segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Baixarias Não Elegem Ninguém

 

Baixaria Não Elege Ninguém.

(“Smear Campaigns Don’t Elect Anyone” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Nenhum candidato se elege, ele é, ou não, eleito pelo cidadão eleitor. Cabe ao candidato apresentar suas leituras da sociedade e do pais, suas propostas, seus planos e seus projetos. Na sequência, o eleitor faz sua escolha qual dos postulantes a um cargo público melhor atende às suas expectativas. Simples assim.

 

De país a país há diferenças, a maior delas sendo a obrigatoriedade, ou não do voto, ou, do contrário, o voto facultativo, este último caso sendo o mais comum. Diferentemente do voto obrigatório, no facultativo, o candidato precisa também motivar o eleitor a ir até a urna. Isso acrescenta um desafio adicional à campanha. Em outras palavras, o candidato merece, ou não, a disposição do eleitor de levantar-se da poltrona para ir votar. Dessa motivação certamente fazem parte uma postura civilizada e respeitosa tanto perante os eleitores, quanto seus adversários.

 

O resto é com o eleitor. Repetimos: nenhum candidato se elege, ele é, ou não, eleito pelo cidadão eleitor. Todavia, o eleitorado é composto de uma infinidade de combinações entre necessidades, esperanças e aspirações, e outra infinidade de visões e ideários para suprir ou satisfazê-las. Outra infinidade, a de graus de conhecimento e capacidade de discernimento completa essa complexidade.

 

Assim, um universo de incontáveis interesses, desejos e vontades convergem para um número bastante pequeno de candidatos com suas qualidades e capacidades naturalmente restritas, mas dispostos a atender seus votantes. E aqui acaba a teoria – e a ilusão.

 

Não que as estruturas ou esquemas eleitorais sejam falhos ou levantem dúvidas, os problemas residem nas pessoas, sejam eles os candidatos ou sejam os eleitores. Em última instância, toda eleição envolve a criação e homologação de poderosos, no sentido de pessoas com poder sobre os outros, e esse fato historicamente tem extravasado e desvirtuado atos, atitudes e comportamentos supostamente éticas e moralmente corretos.

 

Ao lado e em consequência disso, em lugar de avaliações e confrontos construtivos de concepções e projetos políticos para a sociedade ou o país observam-se desqualificações mútuas destrutivos entre os oponentes, assumidos e acompanhados por certa parcela dos eleitores simpatizantes. Nesse clima surgem ofensas, difamações, agressões e outros excessos que, aliás, em algumas sociedades levam diretamente a processos criminais. Com isso, aspectos pessoais, de presumidos a reais (ninguém é perfeito) ganham o primeiro plano nas campanhas eleitorais em detrimentos dos verdadeiros objetivos de uma campanha eleitoral – apresentar e comprometer-se com projetos necessários e viáveis. E uma distorção lamentável e nada enriquecedora de uma instituição democrática fundamental. Em claro prejuízo do voto racional.

 

Fica a pergunta: como corrigir esse desvio de propósitos tão nobres que, afinal, não é nada elogioso para toda uma coletividade. Em nenhum relacionamento interpessoal ou intergrupal, xingamentos, ofensas ou outras mais afrontas desprezíveis geram resultados positivos. Pelo contrário, geram conflitos, ódios e graves cisões. A mesma imaturidade cívica vale para as disputas políticas. No entanto, sendo o eleitor o ator principal e decisivo nesse cenário, a responsabilidade principal em qualquer processo corretivo, civilizatório e de democratização é ele mesmo.

 

Quem é privilegiado com instrução e formação mais aprimoradas, senso crítico mais apurado, postura pública positiva e outros atributos salutares, independente de concepções ou convicções políticas, religiosas e outras, tem uma grande responsabilidade civil: sem superioridade, servir de exemplo, de referência, de figura a ser imitada. Mas para isso é preciso sair do casulo de silencioso isolamento e se expor e se manifestar – apesar dos defeitos inerentes a todos temos – com o intuito de provocar reflexões, autoanálises e reposicionamentos de postura.

 

Todos nós medimo-nos nas imagens dos outros e de preferência em imagens fortes e positivas, sejam elas os pais, professores, profissionais, artistas, sacerdotes, atletas ou políticos. E essas imagens são substituíveis ao longo da vida. Todos nós podemos ser imagens de referência para alguém. Então, em vez de deixar nos arrastar para atitudes nada nobres, procuremos ser e construir imagens positivas. Eis, uma opção para um Brasil mais altivo.

 

 

 

       

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