segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Fake

 

Fake

(“Fake” - This text is written in a way to ease a comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A enganação não é privilégio da espécie humana. Encontramos a “mentira” em outros seres vivos de vários reinos da fauna e flora. Nesses casos, obviamente, não têm caráter maldoso, mas servem como estratégia da natureza para garantir a sobrevivência ou o sucesso reprodutivo da respectiva espécie.

 

No mundo do homo primitivo, certamente, as estratégias do uso de inverdades tiveram os mesmos objetivos. Com a evolução da vida em sociedade, competição e interações mais complexas tornaram a manipulação da verdade um instrumento cada vez mais conveniente e usado no convívio    para a solução de entraves e problemas, seja do cidadão, seja da liderança. É a mentira instrumentalizada em busca de vantagem ou de alcance de interesses. Sociedades de organização e constelação mais sofisticadas deram origem a enganações mais refinadas.  

 

Intenções de alcance e conservação do poder, político ou econômico, há séculos recorreram ao uso de falsas informações ou distorções da verdade na tentativa de enganar o público. A mentira chegou a ser institucionalizada quando Josef Goebels, ministro de propaganda de Hitler, declarou que “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Outra maneira da propaganda enganosa daquela época (sem mídia social) era a propaganda dirigida de cochicho: “Você sabia que...”, “Eu sobe de fonte segura que...”. Em momentos de conflito – de intrafamiliar a internacional – o maior perdedor sempre é a verdade.

 

Entretanto, o avanço dos padrões morais e éticos como resultado da evolução cultural sofreu um dramático revés com o surgimento das mídias sociais. Qualquer pessoa consegue, sem qualquer custo ou responsabilização, divulgar qualquer informação, verdadeira ou falsa, até mesmo sem se identificar. E, em geral, o palco de difusão dessas notícias tem caráter criminoso, ou político. Quando não são tentativas muito bem elaboradas com fins criminosos, são desinformações dirigidas de cunho político – mormente eleitoral – de lado a lado e ao redor do mundo. O recente uso da inteligência artificial no mundo fake agravou o problema, enriquecendo significativamente a ferramentaria digital, e o nível qualitativo e técnico da inverdade. E qualquer pessoa, por ingenuidade, interesse, ou maldade, pode replicar e repassar reiteradamente qualquer mensagem, com boas ou más intenções, tanto verdades, quanto mentiras.

 

O avanço tecnológico na área digital torna cada vez mais difícil identificar a autenticidade da mensagem. A sociedade passou a ser, por um lado, beneficiada com a imediatez da informação, por outro, vítima involuntária de um sistema de dualidade quanto a seu uso. Na verdade, existem meios e fontes bastante confiáveis que permitem verificar a veracidade de boa parte das mensagens colocadas na mídia social. Porém, a busca pela autenticidade, ou não, da informação requer algum empenho, ou, então, um elevado espírito crítico e analítico. Há inverdades evidentes, outras revelam sua intenção enganosa (“vai haver...”, “já está em curso...”) logo, basta deixar passar o prazo anunciado e verificar, outras são de complexidade tecnológica considerável. Por outro lado, o autor de mensagens enganosas ou ilusórias sabe que, na outra ponta há pessoas que buscam de um ‘colírio’, seja com respeito ao emprego, ao amor, ou à próxima safra. E não faltam artifícios que fazem mentiras parecer verdades.

 

Naturalmente, com destaque no espectro político, a fake news pode estar perfeitamente sintonizada com os desejos e as expectativas do destinatário da mensagem, e assim, mesmo inverídica, encontra aceitação, aprovação e eco. Afinal, a esperança faz parte de capacidade humana de lidar com o futuro.

 

Ao receber fake news, cada pessoa aplica seu arbítrio. Ela tornou-se parte de nosso cotidiano com os mais diversos efeitos sobre as pessoas, da apatia ao entusiasmo. Porém, para toda fake news há uma informação contrária. Diante disso, é bom lembrar Abraham Lincoln, quando diz: “Você pode enganar a todos por algum tempo, a alguns o tempo todo, mas não pode enganar a todos o tempo todo.”

 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Democracia 2.0

 

Democracia 2.0

 

(“Democracy 2.0” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A democracia surgiu na Atenas antiga de forma direta e restrita aos homens livres. Após séculos de eclipse, a partir do século XVIII, filósofos do Iluminismo (Locke, Montesquieu, Rousseau) criticaram o absolutismo e defenderam ideias democráticas fundamentais, como a soberania popular, os direitos naturais, o contrato social e a separação dos poderes, ideais posteriormente concretizados como resultados das revoluções das revoluções americana e francesa. Sem mexer na essência dos princípios democráticos, percebe-se uma contínua adaptação da operacionalidade do regime às transformações, às vezes profundas ou repentinas, políticas, sociais e econômicas das diversas sociedades.

 

O ideário democrático expandiu-se através da luta pelo sufrágio universal e consolidou-se após a Segunda Guerra Mundial em substituição dos regimes autocráticos até então existentes, com nova onda nas últimas décadas do século XX. Seguiram a ampliação do sufrágio, o surgimento dos partidos políticos e o fortalecimento das instituições democráticas. Por fim, o pós-Segunda Guerra Mundial levou a uma onda de democratização, especialmente na Europa Ocidental. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) estabeleceu padrões democráticos globais. Hoje, enfrenta desafios significativos, mas permanece um ideal e uma forma de governo amplamente aspirada, baseada na soberania popular, no respeito aos direitos fundamentais e na participação política.

 

Assim, entre recuos e avanços, chegamos aos modelos democráticos atuais, mesmo havendo um consenso sobre as enormes falhas e imperfeições da democracia moderna, com toda clareza sintetizado por Winston Churchill nas palavras “A democracia e a pior forma de governo, exceto todas as outras que foram tentadas”.

 

Entretanto, tudo indica que nos encontramos às portas de uma nova revolução: a democracia em tempos de Inteligência Artificial (IA). Embora essa ferramenta ainda se encontre em sua fase inicial e sem a mínima perspectiva de sua capacidade total e de seus limites, desde já coloca dados de enorme envergadura sobre realidades e necessidades nas mãos dos políticos, seja do poder executivo, seja do legislativo, lentamente invalidando conjecturas e hipóteses céticas, ou mermo de recusa. 6Todavia, desde já parece haver perspectivas promissoras na interação entre democracia e IA. Uma das maiores realizações a curto prazo deverá ser uma maior, mais direta, e mais eficiente comunicação entre os governos com suas instituições e o cidadão. Canais diretos entre o eleitor e seus representantes municipal, estadual e federal, ou seja, entre cidadão e estado, abrirão caminhos mais eficazes num regime participativo.

 

Por outro lado, ferramentas de IA poderão encurtar e assim tornar mais confiáveis os caminhos eleitorais, garantir mais insuspeição e fiabilidade aos atos políticos e do estado no próprio meio de administração pública, ao mesmo tempo proporcionando maior transparência e eficiência, e o simultâneo combate à desinformação desde a identificação de distorções e fake-news através de seus algoritmos, à radicalizações, não importa a coloração ideológica, tudo isso alimentando uma maior confiança nos valores democráticos e na validade do regime de livre participação do cidadão.

 

A lógica é simples: quanto mais informações disponibilizadas, mais fácil e mais acertadas as decisões. Vejamos um exemplo: A uma pergunta clara e um click, em segundos obtemos a situação e as respectivas recomendações prioritárias relativas ao ensino fundamental público nacional, dos estados individualizados e de municípios, como Blumenau, SC ou Araguainha, MT, identificando-se a enorme diversidade em realidades e resultados. Daí, impõe-se o questionamento sobre quantos políticos e administradores públicos conhecem esses dados de forma objetiva e sem coloração partidária. Evidentemente, esse recurso é aplicável a qualquer área do setor público e privado.

 

Na contramão, os mesmos recursos estarão disponíveis a quaisquer iniciativas antidemocráticas. Manobras de desinformação, demagogia e populismo com falsas ilusões e promessas disporão de todos os recursos de IA – facilmente acessíveis –, exigindo uma permanente vigilância, seja por parte dos regimes democráticos, seja pelo próprio cidadão.

 

Afinal, o principal agente no aperfeiçoamento da democracia é esse mesmo cidadão e cabe a ele a tarefa cívica de buscar as informações objetivas, boas ou más, disponíveis através da busca e concretização de uma vida de livre participação democrática, usufruindo seus valores e benefícios.        

 

 

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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Paridade de Poder de Compra, a Conversão Realista

 

Paridade de Poder de Compra, a Conversão Realista

(“Purchasing Power Parity, the Realistic Conversion” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A Paridade do Poder de Compra (PPC) é uma métrica de análise macroeconômica, usada para comparar a produtividade econômica e os padrões de vida entre países. Ela envolve uma fórmula econômica que, diferentemente da taxa de câmbio, compara as moedas de diferentes países por meio de uma abordagem de "cesta de bens e serviços". Ou seja, a PPC é a ‘taxa de câmbio’ pela qual a moeda de uma nação seria convertida em outra para comprar as mesmas quantidades dos mesmos produtos de um grande leque de bens e serviços, e não à base da costumeira taxa de câmbio bancário.

 

            Vejamos exemplos: O preço na média nacional de um apartamento de dois quartos nos Estado Unidos situa-se entre US$ 1.200 e 1.800, que, pelo câmbio atual, representa de R$ 6.800 a 10.800, o que não responde à realidade brasileira, ou seja uma conversão absolutamente irreal. E essa irrealidade, positiva ou negativa, encontramos com relação a todas as moedas estrangeiras, bem como entre as mesmas. Já o kg da banana custa na Inglaterra cerda de £ 2,00, o que corresponde a aproximadamente R$ 15,00, quando no Brasil custa algo em redor de R$ 7,00. Em outro caso, uma camiseta simples tem preço aproximado de ¥ 50,00 na China perfazendo R$ 40,00, já na Alemanha (quando ‘Made in Germany’) custa a partir de cerca € 15,00, o equivalente a R$ 95,00.

 

Surpreende a distância entre os preços – e o custo de vida – entre os diferentes países. Isso mostra, que a taxa de câmbio convencional não consegue espelhar as realidades econômicas distintas dos mesmos. A solução encontrada, a PPC, envolve uma teoria econômica que compara as moedas de diferentes países por meio de uma abordagem por meio de fatores determinantes de cada conjuntura econômica.

 

Em palavras simples, uma Paridade do Poder de Compra entre duas economias seria igual 1 se seu poder econômico fosse exatamente o mesmo, isso é, você pode comprar a mesma cesta de bens pelo mesmo valor monetário. Entretanto, o que não ocorre na realidade. Daí os países considerados ‘caros’, ou ‘baratos’.

 

Imaginemos então que um confeiteiro norte-americano com um ganho mensal de $ 6,000 e seu colega alemão, com a renda de € 8.000,00, sabendo que o câmbio de uma moeda costuma variar abaixo de 1,10 para 1,00. Ao comprar 5 sacos de açúcar de 60 kg ao preço de $ 60,00 por saca, o americano gasta um total de $ 300,00, ou seja, 5% de seu ganho. Já o confeiteiro alemão paga € 120,00 por saca de açúcar isso é, € 600,00 por saca, correspondendo a 7,5% de seu ganho. Portanto, embora o confeiteiro alemão tenha um ganho 33% maior que se colega americano, no caso específico do produto em foco (possivelmente também de outros) tem uma despesa 50% maior.

 

Cabe aqui uma referência ao assim chamado Índice Big Mac. Este indicador compara o poder de compra de diferentes moedas para a compra de um Big Mac e é uma maneira fácil de mostrar a subvalorização ou supervalorização de moedas nacionais. A razão para isso é que o hambúrguer tem exatamente os mesmos ingredientes e técnicas de produção em todos os países e, portanto, é o produto de comparação ideal.   

 

Percebe-se então, claramente, que há uma diferença fundamental entre taxa de câmbio – transações especulativas e de comércio internacional – e Paridade de Poder de Compra – um mecanismo de comparação de realidades econômicas. O exemplo acima situa-se no plano retalhista e varejista, porém, como vimos, o objetivo maior visa sua projeção para o nível conjuntural do Produto Nacional Bruto (PIB), buscando uma comparação entre países e suas economias. E nessa dimensão encontramos surpresas. A China lidera o ranking mundial com 19,29% do PIB global em PPC, seguida pelos Estados Unidos (14,84%) e Índia (8,49%). Para ter outros exemplos, o Brasil ocupa a 8ª posição, representando 2,39% do total, enquanto a Indonésia, que se juntou recentemente ao bloco dos BRICS, aparece em 7º lugar (2,44%).

 

Finalmente cabe ver algumas conversões de moedas por PPC, em comparação com a taxa de câmbio. Assim, enquanto a taxa do Real para o US dólar se situa em torno de R$ 5,70, a PPC é de apenas R$ 3,36, ou seja, 41% a menos. Na relação do o USD para Euro, observamos menos 26%. Já em relação ao Franco Suíço, esse apresenta supervalorização de 17% sobre o USD.

 

O futuro e a relevância contínua da Paridade do Poder de Compra (PPC) reside em sua capacidade de fornecer uma comparação da produção econômica real e dos padrões de vida entre os países mais precisa do que as taxas de câmbio convencionais, particularmente na avaliação do tamanho econômico e do bem-estar entre as nações. Embora a sua aplicação não seja isenta de limitações, as PPP continuam a ser essenciais para compreender as verdadeiras diferenças entre as diferentes ecpnomias, especialmente entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento.

 

Será que um dia não haverá mais países caros e baratos?

 

 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras

 

Cavernas Século XXI, ou Arranha-Terras.

(“XXI Century Caves, or Earth-Scrapers” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Igual a outras mudanças radicais e a redefinições, a construção civil e a arquitetura têm sofrido profundas revisões em suas concepções de moradia e local de trabalho – obviamente seguindo novas realidades econômicas e demográficas. Depois de uma longa cultura de edificações de um, ou poucos andares, surgiram nos Estados Unidos as primeiras respostas a um tradicionalismo vencido por novas necessidades econômicas e avanços tecnológicos. Assim, num mundo de edificações urbanas de baixa estrutura, na cidade de Chicago, foi construído em 1885 o Home Insurance Building com espantosos 10 andares e 42 metros de altura, substituindo prédios antigos de madeira que tinham sido destruídos por um incêndio.

 

Daí em diante, o céu passou a ser o limite. Outros edifícios, chamados de arranha-céus, foram erguidos como resposta a demandas de modernismo e r4acionalização de espaço urbano. A verticalização das cidades é uma tendência crescente e que conta com diversos avanços tecnológicos, hoje os arranha-céus atingindo facilmente Altura de 40 andares, chegando a quase loucuras de perto de 1.000 metros de altura. As estruturas de aço, inicialmente utilizadas, foram substituídas por outras de concreto armado. Recentemente despontaram prédios estruturados quase exclusivamente em madeira, chegando a mais de 80 metros de altura, como o Mjøstårnet, Trontheim, Noruega, e o HoHo, Viena, Áustria.

 

De repente, uma surpresa, a inversão para baixo. Na verdade, o homem conhece a moradia total ou parcialmente enterrada desde tempos remotos, quando populações de regiões frias, por exemplo, na América do Norte, Groenlândia e Islândia, viviam em moradias dessas modalidades, cobertas por terra e vegetação como forma de proteção contra o frio. Existe um exemplo na Austrália, mas contra o calor. Outro exemplo são as centenas de cidades subterrâneas na atual Turquia (Derinkuyu é uma delas) com até 18 andares de profundidade, sistemas de ventilação e até estimados 50.000 habitantes, existindo (abandonados) há aproximadamente 4.000 anos.  

 

Portanto, a ideia da moradia subterrânea não é novidade. Entretanto, a versão 2000 de edificações subterrâneas, possui parâmetros totalmente diferentes. São os assim chamados ‘arranha-terras’. Sim, eles existem. São arranha-céus ‘de cabeça para baixo’. Eles chegaram para revolucionar a arquitetura. Com um conceito inovador, procuram otimizar espaços urbanos saturadas, liberar superfícies naturais e intencionam enfrentar os desafios climáticos e ambientais do futuro. Suas estruturas se estendem por vários níveis subterrâneos. Mas não faltaram enormes desafios, tais como iluminação, ventilação, humidade, drenagem e custos de construção, mas também intangíveis como a adequação psicológica.

 

Fato é, que já existem. Os invernos canadenses são rigorosos - o que pode explicar a afinidade dos canadenses com os bairros subterrâneos de Toronto. Em Montreal existe um sistema de túneis de 30 quilômetros, com várias centenas de lojas e restaurantes. O projeto é conhecido como Cidade Subterrânea, ou Ville Souterrain (Vila Subterrânea), uma paisagem urbana subterrânea, apelidada simplesmente de " a rede".

 

Na década de 1970, Mao Zedong mandou construir Dixià Chéng em Pequim. O sistema de túneis e bunkers de 85 quilômetros quadrados deveria fornecer proteção para seis milhões de pessoas no caso de uma guerra nuclear com a Rússia. Abriga escolas, lojas, cabeleireiros, restaurantes, armazéns – simplesmente tudo o que compõe uma estrutura urbana. No entanto, os quartos não se destinavam a uma habitação permanente. A guerra nuclear não se materializou e, após a abertura econômica da China, Pequim cresceu para cerca de 21 milhões de habitantes. Por outro lado, as moradias para a população pobre estão se tornando cada vez mais escassas. Assim, em caráter de adaptação, o Ministério da Defesa entregou as instalações de proteção nas mãos de proprietários privados, que as alugam para trabalhadores migrantes e estudantes. Assim, a também chamada "Cidade Nuclear” oferece um teto para cerca de um milhão de pessoas. Estranhos não têm acesso ali, as entradas são estritamente vigiadas.

 

O InterContinental Shanghai Wonderland é o primeiro hotel "arranha-terra" do mundo, construído em uma pedreira abandonada. O hotel cinco estrelas tem 88 metros de profundidade e possui as mais diversas atrações, como aquários, uma queda d’água para dentro de uma piscina, parede de escalação e suítes submersas, entre outros. Ele possui 336 apartamentos distribuídos sobre 18 andares, e levou 12 anos para ficar pronto, e durante o processo foram patenteados 12 métodos únicos em construção civil.

 

Ao lado dessas de outras obras já existentes, numerosos projetos encontram-se nas pranchetas, como a pirâmide subterrânea invertida “BNKR” da Cidade do México, com profundidade de 65 andares. Em Cingapura, uma Cidade da Ciência para 4000 cientistas está sendo planejada no subsolo, onde os canteiros de obras são particularmente raros naquela cidade-estado.

 

Não devemos esperar que futuramente esse tipo de construção passe a ser um novo padrão, mas, com certeza, ele será uma opção quando sabemos que em futuro não muito distante, de cada três habitantes da Terra, dois viverão em ambientes urbanos, muitas vezes de uma crescente escassez de espaço e falta de superfície não edificada.

 

O meio ambiente agradecerá. 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 5 de março de 2025

A Mudança Energética

 

A Mudança Energética

(*The Energy Change”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

 

A partir de certo momento na evolução da espécie homo, a força corporal do indivíduo não bastava mais para atender às necessidades existenciais, cada vez mais demandantes de energia. Ao longo de milênios, o homem aprendeu a dispor de energia extracorporal fornecida por animais domesticados, pelo vento para acionar velas e moinhos e pela água, tocando artefatos. Apesar de novas ferramentas, do arado à bigorna e de ferramentas de corte, a energia disponível era aquela de que o homem dispunha, intelectual e fisicamente,

 

A maior revolução até então veiou com a máquina de vapor, utilizada em terra e no mar. Em seguida a energia elétrica gerada em usinas termoelétricas, uma vez que nem sempre a natureza oferece condições hídricas favoráveis. Depois entrou em cena o petróleo, acionando milhões de motores de combustão interna. A humanidade passou a utilizar energia a partir de recursos naturais, através do calor gerado pela decomposição de matéria, seja lenha, seja carvão, petróleo ou similares. Entretanto, a natureza disponibiliza, mas cobra. Lamentavelmente levou décadas para que essa cobrança fosse percebida em toda sua severidade.

 

A princípio, de renovável mesmo, somente a energia eólica de aplicação muito restrita e a energia hídrica – já servindo ao homem por mais de 5.000 anos. Mas lentamente começou a surgiu um repensar sobre os recursos energéticos modernos. Com o avanço da Revolução Industrial, a energia hidrelétrica foi um dos pilares mais importantes da produção energética; as primeiras turbinas geradoras de eletricidade foram desenvolvidas em meados do século 19. Hoje, participando com 14,3% (4.210 TWh) é a maior variante de energia renovável disponível. (As energias fósseis perfazem hoje ainda 70,6% - 23.574 TWh – do total de energia gerada ao redor do globo).

 

As primeiras células fotovoltaicas foram usadas em 1958 na missão do satélite americano Vanguard. No entanto, levaria quase 20 anos até que sistemas terrestres fossem instalados. Em 1976, o governo australiano decidiu equipar a rede de telecomunicações do interior do país com células solares para carregar as baterias ali instaladas. Apenas a partir de 1990 iniciaram-se modestos programas oficiais de mini-unidades fotovoltaicas, como, por exemplo, o dos mil telhados na Alemanha, ou o de 70.000 telhados no Japão. A tecnologia foi aprimorada e, embora possamos não ter a percepção da sua dimensão, a energia fotovoltaica contribui hoje com 5,5% (1.631 TWh) para o mix energético mundial.

 

As primeiras tentativas de gerar eletricidade com turbinas eólicas foram feitas já no final do século 19. Nas décadas de 1930/40, os primeiros testes bem-sucedidos com turbinas eólicas foram realizados nos EUA e na Alemanha, mas sem aplicação imediata. A primeira turbina que alimentou com sucesso a rede elétrica por um longo período de tempo foi a turbina eólica Gedser na Dinamarca. Essa modalidade energética tornou-se mais visível com suas grandes estruturas distribuídas pela paisagem, por isso sendo inicialmente muito criticadas pelos ecologistas. Mas, essa modalidade energética provou sua validade, em terra e off-shore, hoje gerando 6,9% (2.304 TWh) do total de energia gerada no mundo.

 

Energia proveniente de biomassa começou a ser gerada em escala bastante reduzida a partir dos anos de 1950, mas somente em fins do século XX, essa forma de energia ganhou expressividade, seja na forma de biogás, de álcool ou outros produtos de menor expressão. Mesmo assim, essa energia representa 2,4% (697 TWh) do total energético.

 

Onde situam-se hoje as maiores produções das diversas modalidades de energia renovável? Os maiores geradores de energia hídrica são Austrália, China, Colômbia e Nigéria; de energia eólica, China e EUA; de energia fotovoltaica, China (com 63% do total mundial dessa modalidade); e de biomassa, China, Japão, Brasil e Uruguai.

 

Indubitavelmente, os recursos energéticos renováveis assumiram um papel importante na economia energética mundial. Assim, em 2024, a energia eólica e solar juntas geraram mais eletricidade do que a energia hidrelétrica. Já em 2025, o conjunto das energias renováveis ultrapassará o carvão e se tornará a maior fonte de geração de eletricidade. E em 2028, as fontes de energia renováveis deverão responsáveis por mais de 42% da geração global de eletricidade, com a eólica e a fotovoltaica dobrando para 25% da capacidade total. Finalmente, para o período de 2025 a 2029, espera-se um crescimento médio anual de 4,22%, em, busca da meta de que em 2030 se consiga alcançar um equilíbrio entre energias fósseis e renováveis.

 

O planeta agradecerá.

 

 

 

 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Chove Chuva...

 

“Chove Chuva ...”

 

(“Rain Drops Are Falling on my Head...” - This text is written in a way to ease

prehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não haveria vida em nosso planeta sem a permanente circulação da água,

continuamente passando pelos ciclos de evaporação e precipitação. Entretanto, a

intensidade desses fenômenos naturais não é constante. Trata-se de fenômenos

naturais que, apesar de parecerem aleatórios, obedecem à rígidas lei físicas.

Em princípio, a evaporação se dá em decorrência do aquecimento da água de

rios, lagos e mares, quando átomos ou moléculas no estado líquido ganham energia

suficiente para passar ao estado gasoso, misturando-se à atmosfera. Paralelamente,

existe a evaporação parcial ou total da água consumida pela fauna e flora,

significativamente menor, mas ainda expressiva quando consideramos que uma

árvore adulta da floresta amazônica pode evaporar até 1.000 litros por dia (vide texto

“Os Rios Flutuantes” no mesmo blog).

 

O ciclo da água se completa com a precipitação da água evaporada e contida

na atmosfera em forma d chuva, granizo ou neve. Como sabemos não se trata de

um fenômeno contínuo, mas episódico, ou seja, em determinadas condições a

atmosfera descarrega a água em forma de vapor de água e condensada nas

nuvens.

 

Entretanto é preciso observar que os diversos tipos de nuvens causam

nenhuma, ou diferentes tipos de precipitação. Assim, nuvens altas entre 6.000 e

13.000 m de altura (nuvens cirrus) não provocam chuvas, apenas são sinais de

mudanças de tempo. Já as nuvens de média altura, isso é, 2.000 a 6.000 m

(altostratus e altocumulus), são nuvens que produzem chuvas de pouca intensidade,

mas prolongadas. Há ainda as nuvens de baixa altura, até 2.000 m (diversos tipos

de stratus), cujas precipitações podem variar entre garoa a chuva moderada a forte

e contínua, ou neve; associadas a sistemas frontais, isso é, e grande extensão. Por

fim, temos as nuvens chamadas de desenvolvimento vertical (cumulus e

cumulonimbus), que costumam causar chuvas intensas (trovoadas, granizo, e

chuvas torrenciais) e podem causar tempestades severas.

 

Aqui impõe-se a pergunta: quanta água está contida numa nuvem? Base para

essa resposta é saber a capacidade máxima de vapor d’água no ar com humidade

de saturação (100%). Essa capacidade varia de acordo com a temperatura do ar,

variando de 9,4 g/m 3 a 10º C para 30,4 g/m 3 a 30º C, e para 51,1 g/m 3 a 40º C, ou

seja, nessa faixa entre 10 o C e 40 o C, essa capacidade aumenta em espantosos

540%.

 

Ao focar o volume de água contida nos dois tipos de nuvem mais comum com

relação às precipitações, temos as nuvens stratocumulos (chuvas moderadas e

prolongadas) e cumulonimbus (chuva intensa, tempestade).

Uma nuvem stratocumulus retém dezenas a centenas de toneladas de água,

mas sua precipitação é mínima devido à distribuição de gotículas e à estabilidade

 

atmosférica típica dessas nuvens. Suas precipitações podem ocorrer em qualquer

época do ano. E a cada variação positiva de 5º C, a capacidade de retenção de

água aumenta de 40 a 50%, isso é, elas tendem a ser mais volumosas e

prolongadas no verão do que no inverno.

 

No caso das cumulonimbus, uma nuvem típico pode se estender um volume

de 1 a 10 quilômetros cúbicos (1 km³ = 1 bilhão de metros cúbicos). Nuvens

maiores, como as supercélulas, podem ultrapassar 15 km de altura e ter volumes

ainda maiores. Por outro lado, a capacidade de retenção de água varia de 1 a 3

gramas por metro cúbico (g/m³). Dessa maneira, uma nuvem média desse tipo

contém aproximadamente 500.000 a 1 milhão de toneladas de água. Essa variação

depende do tamanho da nuvem e da densidade de água em seu interior. Para

referência, 1 milhão de toneladas equivale a cerca de 1 bilhão de litros de água.

 

Semelhante ao caso das nuvens stratocumulus, para cada aumento de 1°C, a

capacidade de reter vapor de água de uma cumulonimbus cresce aproximadamente

6–7%. Isso significa que com uma variação de 5º C (nada incomum em tempos de

verão), de 675.000 a 1.350.000 toneladas de chuva a mais sobre os valores acima

podem contribuir para encharcar o solo ou elevar inundações já existentes. Ao lado

disso, movimentações atmosféricas com temperaturas mais elevadas concentram

mais energia, resultando em dinâmicas mais intensas na forma de ventos mais fortes

e mais velozes.

 

Até aqui, a teoria. A prática podemos observar nos noticiários ao redor do

globo. Não há como negar que ao longo dos últimos anos tivemos temperaturas

gradativamente mais brandas no inverno e sempre mais elevadas no verão.

Portanto, se essa tendência continuar, devemos contar com cada vez maior número,

e cada vez mais severas enchentes no futuro. Um agravante dessa realidade é que

um aumento médio de temperaturas causa picos positivos desproporcionalmente

maiores e, negativos, menores.

 

Resultado: se conhecemos as causas dessa elevação das temperaturas, urge

reagir, se não as conhecemos – é o excesso de CO2? o CO2 é apenas parte do

prolema? ... –, está na hora de procurar compreendê-las. O que não podemos é

ignorar ou negar a realidade em mutação.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Nadando em Energia

 

Nadando em Energia 

(“Energy Revelry” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Não há vida sem energia. E não falamos da energia gravitacional onipresente quando matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias (I. Newton). Falamos da energia gerada por todos os corpos vivos, seja da flora, seja da fauna, da energia que permite aos micro-organismos movimentar-se nos oceanos, a trepadeira subindo o pé de árvore ou o lobo caçando na floresta. Mas também do homem que malha o ferro em brasa, que semeia o trigo ou que projeta uma exploração espacial.

 

Desde seus primórdios, o homem tentou direcionar suas energias a algo que facilitasse sua vida. Fosse na construção de abrigo, na produção de ferramentas e armas, o homem acabou por descobrir formas e instrumentos que lhe permitissem usar seu potencial energético de maneira mais eficiente. Afinal, ele só podia contar com a energia de seu próprio corpo, na melhor das hipóteses em cooperação com outros indivíduos.

 

Surgem daí algumas ferramentas rudimentares, da limpeza da terra à semeadura e à colheita, às vezes incluindo a criação e operação de sistemas de irrigação. Isso requeria que toda a família trabalhasse, as vezes duramente, para alcançar o sustento necessário. A primeira utilização de energia alheia resultou da domesticação de alguns animais, especialmente dos bovinos.

 

Nem sempre instrumentos e armas serviam apenas para fins pacíficos. A subjugação de outras sociedades por meios belicosos, visando a apropriação de bens alheios não era incomum. E esses bens alheios incluíam a própria energia humana dos vencidos, transformando-os em escravos. Com isso, o potencial energético de um povo podia aumentar expressivamente. Em tempos mais recentes, a população escrava do Império Romano era de cerca de cinco milhões de pessoas, o que correspondia a 10-15% da população total. Os escravos eram usados principalmente na agricultura e nas minas, mas também havia escravos que trabalhavam como médicos ou arquitetos.

 

A moral cristã da idade média causou um retorno, quando a disponibilidade da energia corporal voltou a predominar, entretanto assistida pela força animal, seja no campo, seja na circulação produtos, e pelo aproveitamento da força da água e do vento para moer grãos e executar outras tarefas.

 

Então chegou a revolução energética e industrial. Máquinas a vapor tocaram processos produtivos, seja de extração de matéria prima, seja de transformação de materiais em produtos e da circulação dos mesmos. Gradualmente, ao longo de dois séculos de industrialização e explosão tecnológica desenvolveram-se para atingir a realidade atual.

 

Qual é essa realidade especificamente no caso brasileiro. Em 2023, o consumo de energia elétrica no Brasil foi de 532 TWh, ou seja, 532 trilhões de quilowatt/hora (kWh). Isso significa que cada brasileiro consome hoje, direta ou indiretamente, 2.570 milhões de kWh ao longo do ano, ou seja, 7.041 kWh por dia. Isso é muito? Não quando vemos um consumo 5,1 vezes maior nos Estados Unidos, e 2,5 vezes maior na China.   

 

O ‘indiretamente’ significa a produção de todos os bens e serviços extraídos, transformados e fabricados, que são consumidos por pessoa, ou habitante brasileiro, num amplo leque que vai da elaboração da matéria prima e a fabricação da colhedeira, do caminhão ou do automóvel, a produção e do consumo de energia da geladeira e lavadora de roupa ao carregador só telefone celular – do alfi8nete ao transatlântico. Entram nessa conta o secador de arroz, a câmera fria do frigorífico, o forno do padeiro e muitos mais. Agora, pensando que o corpo humano gera e consome por dia de cerca de 2,5 kWh para suas funções básicas e atividades normais, esses 7.041 kWh consumidos por habitante correspondem à energia corporal gerada e consumida por 2.816 pessoas.

 

Mas, embora em montantes bem menores, mas com preços muito mais expressivos, ainda falta a energia de origem fóssil. O Brasil consome cerca de 400 milhões de litros de derivados de petróleo por dia, o que corresponde a um consumo de 1.200 milhões de kWh que, distribuídos sobre 207 milhões de brasileiros, resultando num consumo, direto e indireto, de 5,8 kWh/dia por pessoa. Isso pode parecer pouco, mas é preciso lembrar que a frota de veículos partículas movimenta-se em apenas cerca de 6 por cento de seu tempo de vida.

 

Quanto ao consumo de gás GLP, são 90 milhões de metros cúbicos por dia, correspondendo a 2,5 bilhões de kWh, ou seja, 10,9 kWh/dia por pessoa.

 

Somando tudo, encontramos um consumo de 7.058 kWh por dia por pessoa, reduzidos à capacidade energética do ser humanos igualando a energia gerada por 2.823 pessoa. São 2.823 escravos sintéticos a serviço de cada brasileiro, ou seja, para gerar essa disponibilidade energética apenas com a força corporal, haveria necessidade de uma população brasileira de cerca de 584 bilhões de habitantes.

 

Nadamos em energia.

 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O Planeta que Poderíamos Precisar

 

O Planeta que Poderíamos Precisar

 

(“The Planet We Could Need” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desconhecemos quantos planetas existem no universo, nem do que são feitos – mas são milhões. Diante disso, a pergunta se existe outro planeta igual à nossa Terra não quer calar. E muito provavelmente jamais será respondida. Semelhante não serve, tem que ser praticamente igual. E veremos porquê.

 

A começar, o tamanho desse planeta não deveria ser muito diferente da Terra. Do contrário, todos os seres vivos teriam sérios problemas de gravidade excessivamente forte ou fraca.

 

A meses, décadas, anos luz de distância precisamos de uma flora e fauna, da qual faríamos parte, minimamente compatível com nossas necessidades básicas, e que possam nos suprir de proteínas, vitaminas e sais minerais. Mas isso exige certas condições indispensáveis, ou, pelo menos, suficientemente disponíveis.

 

A primeira preocupação quanto às condições mínimas para a existência humana é a presença de água. Entretanto, água não é igual a água. Conforme a química do solo de onde ela vem, quando não é água de precipitação, pode torná-la inviável para o consumo, ou eventualmente requer sofisticados – e onerosos – processos para deixa-la potável. Portanto, o planeta que poderíamos precisar requer não apenas ‘água’ mas também uma química de solo compatível, pois, dos 118 elementos químicos conhecidos no nosso planeta qualquer um deles, raro aqui, lá pode ser abundante e condicionar a água eventualmente existente.

 

Em volta da parte sólida do plante será preciso haver uma atmosfera na forma de uma camada de gases fundamental para a vida nesse planeta. Para tanto precisaria haver acima de tudo oxigênio m combinação com valor de água e outros gases. Além disso haveria necessidade de um gás protetor contra radiações cósmicas como a ultravioleta, no nosso caso o ozônio.            

 

O oxigênio, na qualidade de um elemento, é imutável. Entretanto, para assegurar a vida humana (e de toda a fauna e flora) ele precisa estar presente na quantidade certa na atmosfera (21%) com tolerância mínima positiva e negativa. Afinal, com toda a tecnologia genética, nossos bebês não nascem com tubo de oxigênio nas costas e máscara. Além disso, ficaria a dúvida sobre quais gases comporiam os restantes 79%.

 

Mas, além da composição de gases na atmosfera, um dos principais requisitos, se não o principal, são os limites térmicos. Numa escala de temperaturas desde o zero absoluto – menos 273º C – a outro extremo, que na verdade é uma temperatura positiva aberta, passando por milhares de graus, apenas uma faixa minúscula serve para a existência de vida como a conhecemos, ou seja, de –30o a 40º C a +30o a 40º C. Qualquer temperatura abaixo ou acima dessa faixa como constante torna qualquer forma de vida impossível em estado natural. Por outro lado, a pressão atmosférica que é igual a um no nível do mar da Terra, no planeta que poderíamos precisar não poderia ser maior que dois, sob risco de sérios problemas para o corpo humano.

 

Nesse ponto é importante frisar que cada uma dessas condições é decisivas e que não existe nenhuma compensação mútua entre elas. A invalidade de qualquer uma inviabiliza um futuro alternativo para o homem.  

  

Sabemos que havia vida na Terra com condições atmosféricas bastante diferentes. Isso inclui a espessura da camada de ozônio. Entretanto as mudanças e mutações registradas até chegar nas condições atuais processaram-se com extrema lentidão, permitindo que flora e fauna de adequassem. 

 

Suponhamos que tenhamos encontrado o planeta que poderíamos precisar, porém ainda falta o fator temporal. Afinal, existe vida na forma de flora e fauna somente nos últimos 8% da existência da Terra. Entretanto, a vida evoluída só está presente aqui no último cerca de meio milhão de anos na história do nosso planeta – 0,001 por cento dessa existência.

 

E isso evidencia a necessidade de muita coincidência temporal para evitar uma tentativa de colonização do planeta que poderíamos precisar na época dos dinossauros ou, pior, em condições de vida ainda primitiva naquele ambiente.

 

Concluindo, a ‘mosca’ do alvo ficou muitíssimo pequeno. Praticamente todos os itens acima, isoladamente, são indispensáveis em sua presença e suas dimensões, sob risco de tornar inaceitáveis as condições de vida humana. Por outro lado, manter toda uma população, gerações a fora, num permanente encapsulamento tecnológico, individual e ambiental, seria economicamente inviável e representaria uma carga física e psicológica possivelmente mortífera.

 

Na verdade, pelo menos a médio prazo, a busca por esse planeta torna-se desnecessária devido a uma mudança doméstica da Terra. Depois de um crescimento populacional quase explosivo em épocas recentes, atualmente quase um quinto das nações registram queda em sua população, inclusive a China, que sozinha responde por 16% da população global. E, nessa tendência, a cada ano serão mais alguns.

 

Podemos então esquecer a busca pelo planeta que poderíamos precisar? Sim, não houvesse a curiosidade que trouxe o homem aos níveis civilizatório e de conhecimento técnico atual – salvo um colapso ecológico de única responsabilidade do homem.