Sofisma ou Fake News?
Klaus H. G. Rehfeldt
O
assunto é recorrente na mídia, mas especialmente nas redes sociais: a invasão da
Europa por migrantes islâmicos e sua suposta transformação da região para um
continente islâmico. Mesmos no Brasil, a 10 mil quilómetros de distância e
totalmente à margem desse contexto, tais notícias são veiculadas, talvez
meramente pela questão religiosa. Ou por mero sensacionalismo. Por isso cabe um
análise mais aprofundada.
Primeiramente cabe notar que depois de um
ápice de movimentos migratórios, entre refugiados e migrantes econômicos para a
Europa em 2015, constata-se uma contínua e constante queda para cerca a metade
em 2018, sem falar que muitos estão voltando a seus países de origem. Atualmente entram na Europa cerca de 4 pessoas para casa 1.000
habitantes, ou seja, aproximadamente 0,4% de uma população de quase 750 milhões
de habitantes com uma momentânea taxa de crescimento de 0,1%. Isso significa
que, falando globalmente da Europa que possui realidades demográficas bastante
diversas, esse continente estaria hoje sem a imigração registrando uma queda
populacional de 0,3% (2,25 milhões de pessoas) ao ano. (Apenas a título de comparação
e curiosidade: em 2018, a população da China não aumentou mais, mas encolheu em
700 mil pessoas.)
Com relação a uma suposta perda de hegemonia
do cristianismo para o islamismo na Europa devido às diferentes taxas de fertilidades
entre a população residente e os migrantes circulam informações e dados alarmantes.
A realidade é outra. A atual taxa de fertilidade da mulher europeia é de 1,59
filhos, com o mínimo de 1,26 filhos em Malta e o máximo de 1,90 na França. Por
outro lado, os principais países de origem de migrantes para a Alemanha
(principal país receptor) são em ordem de grandeza e com as respectivas taxas
de fertilidade: Síria (2,8 filhos por mulher), Iraque (4,3), Nigéria (5,4),
Turquia (2,0), Afeganistão (4,4) e Irã (1,6).
Referente a este aspecto é importante
salientar que a queda das taxas de fertilidade nos países desenvolvidos,
especialmente na Europa, não decorre de qualquer capricho da natureza, mas da clara
e decisiva resolução da mulher por menos filhos em benefício de autonomia
social e econômica. E esta postura é rapidamente adotada pela mulher imigrante,
seja como simples assimilação do modelo feminino da mulher europeia, seja por
motivo de concorrência profissional.
Concluindo, percebem-se nítidas divergências
entre os dados e as ameaças amplamente divulgadas e inocentemente
compartilhadas nas mídias sociais e os dados efetivos. Além disso, uma oportuna
reflexão: o que dizer de uma sociedade etnicamente estável (para não dizer
pura) em declínio populacional irreversível num processo de encolhimento de seu
potencial humano? Certamente não é uma perspectiva muito promissora para as gerações
futuras.
O Islã conquistou a Europa no século VIII com Tarik atravessando o Gibraltar e foram detidos em seu avanço pela Europa em 843 na Batalha de Poitiers por Carlos Martelo, avô Carlos Magno. A "invasão" agora tem outras perspectivas e outras conotações, porém,não deixa de ser uma invasão. As consequências, quem viver verá.
ResponderExcluir