sábado, 6 de abril de 2024

Fake News, a Indústria da Mentira

 

Fake News, a Indústria da Mentira

(“Fake News, the Industry of Lies” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A mentira faz parte do comportamento humano desde quando um indivíduo da espécie homo teve consciência do bem e do mal. Ela está presente no cotidiano seja na vida privada, nas atividades profissionais, ou seja, na política. Especialmente nessa última, a mentira grassa de maneira devastadora. Ao ponto de, em certa ocasião, o ministro de propaganda do Terceiro Reich, Josef Goebbels, afirmar publicamente que “uma mentira repetida por várias vezes acaba tornar-se uma verdade”; a história provou o contrário, e a verdade foi desastrosa.

 

Por mais absurda que seja, essa frase fez escola e tornou-se motivo para os mais diversos empenhos de atingir objetivos inalcançáveis, ou muito difíceis de ser conseguidos através da verdade. O que no plano interpessoal pode ser bastante espontâneo e inócuo, na área comercial e política são trabalhos altamente profissionais, muito bem direcionados e muito bem remunerados. São experts, muitas vezes sem quaisquer logos comerciais, cores políticas ou bandeiras nacionais, e sem vínculos ou compromisso com causas ou objetivos, verdades ou fake news (notícia falsa, notícia mentirosa, inverídica), que concebem, planejam e executam a divulgação de mensagens ou campanhas de desinformação e falsidades – eventualmente em âmbito global. Invólucros sensacionalistas e/ou catastrofistas ajudam na divulgação do material, hoje beneficiando-se das mídias sociais, para cujo acesso basta um telefone celular.

 

 

Por um lado, populações incautas e menos instruídas tendem a receber mensagens fake news sem restrições, nem perguntas. Os efeitos são essencialmente dois: o assunto é esquecido em menos de 24 horas, ou, se a memória for mais longa, os anúncios – mormente os bombásticos – acabam por não se concretizar e daí geram decepção ou frustração. Por outro lado, pessoas simpatizantes com o teor da notícia, não questionando se é fake news, ou não     são destinatários valiosos de informações influenciadoras, pois percebendo-se confirmados em suas convicções, costumam ser redistribuidores de mensagens, sem qualquer questionamento da veracidade – ou mesmo sabendo não ser. A credulidade alheia sempre foi o lucro dos espertos. De qualquer maneira, seja despertando ilusões, satisfações ou massagem de egos, ou seja, gerando desconfiança, incredulidade e angústia, os efeitos são, em geral, extremamente efêmeros.

 

Ainda poucas pessoas têm conhecimento sobre deep fake, ou seja, uma ferramenta de inteligência artificial que, bastando ter uma imagem da pessoa, coloca qualquer discurso em sua boca, com toda dinâmica facial – inclusive com sotaque estrangeiro -, sem que o receptor da mensagem perceba a fraude. Isso, aplicado na média social, torna-a totalmente inconfiável. Isso devolve a média social às suas origens, um meio recreativo descompromissado.

 

 

Hoje, sem dúvida, existem formas e maneiras de verificação da veracidade dessa ou daquela mensagem. A mesma tecnologia que beneficia a circulação de notícias permite verificar sua autenticidade. Basta um pouco de desempenho, sem qualquer grau de dificuldade. Isso significa que, qualquer cidadão consegue fazer qualquer sondagem ou busca de origem. Daí resultam dois “encaminhando” (aquele apócrifo esconderijo de autoria), o verdadeiro ou a fake news com seus respectivos autores. Obviamente, cada um tem o direito de defender suas causas e dispõe do arbítrio de como fazê-lo. Mas fica a pergunta: uma causa nobre precisa de fake news para sua divulgação?

 

Entretanto, as fake news, especialmente nas redes sociais, parecem estar com os dias contadas. Estamos na primeira infância da inteligência artificial (IA) e a mesma tecnologia usada na produção de fake news certamente não demorará de aparecer com um aplicativo que automática e instantaneamente fará a verificação da veracidade da mensagem. Restará a memória das imagens e fontes do mundo fake. Há mentira pública para o Bem?  

 

Afinal, causas nobres defendidas por fake News, no mínimo, perdem o brilho, em geral, sua autenticidade.   

 

Um comentário:

  1. Perfeito.
    As "populações incautas e menos instruídas" deveriam ser levadas a meditar sobre este assunto como, digamos, uma lição de casa.
    Mas o que na vida comum se observa é um alto grau de preguiça mental e uma inércia quanto a manutenção de valores morais e éticos.

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