quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Cradle to Cradle - Uma Economia Circular

 

‘Cradle to Cradle’ – Uma Economia Circular

(“Cradle to Cradle – A Circular Economy” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

KIaus H. G. Rehfeldt

 

‘Cradle to Cradle’ que, por si, não sugere qualquer coisa plausível, mesmo na tradução para o português, Berço para Berço, não é muito esclarecedor. Talvez uma tradução no sentido de “da Origem à Origem” chegue mais perto da ideia pretendida. O logo oficial do conceito é C2C.

 

Houve tempos, quando as pedras e a medeira de uma construção abandonada ou sucumbida eram usadas em novas construção, ferramentas, utensílios e peças de roupa gastos ganharam novas utilidades. As matérias primas eram poucas, eram caras e reaproveitadas até onde era possível. Os resíduos de uns, podiam ser úteis para outros.

 

Hoje, novos bens são produzidos com novas matérias-primas, causando novo desperdício, novas substâncias tóxicas e nova poluição ambiental. Produzimos, por exemplo, globalmente mais de 4,4 bilhões de toneladas de cimento por ano, jamais reaproveitáveis. Em 2019, foram fabricadas em todo o mundo cerca de 368 milhões de toneladas de plástico – hoje, a taxa de reciclagem desta quantidade é de apenas 14%, incluindo o chamado "downcycling", uma conversão para produtos de baixa qualidade. Vivemos a realidade econômica ‘cradle to grave’, ou seja, do berço ao túmulo. Entretanto, nosso planeta com sua natureza nos mostra outro modelo: os ciclos biológicos não deixam resíduos, nem desperdícios para trás. Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

 

A resposta chama-se ‘cradle to cradle’. Como o nome sugere, o princípio do C2C é fundamentalmente diferente: pensar em circuitos fechados. Não só o primeiro benefício de um bem deve ser o foco, mas também a reutilização das matérias-primas após o uso original. Recursos preciosos não são desperdiçados, mas reaproveitados. O princípio de ‘cradle to cradle’ também inclui a produção ambientalmente sustentável e o uso de energias renováveis. Dessa forma, os circuitos biológicos e técnicos fazem parte da ideia, cada um sendo um processo fechado. Componentes orgânicos de um produto são destinados ao composto e, portanto, ao ciclo normal da natureza. Os bens tecno de consumo são projetados de tal forma que podem ser reciclados de maneira sensata, por exemplo, através de processos químicos ou mecânicos. Para recuperar as matérias-primas, as empresas devem receber os produtos de volta para reuso em sua produção. Poderia se pensar nesse caso num sistema de depósito através de locação ou leasing de produtos, materiais ou componentes. A recuperação e reciclagem de materiais têm custo, mas este é muito menor do que aquele da extração e do beneficiamento.  

 

Implementada com sucesso, essa concepção não significa uma verdadeira revolução em nossos produtos – desde o design do produto, o processo produtivo e o uso até o retorno e reuso. Como resultado podemos esperar um mundo sem lixo. Um ciclo fechado perfeito – da origem ao benefício e de volta à origem

 

Inerente a toda inovação, o ‘cradle to cradle’ também enfrenta ceticismos, principalmente fundamentados em aspectos de custo ou em supostas inviabilidades. No entanto, custo inicial elevado é uma constante em praticamente todas as inovações, que é gradativamente resolvido com melhorias, aprimoramentos e inventos complementares. Por outro lado, inviabilidades desaparecem na medida em que a tecnologia avança passo a passo.

 

Já existe o assim chamado Cradle to Cradle Products Innovation Institute que certifica produtos C2C de acordo com normas e padrões estabelecidos. Apesar de todas as críticas, o ‘cradle to cradle’ encontra inúmeros parceiros na indústria que estão empenhados em implementá-lo. São fabricantes que desenvolvem roupas compostáveis, como camisetas, calças e babadores de bebê. Outros produtos nesse mercado incluem detergentes, cadeiras de escritório, tecidos de estofados, azulejos, tapetes, papel higiênico revestimentos de fachada e outros materiais de construção. Hoje já são centenas de fabricantes ao redor do mundo com milhares de produtos no mercado.     

 

Um exemplo: a holandesa Philips desenvolveu um televisor de acordo com os princípios C2C. No entanto, as vendas foram aparentemente limitadas devido ao preço. Mesmo assim, a Philips não abandonou o ‘cradle to cradle’. Seguirão novas iniciativas e a produção sob esses critérios de um dispositivo tão complexo mostra que o conceito também pode funcionar com produtos altamente técnicos.

 

O princípio C2C pode estimular o fechamento de ciclos e definir impulsos importantes, mas a viabilidade provavelmente só se provará a longo prazo. No "período de transição", o consumo consciente é uma contribuição necessária para o desenvolvimento sustentável.

 

Se hoje toda a população da Terra tivesse um padrão de consumo igual ao dos países mais desenvolvidos necessitaríamos de mais dois planetas iguais.

 

 

 

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