mudanças climáticas observadas e sofridas não deixam dúvidas. Talvez não sejamos responsáveis por todas as mudanças e sua gravidade, mas certamente temos nossa parte nisso.

 

E há consciência dessa problemática a bastante tempo tanto no mundo industrial quanto nos governos. Resultado disso é a busca incansável por opções energéticas alternativas – por sinal, bem-sucedida. Motores e outros agregados energéticos estão sendo desenvolvidos a partir dos mais diversos domínios tecnológicos. Alternativas nesse campo não faltam. O motor veicular elétrico, por exemplo, é uma realidade, só lhe falta economicidade, o que é normal em todos os projetos pioneiros e, mais cedo ou mais tarde será superada - ressalva feita para onde a energia para a carga elétrica é gerada a partir de recursos fosseis como carvão ou gás.

 

Já a geração energética a partir da cédula de hidrogênio, não apenas para fins automotivos, mas de aplicação ampla, garante sustentabilidade praticamente absoluta. E ela certamente sairá de seu estágio embrionário para o economicamente viável.

 

Há, no entanto, um efeito colateral. O refino do petróleo não permite manipulação na obtenção dos produtos resultantes. Assim, entre outros derivados, resultam 24% de gasolina do tipo automotivo, 4% de combustíveis de ebulição mais altos, como o de jato (querosene) representam, e o diesel com 21%. Os componentes altamente viscosos e sólidos, como o betume, perfazem 3,5%, lubrificantes 1,5%. Essas porcentagens são praticamente imexíveis.

 

É aí, que entra o ‘Mas ...’ na forma da pergunta: com a disponibilidade de energia sustentável substituindo o consumo de gasolina e óleo diesel, ou paramos a extração de petróleo por falta de mercado, ou continuaremos, porque precisamos de óleos lubrificantes e betume (asfalto)? Para óleos lubrificantes existem soluções sintéticas que, porém, requerem energia para sua produção e têm custo mais elevado. Para o betume não existe, no momento, tal recurso – não há betume sintético, e estradas revestidas com cimento não são solução ecológica ou economicamente favorável (estamos na eminência de escassez mundial de areia – a de deserto não serve para esse fim).

 

É um empasse sério, que, tudo indica, não tem acesso a manchetes. Precisamos lubrificar nossas máquinas e precisamos manter e incrementar nossa rede rodoviária (mesmo que o futuro prometa ferroviárias eletrificadas). O consumo anual médio de asfalto no Brasil é de 2 milhões de toneladas (fonte Petrobras). Para obter esta quantidade é preciso refinar paralelamente 14 milhões de toneladas de gasolina e outras 12 de óleo diesel – sem mercado nacional ou internacional no futuro.

 

É uma realidade em caráter mundial que, com o inevitável crescimento do consumo de energias alternativas e sustentáveis, ganhará crescente importância. E chegará o momento da necessidade (eventualmente urgente) de respostas. Resta uma esperança: a humanidade sempre encontrou saídas para seus problemas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um comentário:

  1. A humanidade sempre encontrou a solução para os maiores problemas que teve pela frente. Certamente não será diferente com a busca por fontes energéticas não poluentes.
    A dificildade atual refere-se ao tempo de pesquisa para obter uma solução ecológica e economicamente viável.
    Lembrando que é necessário contornar os interesses de alguns lobies com interesses financeiros especulativos.
    E vontade dos governos mundiais em implementar as necessárias mudanças.
    Pesquisas tecnológicas e ajustes nas políticas de preços dos combustíveis são fortemente influenciados por governos, muitas vezes sem o interesse por avanços na área.

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