sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Aumento Populacional sem Crescimento



Aumento Populacional sem Crescimento

Klaus H.G. Rehfeldt

O título soa estranho, incoerente, mas, vejamos:
Recentemente, o IBGE publicou que a população brasileira ultrapassou a marca dos 210 milhões de habitantes em julho deste ano. Trata-se, no caso, de uma estimativa; um censo geral deverá ocorrer somente no próximo ano. No mesmo contexto, anunciou um crescimento demográfico de 0,78% no espaço de 2018 a 2019, fato comemorado com destaque pela mídia nacional.
            Na realidade não se trata de um crescimento, mas sim, de um mero aumento de habitantes. Esses dois conceitos são aparentemente sinônimos, têm, porém, características bastante distintas. Dois outros dados do mesmo instituto esclarecem essa divergência.
            A permanente queda na taxa de fertilidade da mulher brasileira ao longo das últimas seis décadas para o atual 1,7 filho por mulher (insuficiente para a reposição da população) redundou, como não podia ser diferente, na primeira redução da base da pirâmide etária na década de 1980, até então no formato de um perfeito cone. Esta redução nas populações infantis e jovens continua e o antigo cone está se assemelhando cada vez mais a uma cebola.
            A queda nesse segmento populacional é significativa com uma queda percentual de 29,6% para 21,3% de participação na população total do ano 2000 até hoje. Isso são atualmente cerca de 300 mil pessoas por ano a menos entrando na vida economicamente ativa – como geradores de riquezas e como consumidores. Há, sim, um crescimento negativo nas faixas etárias baixas.
            Na ponta da pirâmide etária há outra particularidade, apontando na direção contrária – a elevação da expectativa de vida. Num processo que já dura todo o último século observamos um ganho de longevidade nos brasileiros com 65 e mais anos. Esta parte da população aumento desde o ano 2000 de uma participação de 5,9% para atuais 9,2% na totalidade da população – um aumento atual de cerca de 525 mil pessoas por ano. O perfil econômico desse segmento, porém, caracteriza-se por baixa atividade produtiva e um estreitamento e empobrecimento de renda e consumo.
            As mesmas tendência de mudanças há, em escala menor, nas respectivas faixas etária adjacentes. Tirando diferenças regionais, o Brasil não vive mais um crescimento populacional, mas mero ganho numérico, o que explica grande parte dos problemas econômicos atuais do Brasil – o desemprego não deslinda tudo.
           

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