Idosos sobre Rodas.
(“Elderly on Wheels.” - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
Klaus H.
G. Rehfeldt
Idosos atrás do volante são uma realidade. E
são uma realidade amplamente aceita e praticamente não questionada por uma
razão simples: por mais que pudesse parecer, o idoso, de uma maneira geral, não
é um problema de trânsito. Prova disso é o fato de nunca ter sido estabelecido
uma idade máxima para a habilitação de conduzir veículos.
Como exemplo vale um estudo realizado pelo Detran
do Estado de São Paulo que comprova que o avanço da idade não representa um
obstáculo para que os motoristas com idades acima dos 60 anos mantenham vivo o
desejo de continuarem a dirigir. No período de junho de 2015 a junho de 2021 as
carteiras de habilitação registrado
na cidade de São Paulo para idosos aumentaram de 2,393 milhões para 3,474
milhões, um crescimento de 45%.
Uma razão para isso
reside na própria definição de idoso a partir dos 60 anos de idade. Boa parte
das pessoas acima de 60 anos de idade continua participando ativamente da vida
econômica, social, política e cultural da sociedade. Continuam as necessidades
do cotidiano, os compromissos, os lazeres – e continua a autonomia e a
mobilidade. Estatisticamente, as pessoas com mais de 60 anos não estão
envolvidas em acidentes acima da média. Como regra geral, eles dirigem com mais
cautela e rotina do que os usuários mais jovens das ruas e estradas,
compensando assim alguns déficits relacionados à idade. No entanto, os idosos com
idade avançada têm que lidar criticamente com sua própria capacidade de dirigir
repetidamente – e também considerar alternativas.
Decisivo para uma
participação livre de acidentes no trânsito não é a idade, mas o estado de
saúde do motorista, diz um estudo da Associação Alemã de Automóveis, ADAC. A
idade sozinha não faz um mau motorista. É por isso, a capacidade de dirigir não
pode ser negada de forma generalizada aos idosos. Eles muitas vezes têm
experiência suficiente para dirigir com previsão e adaptar seu estilo de
condução à respectiva situação de tráfego. O idoso, como em tudo, é um fator
moderador, leva o buzinaço de trás, mas segue seu estilo comedido, até
cauteloso.
Fato é, que é o idoso
quem mais precisa de rodas, sejam elas próprias ou públicas. É verdade que, com
a autonomia preservada, o idoso tende a optar pela independência de locomoção,
ou seja, as rodas próprias. Se nos limitarmos à população adulta brasileira,
redondo 20% da mesma situa-se em idades entre 60 e 90 anos, sendo muito
prováveis condutores de seus próprios veículos. Isso significa, que um em cada
cinco veículos, um deve estar sendo guiado por um motorista desse grupo.
Diferentemente de
muitos países, inclusive ocidentais, o Brasil se esmera a muito tempo por uma
clara preocupação e um proativismo bastante avançado em relação a seus idosos. Não
houve, no entanto, os necessários ajustes quantitativos que acompanhassem o
crescimento numérico desse grupo, como, por exemplo, a disponibilidade de vagas
de estacionamento nas vias públicas e em outros ambientes.
Neste mesmo contexto,
cabe um questionamento: numa expectativa de vida de 76 anos – continuando a
aumentar –, o cidadão ou a cidadã com 60 ou 65 anos pode ser considerado idoso?
Diferentemente de algumas gerações atrás, são hoje pessoas que participam
ativamente nos mais diversos setores da vida, até chegando a recusar-se de ser
tidos como idosos. Há necessidade de uma revisão desses parâmetros.
O que, todavia, não
muda é que o idoso continuará a ser mais saudável, mais bem informado, mais
disposto a ter parte no cotidiano e, dessa maneira, reivindicar sua autônomo e
sua presença na rua.
Problemas, ou não, o
veículo autônomo, que certamente virá, invalidará definitivamente estas
questões.
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