terça-feira, 26 de maio de 2026

O Desafio da Objetividade

 

O Desafio da Objetividade

(“The Objectivity Challenge”) - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Entramos na vida potencialmente subjetivos, simplesmente para garantir nossa existência (o bebê manda na família). Anos depois, entrando em contextos sociais, esse comportamento vem lentamente sendo corrigido a partir de experiências vivenciais, percebendo e assimilando a existência de uma pluralidade de personalidades.

 

Adolescentes e adultos, fazemos juízos, diariamente. Julgamos situações, ocorrência, ou simplesmente ambientes, mas acima de tudo pessoas, pela sua aparência, suas atitudes, ou, seus pronunciamentos. E é absolutamente normal que pessoas diferentes façam juízos diferentes sobre as mesmas situações, ocorrência, ambientes e pessoas. Afinal, juízos são condicionados pelas experiências, emoções e valores, passado e presente, do indivíduo, portanto são únicos – eventualmente semelhantes.

 

Entretanto, juízos individuais, influenciados pela educação, visão da vida e a própria personalidade correm o risco quase certo de não coincidir com os entendimentos dos interlocutores, e, na pior das hipóteses, revelar-se interpretações falsas – e juízos incorretos. Cada pessoa formou seus ideais, seus exemplos a serem seguidos, vivendo em seu universo subjetivo, suas ambições, expectativas e seus objetivos de vida tendo prioridade. Manifestações nas artes plásticas, musicais e literárias são expressão por excelência de externação de valores subjetivos.

 

Não há dúvida, de que um mundo regido por subjetividades seria inconcebível. Afinal, somos seres imperfeitos. Uma sociedade regida exclusivamente por subjetividades não sobreviveria. Haveria um permanente choque coletivo de subjetividades. Afinal, todos somos imperfeitos, ou seja, sujeitos a erros em todas as dimensões. Erros fazem parte do nosso cotidiano, muitas vezes necessitando de uma visão objetiva – ou subjetiva – de alguém.

 

Na subjetividade, interesses pessoais, preferências e sentimentos projetam-se para o primeiro plano. Portanto, uma avaliação subjetiva é individual e não baseada em critérios claramente mensuráveis. É a aceitação dos fatos simpáticos e recusa dos indesejáveis, por exemplo, a torcida por determinado clube esportivo, ou a preferência por determinada cor ou tipo de música.

 

Por mais subjetivas as pessoas possam ser, ao longo da vida, elas desenvolvem graus variados de espírito crítico – e autocrítico. Em princípio, toda crítica avalia e questiona situações e valores. Por outro lado, a crítica nasce de informações e fatos. E a partir desse instante, o conhecimento passa a fazer parte de avalições e juízos, questionando posições ou convicções subjetivas. Dessa maneira, aspectos e perspectivas novas invadem a subjetividade natural – desde que tais fatos são aceitos. Em resumo, a objetividade é fruto de um aprendizado – nem sempre consciente, nem voluntário. Obviamente, essa aceitação requer que se abra mãos de convicções enraizadas na subjetividade habitual da pessoa. E isso encontra a barreira de que muitas vezes, através dos nossos filtros de interpretação habitualmente subjetivas.

 

 

Aqui entra o aspecto extremamente individual da voluntariedade de optar pela objetividade, sabidamente relativa, já que a absoluta é impossível. É uma decisão personalíssima de enxergar o mundo a partir de uma multiplicidade de ângulos, muitas vezes totalmente contrários. Objetividade adquire e cultiva-se a partir da aceitação de informações de várias fontes, mesmo quando contrariam nosso entendimento subjetivo. Sem dúvida, trata-se de um ajuste de perspectivas com indiscutível ampliação do espaço de juízos; enquanto a subjetividade nos prende na inflexibilidade das nossas supostas certezas, todo contraditório é um desafio e um aprendizado a mais – um amadurecimento maior.

 

Sempre nos encontraremos diante de escolhas. Nossa própria personalidade, criação e visão de mundo influenciam a forma como avaliamos os fatos. Mas todos, embora sejamos imperfeitos, temos o arbítrio entre simples aceitação, ou questionamento crítico.

 

Resumindo, a subjetividade confina a pessoa em seu mundo de desejos, ilusões e idealizações, a objetividade confere-lhe liberdade e soberania.

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