Neuromarketing – Quem Decide Sobre Minha Compra?
(“Neuromarketing
– Who Decides on My Buying?” - This
text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
A crescente
produção em massa de todo tipo de bens dos anos de 1950/60 exigiu na outra
ponta um correspondente consumo em massa. Ou, em outras palavras, o consumidor,
até então conservadoramente contido em suas aquisições precisou ser induzido a comprar.
Ao lado de um emergente mercado de publicidade surgiram as primeiras pesquisas
de mercado em busca de entender melhor o consumidor. A partir disso,
desenvolveram-se estratégias de marketing que se ajustassem ao comportamento do
consumidor com o intuito de estimular sua vontade de consumo. Chegou a haver
estudos sobre como o cliente percebe, absorve e reage durante os primeiros 10 segundos
de olhar uma propaganda. Tecnologias de marketing se sofisticaram e, sem dúvida
com sucessos, em pouco mais de 50 anos transformaram, sociedades de hábitos de
consumo extremamente controlados em outras de consumo desenfreado. O conceito e
a prática de ‘marketing’ tornam-se indispensáveis nos mercados.
Com o início do século XXI surge outa ferramenta visando
estimular o consumo. Pesquisas cerebrais mostram que o cliente consciente e
racional é uma ilusão. Em primeiro lugar, as decisões de compra são em grande
parte inconscientes e, em segundo, são sempre emocionais. Além disso,
neurocientistas descobrem que os sistemas de emoção e cognição mudam
consideravelmente ao longo de uma vida. Como resultado, os grupos-alvo diferem
não apenas de acordo com suas preferências e escolhas, mas também de acordo com
o sexo e a idade.
Nasce o neuromarketing como combinação de achados
neurocientíficos com mecanismos e práticas de mercado. Trata-se da questão de
como os processos de compra e de tomada de decisão ocorrem no cérebro e como
eles podem ser influenciados com a publicidade e técnicas de venda. A psique
humana – mesmo apenas parcialmente – desvendada através do neuromarketing ganha
enorme importância para as empresas – pois permite que medidas publicitárias
particularmente eficientes e que sejam perfeitamente adaptadas a cada
grupo-alvo sejam implementadas.
O neuromarketing baseia-se no pressuposto de que os
processos de tomada de decisões econômicas ocorrem em grande parte
inconscientemente. Assim, o cliente não age racionalmente ao decidir a favor ou
contra um produto, mas sob efeito emocional. Isso significa que o consumidor
não pode estar ciente de todos os fatores que influenciam uma decisão de
compra. Mas significa também que ele não pode fornecer informações válidas e
utilizáveis para fins de pesquisa de mercado. Assim, é complicado para as
empresas otimizar suas estratégias de vendas. Neste ponto, o neuromarketing procura
o acesso direto ao cérebro humano, a fim de obter informações sobre esses
processos inconscientes.
E o cliente? De maneira geral, o público desconhece
totalmente o fato de involuntariamente ser objeto de uma sondagem e consequente
manipulação de suas vontades e decisões – que antes de tudo, sua compra é
transformada num ato prazeroso. O resultado é que da intenção de comprar uma
geladeira com a melhor relação custo–benefício acaba resultando um modelo
altamente sofisticado e além das necessidades, além da aquisição de uma adega
climatizada. Um eventual arrependimento só surgirá depois da primeira noite.
Hoje, uma pessoa de classe média urbana pode facilmente possuir perto de 1.000
objetos, dos quais muitos nem são mais lembrados. Quando falamos de compra por
impulso, seria bom se perguntar de onde vem esse impulso, do comprador ou de
uma estratégia refinada e hightech de neuromarketing. Tudo isso pode soar
fantasioso, mas fato é que as emoções naturalmente envolvidas numa compra podem
facilmente colocar a percepção de efeitos luminosos, sonoros ou de odor com
atuação psicoativa num segundo plano.
Empresas de presença global, por exemplo nos mercados
automotivos ou de refrigerantes, veem perspectivas promissores nesse campo, o
que pode deixar o consumidor conhecedor dessa realidade sentir-se um tanto
desconfortável. No entanto, como a neurociência está longe de respostas
conclusivas, ninguém consegue hoje avaliar a profundidade e extensão dos
efeitos e resultados da aplicação prática do neuromarketing. Fica, todavia, um
alerta no sentido de o consumidor tomar consciência dessa realidade e, em sua
própria defesa, procurar previamente definir com clareza os parâmetros de sua
compra, sem espaço para eventuais manipulações. Assim, com certeza encontrará
entre seus pertences menos blusas ainda na embalagem original e menos
ferramentas que nunca chegou a usar. O cliente é rei, mas precisa ter cautela
para não passar a ser um vassalo de neuro-estratégias.
É fácil se reconhecer neste texto. Realmente temos muitos objetos que efetivamente muito pouco ou mesmo nunca utilizamos.
ResponderExcluirMas ainda há uma esperança, podemos aprender com nossos erros.
Assim espero.