Un-U na Floresta (4)
(“Un-U in the Forest”) -
This text is written in a way to ease
comprehensive electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
A floresta é diferente,
é escura, mas é rica. É rica em tudo, é rica na vegetação, é rica em caça, mas
também é rica em perigos. A adaptação da vida na savana para uma nova existência
em ambiente florestal tem seus caprichos. A mudança mais radical é a habitação.
A caverna é muito mais segura em todos os aspectos. A tenda, ao contrário, é
relativamente frágil em momentos de muito vento e muita chuva, mas também na
proteção contra animais selvagens. E há o fogo e as faíscas que tem de ser
constantemente controlados e mantidos baixos, sob risco da armação da tenda se
incendiar.
Na
verdade, Un-U conhece a vida na floresta, ou melhor, se lembra dessa vida
quando era jovem, até que um grupo muito maior do que o dele, expulsou sua
gente para a savana, mas que, na época, era bastante rica em alimentos. Mas
mesmo depois dessa migração, seu pai e outros velhos do grupo muito lhe contaram
e ensinaram sobre aquele tempo.
Assim, num
primeiro instante, a floresta está sendo o mais importante fornecedor de matérias-primas
para a produção de todas as necessidades da vida, de maneira bastante mais
fácil do que na savana. Un-U e seu grupo também sabem distinguir frutos,
cogumelos e ervas consumíveis dos imprestáveis. E a floresta oferece uma
diversidade bem maior que a savana. Mesmo a caça na floresta é mais fácil, pois
a grande dificuldade na savana era a aproximação em terreno muito aberto sem
ser percebido pelos animais até chegar a uma distância que permitisse o uso da
lança. Agora, a vegetação bastante fechada permite que o grupo possa cercar a
caça para então abatê-la. Ao mesmo tempo, aumentam as possibilidades de serem
surpreendidos por um urso, um bisonte, ou um javali assustado e feroz. Perigos
mortais podem surgir inesperadamente a qualquer momento.
E lá está
o rio. O rio bastante largo é uma fonte adicional àqueles alimentos conhecidos da
savana. Ma-Na se lembra vagamente como seu pai preparava nassas, as armadilhas
de peixe feitas de vime. O cardápio mudou bastante em relação aos tempos da
savana – ficou mais rico e menos dependente das estações do ano. O peixe, como
a carne, pode ser assado num espeto sobre o fogo ou é coberto por uma camada de
lama e colocado dentro do fogo até assar.
Mesmo que
a floresta ainda abrigue constantes surpresas, o desafio do grupo está no rio,
em aproveitar o rio por meio de alguma embarcação. Ensinados pelos mais velhos,
procuram um tronco de árvore suficientemente grosso, já caído e com a madeira
já mais seca. Começam a aplainar um lado com seus machados de pedra lascada e
cunhas de madeira e osso. Em seguida colocam fogo onde o tronco deve ser
escavado. Num longo trabalho de queimar o cerne do tronco e manter húmidas as
bordas a serem conservadas começa a surgir uma embarcação apta a transportar duas
ou três pessoas. Por fim são calafetados os furos de antigos galhos com resina
de pinheiros. Isso feito, pode-se pescar em partes mais fundas do rio
Numa
exploração para mais longe, Un-U e An-Ga, um membro do mesmo grupo, talvez um
parente, remando rio acima, depois de algumas curvas descobrem uma ilha no meio
do rio. Chegando lá desembarcam e puxam o barco para a terra. Não esperam
qualquer caça, mas logo descobrem vários pés de avelã, dos quais se servem
enchendo suas bolsas.
E, de
repente, um susto. Numa pequena clareira, lá estão as cinzas de uma fogueira.
Un-U coloca uma mão nas cinzas – estão frias, mas ainda não cresceu vegetação
próxima da fogueira. Sendo apenas em dois, Un-U e An-Ga, mesmo muito curiosos,
resolvem abandonar a ilha e voltar para seu acampamento para contar o achado ao
conselho dos velhos. Mais preparados, certamente voltarão à ilha num grupo
maior.
Mas o rio
tem suas perfídias. Depois de uma longa e forte chuva, seu nível começa a
crescer mais do que já tinha acontecido anteriormente. Un-U e Ma-Na se veem
obrigados a rapidamente tiram as peles da tenda. O barco, amarado numa árvore,
começa a subir com o rio e ao passo que o rio toma conta das margens, Un-U o
puxa para fora do leito do rio, e com a água entrando na floresta, ele, Ma-Na e
Na-I entram na embarcação, depois de amarrada numa árvore para não ser levada
pela correnteza. Assim permanecem por três dias e três noite, tomando a água da
chuva colhida numa pele estendida e comendo o que Ma-Na tinha guardado na
tenda.
Quando, finalmente,
a chuva para e o rio começa a baixar, começam a procurar animais mortos, já que
a vegetação está totalmente destruída. Acabam por encontrar alguns peixes numa
poça d’água depois do rio baixar, o que lhes garante o alimento para os
próximos dias. Para conseguir fazer um novo fogo precisam achar alguns galhos
secos, ainda nas árvores. A nova tenda é construída em terreno um pouco mais
elevado, embora sem a proteção que do barranco do rio nos fundos. A vida volta
ao normal, caçar, pescar e procurar frutas e plantas e cogumelos comestíveis.
Mas os
vestígios da fogueira na ilha não saem da cabeça de Un-U.
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