sábado, 1 de junho de 2024

Estamos Prontos?

 

Estamos Prontos?

(“Are we ready?” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A mudança demográfica é um fato. Atualmente 41 (18%) dos 230 países do nosso planeta já apresentam redução populacional, entre eles, países populosos como Japão, Rússia e China. O Brasil, com um crescimento de ainda 0,5%, deverá entrar nesse grupo dentro dos próximos dez anos. Achar que se trata de um simples fato numérico seria leviano. Na verdade, nos espera uma inversão e revisão de uma série de fatos e fundamentos socioeconômicos.

 

É importante notar que os efeitos das mudanças demográficas só se tornarão perceptíveis a médio e longo prazo. Eles não se devem apenas ao nosso modo de vida pessoal, mas também a mudanças sistêmicas na sociedade e na economia. Considerando as mudanças demográficas globais em curso, estes efeitos são inevitáveis.

 

As consequências englobam mudanças profundas e duradouras que deverão prolongar-se, no mínimo, por várias gerações, décadas afora. Elas abrangem um vasto leque de áreas, incluindo a economia, a política social, a de saúde e do meio ambiente.

 

Na economia, um declínio da população pode afetar o mercado de trabalho, reduzindo o número de trabalhadores disponíveis, como já ocorre no Japão. Isso pode levar a uma escassez mão de obra qualificada e inibir o crescimento econômico de uma sociedade, salvo se o avanço tecnológico consiga compensar esse provável déficit nos processos industriais, comerciais e de serviços. Possivelmente haverá necessidade de mais linhas de produção robotizadas, mais comércios autônomos e mais serviços digitais.

 

Mais importante, porém, será uma queda geral de demanda por falta de consumidores, que implicará uma economia deflacionária, uma realidade absolutamente inusitada e difícil de imaginar a partir da nossa história econômica. O pensamento econômico – embora lentamente – terá de mudar radialmente.

 

Já na política social, o envelhecimento da população é fato central a ser levado em conta nessa realidade. Embora o crescimento populacional esteja em declínio, o aumento de expectativa de vida conduzirá a um aumento das despesas com o seguro social. Na verdade, o atual limite de capacidade produtiva aos 65 ou 67 anos já não corresponde mais ao homem, ou à mulher, médio atual. Na verdade, é a faixa etária quando a experiência profissional – e vivencial – faz a diferença. O alongamento da expectativa de vida não se restringe à velhice, mas a todas as fases da vida humana.   

 

Quanto aos cuidados de saúde, uma população idosa precisa de mais cuidados de saúde e cuidados, o que leva a um aumento da pressão sobre o sistema de saúde. Entretanto, uma mudança em curso, no sentido de uma maior concentração na saúde preventiva poderá atenuar esse problema a médio  prazo. A longo prazo, o foco deverá ser a saúde preventiva baseada no rastreamento genético, indicativo para possíveis quadros patológicos eventualmente possíveis de serem inibidos.

 

As mudanças demográficas também deverão ter um impacto sobre o meio ambiente, por exemplo, através de alterações na utilização dos solos e no consumo de recursos naturais. Menos gente consome menos recursos naturais, sejam eles de superfície, sejam de subsolo. Ao mesmo tempo, uma população menor gera menos resíduos, polui menos e viola a natureza em grau menor.

 

Outros desafios estão associados à transformação das estruturas familiares e ao declínio geral da população. Esses aspectos dizem respeito ao desenho da moradia, às necessidades educacionais e também à cultura e aos valores de identidade de uma sociedade.

 

Todos esses efeitos estão interligados e poderão influenciar uns aos outros. Eles exigem respostas coordenadas, sustentadas e de prazo mais curto possível para poder fazer face ao impacto das alterações demográficas e, ao mesmo tempo, manter a qualidade de vida de todos.

 

Não vivemos num mundo estático. Nossa vida, mais ainda a dos nossos descendentes, depende de nossa capacidade de avaliar o movimento presente, seus efeitos e suas projeções sobre o futuro, pois eles dependerão da qualidade e consciência de nossa presença e de nossas decisões.

 

Essas, sem dúvida, deverão ser nossas prioridades políticas para o vindouro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um comentário:

  1. Será que podemos esperar um mundo melhor? Não pra nós, mas que as gerações futuras aprendam a usar recursos naturais e encontrar felicidade sem destruição!!

    ResponderExcluir