Aumento Populacional sem
Crescimento
Klaus H.G. Rehfeldt
O
título soa estranho, incoerente, mas, vejamos:
Recentemente, o IBGE publicou que a população
brasileira ultrapassou a marca dos 210 milhões de habitantes em julho deste
ano. Trata-se, no caso, de uma estimativa; um censo geral deverá ocorrer
somente no próximo ano. No mesmo contexto, anunciou um crescimento demográfico
de 0,78% no espaço de 2018 a 2019, fato comemorado com destaque pela mídia
nacional.
Na realidade não se trata de um
crescimento, mas sim, de um mero aumento de habitantes. Esses dois conceitos
são aparentemente sinônimos, têm, porém, características bastante distintas.
Dois outros dados do mesmo instituto esclarecem essa divergência.
A permanente queda na taxa de
fertilidade da mulher brasileira ao longo das últimas seis décadas para o atual
1,7 filho por mulher (insuficiente para a reposição da população) redundou,
como não podia ser diferente, na primeira redução da base da pirâmide etária na
década de 1980, até então no formato de um perfeito cone. Esta redução nas populações
infantis e jovens continua e o antigo cone está se assemelhando cada vez mais a
uma cebola.
A queda nesse segmento populacional
é significativa com uma queda percentual de 29,6% para 21,3% de participação na
população total do ano 2000 até hoje. Isso são atualmente cerca de 300 mil
pessoas por ano a menos entrando na vida economicamente ativa – como geradores
de riquezas e como consumidores. Há, sim, um crescimento negativo nas faixas
etárias baixas.
Na ponta da pirâmide etária há outra
particularidade, apontando na direção contrária – a elevação da expectativa de
vida. Num processo que já dura todo o último século observamos um ganho de
longevidade nos brasileiros com 65 e mais anos. Esta parte da população aumento
desde o ano 2000 de uma participação de 5,9% para atuais 9,2% na totalidade da
população – um aumento atual de cerca de 525 mil pessoas por ano. O perfil
econômico desse segmento, porém, caracteriza-se por baixa atividade produtiva e
um estreitamento e empobrecimento de renda e consumo.
As mesmas tendência de mudanças há,
em escala menor, nas respectivas faixas etária adjacentes. Tirando diferenças
regionais, o Brasil não vive mais um crescimento populacional, mas mero ganho
numérico, o que explica grande parte dos problemas econômicos atuais do Brasil
– o desemprego não deslinda tudo.
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