Imortalidade, um Tema Imortal
(“Immortality, an
Immortal Subject“) - This
text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)
KIaus H. G. Rehfeldt
Você quer ser imortal?
Você quer, pelo menos, atingir o limite de 122 anos que os cientistas acham
possíveis alcançar numa combinação ótima dos mais de 120 genes que influem na
longevidade do homem? Quem sabe você possa, já que existem inúmeras pesquisas tentando
romper essa barreira – e outras eventuais mais adiante.
A
curiosidade pelo futuro sempre foi e continua sendo imensa e insaciável. Toda
nossa história de evoluções civilizatória e científica promete um futuro
fascinante e inimaginável. E isso despertar uma vontade imensa de estar
presente nesse futuro, de não perde-lo por uma morte ‘prematura’.
Diferentemente de épocas passadas de uma evolução sólida, mas muito lenta, não
houve gerações na história da humanidade que vivenciaram avanços tão rápidos e
vultosos em todas as áreas da vida como as últimas duas ou três. Assim, as
expectativas para o futuro são logicamente muito grandes.
Suponhamos
que somos os únicos entre todos os seres vivos que têm consciência de algum
futuro. Seja ele qual for, em todo futuro existe a certeza da finidade da vida.
E essa fatalidade assusta e causa medo. Esse medo, no entanto, parece mudar ao
longo da vida da pessoa. O que na juventude é percebido com pavor, na idade
avançada se apresenta com cada vez mais naturalidade e aceitação, às vezes
passa a ser almejado. Isso deixa deduzir que se trata um processo de
abrandamento, mesmo sabendo do desejo normal de uma vida mais longa possível. Talvez
seja esta a razão por que é difícil encontrar cientistas idosos envolvidos em
pesquisas buscando a extensão da duração de vida, ou, até a imortalidade.
Imortalidade,
um sonho da humanidade desde culturas da antiguidade. Mas um sonho que parece
ignorar que toda vida é finita, a vida de qualquer ser, bem como a vida de seus
componentes. Das nossas cerca de 37 milhões de células, algumas vivem poucos
dias, outras, vários anos para então ser substituídas por novas. Todavia,
descobertas científicas como, por exemplo, a enzima telomerase, que pode proteger os cromossomos do envelhecimento (ela pode fazer com que eles regenerem os
telômeros e, assim, prolongam a vida deles), ajudam alimentar esses devaneios.
De concreto, no entanto, nada. E até agora, nade se sabe sobre telomerase neuronal, ou algo parecido. Outrossim, o homem tem, no decorrer de sua existência,
conseguido tirar proveito de inúmeras leis da natureza, porém jamais conseguiu
alterá-las.
Mas, e se ...? Tal hipótese, obviamente, abre espaço para muitas e as
mais variadas especulações, como prós e contras da convivência inimaginável de
6 ou mais gerações. Entre elas haveria a dúvida sobre até onde uma extensão da
vida fisiológica seria acompanhada por um prolongamento das condições mentais.
Valeria a pena, por exemplo, uma vida sem passado, ou seja, uma idade
fisiológica de 200 anos com a memória apenas dos últimos 50, ou sua capacidade de memória se esgota nos primeiros 100 anos?
Outros aspectos consequentes são mais presumíveis. A questão mais previsível
é a demográfica. Vivemos nas últimas décadas um significativo aumento da
expectativa de vida que apenas não traz consequências maiores porque é compensado
pelo decréscimo de nascimentos. No entanto, essa mudança demográfica evidencia as
consequências de um contínuo prolongamento da vida da população (além dessa
compensação): mais alimentos, mais infraestruturas, mais habitações, mais
consumo de recursos naturais, mais necessidades básicas e outras nem tanto etc. sem uma
correspondente geração de renda e produção de riquezas, mesmo que a vida ativa das
pessoas se estenda em alguns anos.
Por outro lado, surge o problema do custo. Que parcela da população terá os recursos econômicos e financeiros para custear um programa terapêutico provavelmente contínuo e possivelmente dispendioso? Daí outra questão: teremos uma população dividida em duas classes: a dos longevos porque conseguem custear esse ‘privilégio’ e aquela dos mais pobres e proscrita a uma duração normal de vida? Pesquisas nessa direção podem render fama, muito dinheiro e, talvez, algum proveito colateral, mas, de resto, não resultarão em benefício geral para a humanidade.
Seja na esfera biológica, seja na proposta divina, a natureza exige sensíveis equilíbrios em todos os seus planos, e um dos fatores para garantir isso é a duração de permanência de cada espécie no ecosistema. A quebra desse equilíbrio por um dos membros desse conjunto pode ser fatal para outros, especialmente no caso do homem, o maior predador sobre a Terra.
Talvez o título deste texto devesse ser: "Imortalidade, a Fatalidade para a Humanidade".
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