sexta-feira, 15 de maio de 2026

O Idoso no Brasil

 

O Idoso no Brasil

(“The Elderly in Brazil” –  This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

(Também acessível no blog: kl-rehjfeldt.blogspot.com)

 

Quem é idoso no Brasil? Embora os ex-presidente, Itamar Franco, nos últimos dia e seu governo (1994) tenha estabelecido a idade de 60 anos com ingresso no status de idoso, na prática esse limite revela-se cada vez mais como sendo irreal. Por um lado, a expectativa de vida desde então subiu quase 9 anos, por outro, grande parte da população não se considera idosa – até se ofende quando é chamado de idoso – quando chegar aos 60 anos de vida (mesmo se utilizando dos benefícios garantidos a essas pessoas.

Quem é idoso? Há quem tem cabelos bancos aos 50, quem ‘veste o pijama’ efetivamente aos 60, e há quem trabalha e dirige seu carro ainda aos 90. Portanto, trata-se de um assunto extremamente subjetivo. Mas, leis, normas e regulamentos são absolutamente objetivos, de acordo de cada realidade.

E a realidade brasileira é atualmente a seguinte: O país possui uma população de cerca de 35,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 16,6% da população, ou seja, cerca de 35 milhões de pessoas, isso com a expectativa de vida que superou os 76 anos. Esse contingente cresceu quase 60% na última década, mudando a estrutura demográfica do país.

Na realidade, hoje cerca de 1 em cada 4 pessoas idosas continua ocupada no mercado de trabalho, não por último em função da gradual desatualização de pensões e aposentadorias do sistema estatal, demonstrando uma busca por renda complementar na terceira idade. Em outra esfera, a nova geração de idosos tem se mostrado mais ativa, buscando viagens, atividades físicas e novas formas de lazer. Contudo, o etarismo (preconceito por idade) ainda é um obstáculo para a inclusão social e profissional plena.

Antigamente, em tempos da família de três gerações, a velhice ‘batia na porta’, quando a pessoa não mais conseguia desenvolver suas atividades profissionais ou domésticas. A pessoa física ou mentalmente impedida era amparada pela família, especialmente os membros herdeiros, até a morte. Esta realidade mudou radicalmente com o novo padrão da família celular, composta de pais e filhos, ou pessoas solteiras, o que significa, espaço físico limitado.

Hoje, o Estatuto da Pessoa Idosa garante prioridade de atendimento, gratuidade no transporte público e protege contra abusos e violência. Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) assiste a estimados mais de 70% da população idosa que dependa exclusivamente dessa instituição para o acompanhamento de saúde (com deficiências bem conhecidas). Nesse sistema, as principais demandas médicas incluem o controle de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes.

Com o aumento da longevidade, há também um crescimento na demanda por cuidadores e infraestrutura especializada em cuidados de longa duração. E tudo indica, que essa dinâmica continuará até ser alcançado o limite biologicamente mandatório.

Pergunta-se então, na realidade de mais idosos com menos reposição populacional (atualmente apenas 1,5 filhos por mulher, quando o mínimo necessário para manutenção a população a longo prazo essa taxa deveria ser de 2,1 filhos), como o atual sistema de amparo a terceira idade poderá enfrentar a demanda. Cuidadores de idosos são caros (com salário maior que a renda média do idoso), e os poucos estabelecimentos de acolhimento de idosos mais caros ainda. E aqui é bom não esquecer que, durante décadas, os descontos dos contribuintes para a previdência social fluíam para o custeio do Estado..

Encontramo-nos numa mudança demográfica importante (menos filhos, mais velhos), que evidencia claramente que medidas paliativas não resolverão a situação. Há necessidade de uma redefinição do sistema social, que garanta um amparo digno àquele cidadão que, com seu trabalho, contribuiu na construção da prosperidade e do bem-estar da geração atual e das vindouras. Uma das aparentemente essenciais é o ensino desde a juventude do cidadão, abrindo mão do consumo, para a constituição de um fundo que lhe garanta um amparo digno e confortável na (embora distante) idade avançada.

Não basta um plano de serviços funerais. Será necessária, por parte do cidadão, uma mudança de cultura do consumo desenfreado para a solidez existencial, incluindo a garantia de vida prolongada sem suporte do Estado., que costumeiramente está defasado em relação à realidade presente. 

 

 

 

 

 

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