Baixaria Não Elege Ninguém.
(“Smear Campaigns Don’t
Elect Anyone” - This text is
written in a way to ease comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Nenhum candidato se
elege, ele é, ou não, eleito pelo cidadão eleitor. Cabe ao candidato apresentar
suas leituras da sociedade e do pais, suas propostas, seus planos e seus
projetos. Na sequência, o eleitor faz sua escolha qual dos postulantes a um
cargo público melhor atende às suas expectativas. Simples assim.
De país a
país há diferenças, a maior delas sendo a obrigatoriedade, ou não do voto, ou, do
contrário, o voto facultativo, este último caso sendo o mais comum. Diferentemente
do voto obrigatório, no facultativo, o candidato precisa também motivar o
eleitor a ir até a urna. Isso acrescenta um desafio adicional à campanha. Em
outras palavras, o candidato merece, ou não, a disposição do eleitor de
levantar-se da poltrona para ir votar. Dessa motivação certamente fazem parte uma
postura civilizada e respeitosa tanto perante os eleitores, quanto seus
adversários.
O resto é
com o eleitor. Repetimos: nenhum candidato se elege, ele é, ou não, eleito pelo
cidadão eleitor. Todavia, o eleitorado é composto de uma infinidade de
combinações entre necessidades, esperanças e aspirações, e outra infinidade de
visões e ideários para suprir ou satisfazê-las. Outra infinidade, a de graus de
conhecimento e capacidade de discernimento completa essa complexidade.
Assim, um
universo de incontáveis interesses, desejos e vontades convergem para um número
bastante pequeno de candidatos com suas qualidades e capacidades naturalmente
restritas, mas dispostos a atender seus votantes. E aqui acaba a teoria – e a
ilusão.
Não que
as estruturas ou esquemas eleitorais sejam falhos ou levantem dúvidas, os
problemas residem nas pessoas, sejam eles os candidatos ou sejam os eleitores. Em
última instância, toda eleição envolve a criação e homologação de poderosos, no
sentido de pessoas com poder sobre os outros, e esse fato historicamente tem extravasado
e desvirtuado atos, atitudes e comportamentos supostamente éticas e moralmente
corretos.
Ao lado e
em consequência disso, em lugar de avaliações e confrontos construtivos de
concepções e projetos políticos para a sociedade ou o país observam-se desqualificações
mútuas destrutivos entre os oponentes, assumidos e acompanhados por certa
parcela dos eleitores simpatizantes. Nesse clima surgem ofensas, difamações,
agressões e outros excessos que, aliás, em algumas sociedades levam diretamente
a processos criminais. Com isso, aspectos pessoais, de presumidos a reais
(ninguém é perfeito) ganham o primeiro plano nas campanhas eleitorais em
detrimentos dos verdadeiros objetivos de uma campanha eleitoral – apresentar e
comprometer-se com projetos necessários e viáveis. E uma distorção lamentável e
nada enriquecedora de uma instituição democrática fundamental. Em claro prejuízo
do voto racional.
Fica a
pergunta: como corrigir esse desvio de propósitos tão nobres que, afinal, não é
nada elogioso para toda uma coletividade. Em nenhum relacionamento interpessoal
ou intergrupal, xingamentos, ofensas ou outras mais afrontas desprezíveis geram
resultados positivos. Pelo contrário, geram conflitos, ódios e graves cisões. A
mesma imaturidade cívica vale para as disputas políticas. No entanto, sendo o
eleitor o ator principal e decisivo nesse cenário, a responsabilidade principal
em qualquer processo corretivo, civilizatório e de democratização é ele mesmo.
Quem é
privilegiado com instrução e formação mais aprimoradas, senso crítico mais
apurado, postura pública positiva e outros atributos salutares, independente de
concepções ou convicções políticas, religiosas e outras, tem uma grande responsabilidade
civil: sem superioridade, servir de exemplo, de referência, de figura a ser
imitada. Mas para isso é preciso sair do casulo de silencioso isolamento e se
expor e se manifestar – apesar dos defeitos inerentes a todos temos – com o
intuito de provocar reflexões, autoanálises e reposicionamentos de postura.
Todos nós
medimo-nos nas imagens dos outros e de preferência em imagens fortes e
positivas, sejam elas os pais, professores, profissionais, artistas,
sacerdotes, atletas ou políticos. E essas imagens são substituíveis ao longo da
vida. Todos nós podemos ser imagens de referência para alguém. Então, em vez de deixar nos arrastar para atitudes nada nobres, procuremos
ser e construir imagens positivas. Eis, uma opção para um Brasil mais altivo.
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