‘Cradle to Cradle’ – Uma Economia Circular
(“Cradle to Cradle – A Circular Economy”
- This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
KIaus H. G. Rehfeldt
‘Cradle
to Cradle’ que, por si, não sugere qualquer coisa plausível, mesmo na tradução
para o português, Berço para Berço, não é muito esclarecedor. Talvez uma
tradução no sentido de “da Origem à Origem” chegue mais perto da ideia
pretendida. O logo oficial do conceito é C2C.
Houve tempos, quando as pedras e a medeira de uma
construção abandonada ou sucumbida eram usadas em novas construção, ferramentas,
utensílios e peças de roupa gastos ganharam novas utilidades. As matérias
primas eram poucas, eram caras e reaproveitadas até onde era possível. Os
resíduos de uns, podiam ser úteis para outros.
Hoje, novos bens são produzidos com novas matérias-primas,
causando novo desperdício, novas substâncias tóxicas e nova poluição ambiental.
Produzimos, por exemplo, globalmente mais de 4,4 bilhões de toneladas de
cimento por ano, jamais reaproveitáveis. Em 2019, foram fabricadas em todo o
mundo cerca de 368 milhões de toneladas de plástico – hoje, a taxa de
reciclagem desta quantidade é de apenas 14%, incluindo o chamado
"downcycling", uma conversão para produtos de baixa qualidade.
Vivemos a realidade econômica ‘cradle to grave’, ou seja, do berço ao túmulo.
Entretanto, nosso planeta com sua natureza nos mostra outro modelo: os ciclos
biológicos não deixam resíduos, nem desperdícios para trás. Nada se cria, nada
se perde, tudo se transforma.
A resposta chama-se ‘cradle to cradle’. Como o nome sugere,
o princípio do C2C é fundamentalmente diferente: pensar em circuitos fechados.
Não só o primeiro benefício de um bem deve ser o foco, mas também a reutilização
das matérias-primas após o uso original. Recursos preciosos não são
desperdiçados, mas reaproveitados. O princípio de ‘cradle to cradle’ também
inclui a produção ambientalmente sustentável e o uso de energias renováveis.
Dessa forma, os circuitos biológicos e técnicos fazem parte da ideia, cada um
sendo um processo fechado. Componentes orgânicos de um produto são destinados
ao composto e, portanto, ao ciclo normal da natureza. Os bens tecno de consumo
são projetados de tal forma que podem ser reciclados de maneira sensata, por exemplo,
através de processos químicos ou mecânicos. Para recuperar as matérias-primas,
as empresas devem receber os produtos de volta para reuso em sua produção.
Poderia se pensar nesse caso num sistema de depósito através de locação ou
leasing de produtos, materiais ou componentes. A recuperação e reciclagem de
materiais têm custo, mas este é muito menor do que aquele da extração e do
beneficiamento.
Implementada com sucesso, essa concepção não significa uma verdadeira
revolução em nossos produtos – desde o design do produto, o processo produtivo
e o uso até o retorno e reuso. Como resultado podemos esperar um mundo sem
lixo. Um ciclo fechado perfeito – da origem ao benefício e de volta à origem
Inerente a toda inovação, o ‘cradle to cradle’ também enfrenta
ceticismos, principalmente fundamentados em aspectos de custo ou em supostas
inviabilidades. No entanto, custo inicial elevado é uma constante em
praticamente todas as inovações, que é gradativamente resolvido com melhorias,
aprimoramentos e inventos complementares. Por outro lado, inviabilidades
desaparecem na medida em que a tecnologia avança passo a passo.
Já existe o assim chamado Cradle to Cradle Products Innovation Institute que certifica produtos C2C de acordo
com normas e padrões estabelecidos. Apesar de todas as críticas, o ‘cradle to cradle’
encontra inúmeros parceiros na indústria que estão empenhados em implementá-lo.
São fabricantes que desenvolvem roupas compostáveis, como camisetas, calças e
babadores de bebê. Outros produtos nesse mercado incluem detergentes, cadeiras
de escritório, tecidos de estofados, azulejos, tapetes, papel higiênico
revestimentos de fachada e outros materiais de construção. Hoje já são centenas
de fabricantes ao redor do mundo com milhares de produtos no mercado.
Um exemplo: a holandesa Philips desenvolveu um televisor de
acordo com os princípios C2C. No entanto, as vendas foram aparentemente
limitadas devido ao preço. Mesmo assim, a Philips não abandonou o ‘cradle to cradle’.
Seguirão novas iniciativas e a produção sob esses critérios de um dispositivo
tão complexo mostra que o conceito também pode funcionar com produtos altamente
técnicos.
O princípio C2C pode estimular o fechamento de ciclos e
definir impulsos importantes, mas a viabilidade provavelmente só se provará a
longo prazo. No "período de transição", o consumo consciente é uma
contribuição necessária para o desenvolvimento sustentável.
Se hoje toda a população da Terra tivesse um padrão de
consumo igual ao dos países mais desenvolvidos necessitaríamos de mais dois
planetas iguais.
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