sábado, 29 de outubro de 2022

Ad Astra, com Madeira

 

‘Ad Astra‘, com Madeira

('Ad Astra', with Wood - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A madeira, onde disponível, é um dos materiais de construção mais antigos da humanidade. Do Neolítico à Idade do Bronze, restos de casas de palafita foram preservados, documentando uma cultura de construção em madeira, p. ex., na região do Lago Constance e do leste da Suíça. O material de construção foi obtido pela derrubada das florestas para terras aráveis e, devido à sua leveza e seu formato próprio, possibilitou a construção de casas sólidas e adequadas ao clima.

 

E a madeira permaneceu o material de construção mais importante até os tempos modernos. Os edifícios foram inicialmente erguidos principalmente de troncos horizontalmente sobrepostos em camadas reforçadas com cantos de encaixe, ou como construções com esqueletos em postes fincados no chão e paredes enrançados de vime e revestidos com argila ou barro, às vezes com pedras. O enxaimel em suas muitas variedades, cujas construções podiam chegar 4 ou 5 andares nos ambientes urbanos, foi o resultado de contínuos aperfeiçoamentos dessas habitações primitivas. Mas a essência era sempre a madeira.

 

A partir do século XIX, as construções tradicionais de madeira – especialmente nas cidades – foram cada vez mais substituídas por outras de alvenaria. A princípio apenas externamente – porque a madeira ainda era o único material em forma de viga e tábua disponível em grandes quantidades, de modo que as construções de teto, telhado e escadaria eram quase exclusivamente feitas de madeira. Isso mudou quando o aço e o concreto se tornaram um produto de massa com a industrialização. Em meados do século XX, a madeira tinha desaparecido em grande parte do sortimento de materiais das estruturas modernas.

 

Desde a virada do milênio, no entanto, este antigo material de construção tem experimentado um renascimento surpreendente, à medida que as vantagens ecológicas da madeira estão se tornando cada vez mais importantes. Tecnologias desenvolvidas na produção de placas de múltiplas camadas, contraplacados, paredes e tetos prontos, incluindo pilares e apoios de compensado de tábuas, resultaram em elementos leves, mas com alta durabilidade e resistência compatível com os tradicionais materiais de construção. Ao lado disso, permitem amplas possibilidades de pré-montagem. Uma combinação de tecnologias da construção em madeira, concreto e aço foi uma evolução lógicas. Como resultado surgiram, ao lado de construções totalmente de madeira, as híbridas na forma, p. ex., de um núcleo vertical central e funcional de concreto ou aço (para elevadores, escadarias e tubulações) e todas as restantes estruturas sendo de madeira. A madeira utilizada é devidamente tratada contra fogo, de maneira que não queima, apenas carboniza.

 

E há outro aspecto. Construir com madeira tem um saldo ecológico positivo e pode ser realizado de forma CO2 neutra. Comparado ao aço ou concreto, ela é considerado um material de construção verde porque sua produção não só não causa emissões de CO2, mas também liga o carbono desse composto. Neste contexto é ter em mente que na produção de uma tonelada de cimento, um dos principais componentes do concreto, são liberados até 600 kg de CO2, e que a produção global de cimento causa quatro vezes mais emissões de dióxido de carbono do que todo o tráfego aéreo internacional e, portanto, é responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO2.

 

Em 2007, o edifício residencial e comercial E3 no centro de Berlin, de sete andares e construído em madeira, causou sensação.  Em 2011 e 2012, seguiram edifícios de madeira de oito andares, o H8 e LifeCycle Tower, respectivamente em Bad Aibling e Dornbirn, na Áustria, e em 2015 concluiu-se um edifício de 14 andares em Bergen, Noruega. Já em 2017, uma residência estudantil de 18 andares em Vancouver foi concluída, o edifício de madeira mais alto do mundo na época. Em Viena, o HoHo, um edifício híbrido de concreto e madeira de 24 andares, foi entregue em 2020. Em todo o mundo, porém, outros edifícios de arranha-céus ainda muito mais altos com peças estruturais feitas de madeira já estão em construção – o Ascent, em Milwaukee, EUA, com 25 andares – ou sendo planejados – o Hybrid C, em Perth, Austrália com 50 andares e 183 metros de altura.

 

No Brasil temos até agora um prédio de madeira de quatro andares na Av. Faria Lima, em São Paulo. Mas, chegou nossa hora, uma vez como país de destaque na arquitetura mundial, mas inoperante nesse campo, e por outra como produtor e exportador de madeira, desde que em base de uma política de manuseio florestal racional e sustentável.

 

 

 

 

Um comentário:

  1. Construções em madeira apresentam vantagens e desvantagens.
    Do ponto de vista ecológico a madeira obtida de reflorestamentos apresenta nítida vantagem como material de construção.
    Mas, a segurança de elementos urbanos pode ficar comprometida, ao menos considerando a tecnologia atual.
    Em prédios elevados a resistência estrutural da madeira não é suficiente. Reforçar com aço e concreto pode ser satisfatório, porém aumenta o risco de incêndios.

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