domingo, 6 de outubro de 2019

Sofisma ou Fake News



Sofisma ou Fake News?

Klaus H. G. Rehfeldt

O assunto é recorrente na mídia, mas especialmente nas redes sociais: a invasão da Europa por migrantes islâmicos e sua suposta transformação da região para um continente islâmico. Mesmos no Brasil, a 10 mil quilómetros de distância e totalmente à margem desse contexto, tais notícias são veiculadas, talvez meramente pela questão religiosa. Ou por mero sensacionalismo. Por isso cabe um análise mais aprofundada.
Primeiramente cabe notar que depois de um ápice de movimentos migratórios, entre refugiados e migrantes econômicos para a Europa em 2015, constata-se uma contínua e constante queda para cerca a metade em 2018, sem falar que muitos estão voltando a seus países de origem. Atualmente entram na Europa cerca de 4 pessoas para casa 1.000 habitantes, ou seja, aproximadamente 0,4% de uma população de quase 750 milhões de habitantes com uma momentânea taxa de crescimento de 0,1%. Isso significa que, falando globalmente da Europa que possui realidades demográficas bastante diversas, esse continente estaria hoje sem a imigração registrando uma queda populacional de 0,3% (2,25 milhões de pessoas) ao ano. (Apenas a título de comparação e curiosidade: em 2018, a população da China não aumentou mais, mas encolheu em 700 mil pessoas.)
Com relação a uma suposta perda de hegemonia do cristianismo para o islamismo na Europa devido às diferentes taxas de fertilidades entre a população residente e os migrantes circulam informações e dados alarmantes. A realidade é outra. A atual taxa de fertilidade da mulher europeia é de 1,59 filhos, com o mínimo de 1,26 filhos em Malta e o máximo de 1,90 na França. Por outro lado, os principais países de origem de migrantes para a Alemanha (principal país receptor) são em ordem de grandeza e com as respectivas taxas de fertilidade: Síria (2,8 filhos por mulher), Iraque (4,3), Nigéria (5,4), Turquia (2,0), Afeganistão (4,4) e Irã (1,6).
Referente a este aspecto é importante salientar que a queda das taxas de fertilidade nos países desenvolvidos, especialmente na Europa, não decorre de qualquer capricho da natureza, mas da clara e decisiva resolução da mulher por menos filhos em benefício de autonomia social e econômica. E esta postura é rapidamente adotada pela mulher imigrante, seja como simples assimilação do modelo feminino da mulher europeia, seja por motivo de concorrência profissional.
Concluindo, percebem-se nítidas divergências entre os dados e as ameaças amplamente divulgadas e inocentemente compartilhadas nas mídias sociais e os dados efetivos. Além disso, uma oportuna reflexão: o que dizer de uma sociedade etnicamente estável (para não dizer pura) em declínio populacional irreversível num processo de encolhimento de seu potencial humano? Certamente não é uma perspectiva muito promissora para as gerações futuras.   



Um comentário:

  1. O Islã conquistou a Europa no século VIII com Tarik atravessando o Gibraltar e foram detidos em seu avanço pela Europa em 843 na Batalha de Poitiers por Carlos Martelo, avô Carlos Magno. A "invasão" agora tem outras perspectivas e outras conotações, porém,não deixa de ser uma invasão. As consequências, quem viver verá.

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