Un-U, o Contato (5)
(“Un-U, the Contact” - This text is written in a way to ease comprehensive
electronic translation)
Klaus H. G. Rehfeldt
Aquela primeira
incursão de Un-U e An-Ga rio acima, com a descoberta da ilha e o local de uma
fogueira agitou todo o grupo. Obviamente foram membros de outro grupo que
visitou a ilha, talvez permanecendo ali por algum tempo – ou ainda estavam lá.
A grande dúvida que permanece é como descobrir quem foi que esteve lá e como
seria em encontro entre os dois grupos. Ouvidos os mais velhos, Un-U e An-Ga
decidem ir por terra, margeando o rio até chegar à altura da ilha. De lá irão
observar a ilha por algum tempo para descobrir se havia, ou não, gente vivendo
nela.
Munidos
de suas lanças, machados e facas, além da pedra de fogo, fungo pavio e algum
alimento, partem de manhã cedo. A caminhada é penosa porque a mata perto do rio
é bem fechada, mas eles sempre precisam ter o rio à vista. No caminho conseguem
surpreender e matar uma lebre que lhes garante comida para dois dias. Quando o
sol já está alto avistam a ilha um pouco mais acima do rio. Quando ficam bem de
frente para a ela, procuram um lugar onde se abrigar num pequeno baixio, que
lhes permita fazer um fogo sem ser visto da ilha. O vento é favorável,
impedindo que a fumaça possa ser sentida na ilha.
Durante
dois dias nada acontece. Então, no terceiro dia, já ao entardecer, eles veem
uma embarcação com quatro homens descendo o rio. A embarcação é diferente
daquela que conhecem, pois é feita de pele de animal. O que há por dentro não
dá para ver. Chegando na ilha, os homens tiram o barco da água e carregam-no
pela mata rala para um lugar mais elevado. Além de lanças, eles têm alguns
arcos curiosos, cuja finalidade Un-U e Na-Ga desconhecem. Além disso um dos
homens traz nas costas um veado aparentemente vivo, com as patas amarradas.
Escondidos
na moita, Un-U e Na-Ga chegam mais perto do rio para ver melhor o que acontece
na ilha. Enquanto três dos homens usam roupas de couro, o quarto veste uma capa
de pele de urso, com a cabeça cobrindo a cabeça do homem. O grupo dirige-se a
um grande carvalho, a maior árvore da ilha. Lá chegando, executam um ritual de
adoração ao carvalho. Em seguida sacrificam o veado e repetem o ritual com
gestos corporais.
Absorvidos
por suas observações, Un-U e Na-Ga não se percebem que o vento tinha virado, e,
por mais leve que fosse, a fumaça do seu fogo é levado em direção à ilha. A
fumaça acaba por despertar a atenção e curiosidade dos quatro homens. Depois de
aparentemente debater sobre o que fazer, eles vão até onde está o barco e
colocam-no na água. Un-U fica preocupado. Ele acha mais prudente evitar um
encontro direto e, tendo o rio entre os dois grupos, se levanta e grita bem
alto para ser notado. Os quatro homens param assustados e pegam suas armas, mas
a largura do rio é maior que uma lança pode alcançar. Un-U abre seus braços sem
armas nas mãos em sinal de paz e Na-Ga o imita. Um dos homens pega um daqueles
arcos e com ele lança uma pequena lança que não chega a alcançar a margem do
rio. Un-U e Na-Ga continuam em sua posição inofensiva. Quando os homens entram
em seu barco e tomam rumo à margem onde Un-U e Na-Ga estão, os dois resolvem
abandonar o lugar, já que num eventual confronto estarão em desvantagem. Antes,
porém, Un-U pega uma de suas duas lanças e, num lugar bem visível, enfia-a com
a ponta na terra. Quando os homens aparecem em cima do barranco, Un-U e Na-Ga já
estão escondidos na vegetação numa distância segura, mas de onde podem observar
os quatro homens. Aquele da capa de pele de urso pega a lança, examina-a e
parece surpreendido com a ponta de pedra lascada, que mostra para os outros. Em
seguida, os homens ainda inspecionam o local da fogueira e lá colocam no chão
um daqueles arcos e três flechas, certamente como retribuição à lança presenteada.
Como logo estará escurecendo, parecem não estar dispostos a procurar por Un-U e
Na-Ga e tomam seu barco, retornando para a ilha.
Un-U e
Na-Ga voltam para sua fogueira e pegam o arco e as flechas que, curiosamente
não tem pontas de pedra lascada, mas de osso. Eles tinham visto como um
daqueles homens atirou uma flecha em sua direção e, assim, Un-U experimenta
atirar uma flecha, percebendo que precisa de bastante força para tencionar o
arco. A flecha voa bem mais longe que Un-U esperava, e custa para achá-la.
Eles
decidam pernoitar junto à fogueira, porém se revezem na observação da ilha,
onde os quatro homens fizeram uma fogueira, certamente também vigiando a margem
do rio.
Na manhã
seguinte, Un-U e Na-Ga voltam para a margem do rio gritam bem alto e logo veem
os quatro homens aparecer na margem da ilha. Un-U e Na-Ga abrem novamente os
braços em sinal de paz e, para sua surpresa, depois de alguma hesitação, os
quatro homens respondem com o mesmo gesto, para depois afastar-se, pegar sua
embarcação e remar subindo o rio. Foi dado o sinal para um novo encontro e Un-U
e Na-Ga retornam com seu troféu para sua aldeia.
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