Desemprego ou Despreparo?
Klaus H. G. Rehfeldt
O
desemprego, principalmente quando se apresenta em escala maior, costuma ser
tratado como se fosse um fenômeno de força maior. Ocorre que desemprego não é
causa, é efeito. Efeito de duas circunstâncias claramente definíveis: a falta
de trabalho ou a falta de preparo para o trabalho. Dos atuais cerca de 12
milhões de desempregados no Brasil certamente um grande número de atingidos é
composto de profissionais qualificados que não encontram colocação por falta de
vagas, ou porque estas estão sendo preenchidas por pessoas mais jovens, devido
à situação conjuntural, ou ainda, em razão da eliminação de determinadas
atividades por meio de processos de digitalização, automação ou robotização em
curso em quase todas as áreas econômicas. Para estes profissionais resta
esperar um reaquecimento da economia ou realizar uma reciclagem em outra
direção profissional.
Maior e mais preocupante é o imensa
massa de desempregados ou subempregados sem preparo escolar e profissional. Deixou
de existir a função do servente de serviços gerais, muito menos a do auxiliar
dele, está desaparecendo o trabalhador rural e o safrista, nem o auxiliar de
escritório ou o vendedor de temporada deve esperar perspectivas satisfatórias
para o futuro. O emprego industrial está em contínuo desaparecimento, enquanto
a prestação de serviços se expande e se fortalece no mercado, porém, com enorme
diferença de requisitos profissionais, atualmente inexistentes ou insuficientes
no mercado do trabalho. O déficit de profissionais na informática é emblemático.
Houve e continua havendo quem, em
vista dessa realidade, aposta na concorrência através da mão de obra barata, não
se importando com os consequentes índices baixíssimos de produtividade comuns
no Brasil. Políticos de esquerda e sindicatos visam assim atender às
peculiaridades – de despreparo – de grande parte da mão de obra disponível, ao
mesmo tempo imaginando vantagens competitivas especialmente no mercado externo.
Um absoluto paralogismo. A baixa produtividade não é garantia para mais
empregos ou a manutenção dos existentes, nem beneficia a concorrência no longo
prazo; a baixa produtividade compromete a permanência dos locais de trabalho
porque coloca em risco a sobrevivência do empregador, enquanto alta
produtividade assegura melhores condições de competição e a expansão do
negócio. O estabelecimento produtivo desbanca a concorrência, se expande, abre
filiais ou franquias, até fora do mercado doméstico – e cria novos empregos. É
nessa direção que se desenvolvem hoje as estratégias micro- e macroeconômicas.
Segundo o IBGE-PNAD/2018, a taxa de
frequência líquida no ensino médio (15 a 17 anos) foi de 69,3%, ou seja, 30,7%
dos alunos estavam atrasados ou tinham deixado a escola. Num outro vetor, com
relação aos jovens de 15 a 29 anos, constatou-se que 24,0% não trabalham, nem
estudavam ou se qualificavam – cerca de 8% da força de trabalho do Brasil. Além
desses, o número de desempregados com até 24 anos de idade é de 5,6 milhões,
perfazendo outros 5% da força de trabalho. Esses dois grupos totalizam 13% do
potencial de trabalho brasileira, i.e., um em cada oito jovens, e é razoável
concluir que nesse contingente se concentrem os jovens sem qualquer preparo
profissional. Mesmo para uma país solidamente desenvolvido isso representaria
um ônus social e econômico muito significativo.
O grave da situação é que esses jovens já
estão aí e, por isso, uma reversão da situação exige medidas urgentes e rápidas
não apenas por parte do governo, mas também da sociedade civil – sindicatos de
classe, ONGs, e as próprias empresas (onde isso já vem acontecendo). Talvez
haja necessidade de sacrificar ou reformatar outros programas políticos, econômicos
ou sociais, mas se há empenho com sucesso garantido, esse é na educação. A
falta de educação cria sucessivamente problemas sociais, de segurança e de
saúde; com reversão garantida dos mesmos na proporção geométrica em que os
níveis de educação melhoram. Não existe país neste mundo que tivesse sofrido
algum prejuízo em consequência de excesso de conhecimento por parte de sua
população – muito pelo contrário.
Os jovens de hoje sem propósitos, sem
projetos e sem oportunidades, sem a chance de tornarem-se aptos para uma vida
profissional satisfatória, serão os adultos de amanhã, frustrados, desiludidos,
revoltados e dependentes do sistema social do estado pelo resto da vida.
Despreparo. Despreparo e "auto" super valorização de desempregados que querem iniciar no novo emprego recebendo salário de diretor tendo ensino básico. Fica desempregado quem recusa emprego. Fica desempregado quem "se acha" excessivamente. Fica desempregado um bando de vários que esperam pelas benesses de um partido de ladrões derrotado nas eleições. Vergonhoso
ResponderExcluir