terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Un-U, o Contato (5)

 

Un-U, o Contato (5)

 

(“Un-U, the Contact” - This text is written in a way to ease comprehensive electronic translation)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Aquela primeira incursão de Un-U e An-Ga rio acima, com a descoberta da ilha e o local de uma fogueira agitou todo o grupo. Obviamente foram membros de outro grupo que visitou a ilha, talvez permanecendo ali por algum tempo – ou ainda estavam lá. A grande dúvida que permanece é como descobrir quem foi que esteve lá e como seria em encontro entre os dois grupos. Ouvidos os mais velhos, Un-U e An-Ga decidem ir por terra, margeando o rio até chegar à altura da ilha. De lá irão observar a ilha por algum tempo para descobrir se havia, ou não, gente vivendo nela.

 

Munidos de suas lanças, machados e facas, além da pedra de fogo, fungo pavio e algum alimento, partem de manhã cedo. A caminhada é penosa porque a mata perto do rio é bem fechada, mas eles sempre precisam ter o rio à vista. No caminho conseguem surpreender e matar uma lebre que lhes garante comida para dois dias. Quando o sol já está alto avistam a ilha um pouco mais acima do rio. Quando ficam bem de frente para a ela, procuram um lugar onde se abrigar num pequeno baixio, que lhes permita fazer um fogo sem ser visto da ilha. O vento é favorável, impedindo que a fumaça possa ser sentida na ilha.

 

Durante dois dias nada acontece. Então, no terceiro dia, já ao entardecer, eles veem uma embarcação com quatro homens descendo o rio. A embarcação é diferente daquela que conhecem, pois é feita de pele de animal. O que há por dentro não dá para ver. Chegando na ilha, os homens tiram o barco da água e carregam-no pela mata rala para um lugar mais elevado. Além de lanças, eles têm alguns arcos curiosos, cuja finalidade Un-U e Na-Ga desconhecem. Além disso um dos homens traz nas costas um veado aparentemente vivo, com as patas amarradas.

 

Escondidos na moita, Un-U e Na-Ga chegam mais perto do rio para ver melhor o que acontece na ilha. Enquanto três dos homens usam roupas de couro, o quarto veste uma capa de pele de urso, com a cabeça cobrindo a cabeça do homem. O grupo dirige-se a um grande carvalho, a maior árvore da ilha. Lá chegando, executam um ritual de adoração ao carvalho. Em seguida sacrificam o veado e repetem o ritual com gestos corporais.

 

Absorvidos por suas observações, Un-U e Na-Ga não se percebem que o vento tinha virado, e, por mais leve que fosse, a fumaça do seu fogo é levado em direção à ilha. A fumaça acaba por despertar a atenção e curiosidade dos quatro homens. Depois de aparentemente debater sobre o que fazer, eles vão até onde está o barco e colocam-no na água. Un-U fica preocupado. Ele acha mais prudente evitar um encontro direto e, tendo o rio entre os dois grupos, se levanta e grita bem alto para ser notado. Os quatro homens param assustados e pegam suas armas, mas a largura do rio é maior que uma lança pode alcançar. Un-U abre seus braços sem armas nas mãos em sinal de paz e Na-Ga o imita. Um dos homens pega um daqueles arcos e com ele lança uma pequena lança que não chega a alcançar a margem do rio. Un-U e Na-Ga continuam em sua posição inofensiva. Quando os homens entram em seu barco e tomam rumo à margem onde Un-U e Na-Ga estão, os dois resolvem abandonar o lugar, já que num eventual confronto estarão em desvantagem. Antes, porém, Un-U pega uma de suas duas lanças e, num lugar bem visível, enfia-a com a ponta na terra. Quando os homens aparecem em cima do barranco, Un-U e Na-Ga já estão escondidos na vegetação numa distância segura, mas de onde podem observar os quatro homens. Aquele da capa de pele de urso pega a lança, examina-a e parece surpreendido com a ponta de pedra lascada, que mostra para os outros. Em seguida, os homens ainda inspecionam o local da fogueira e lá colocam no chão um daqueles arcos e três flechas, certamente como retribuição à lança presenteada. Como logo estará escurecendo, parecem não estar dispostos a procurar por Un-U e Na-Ga e tomam seu barco, retornando para a ilha.

 

Un-U e Na-Ga voltam para sua fogueira e pegam o arco e as flechas que, curiosamente não tem pontas de pedra lascada, mas de osso. Eles tinham visto como um daqueles homens atirou uma flecha em sua direção e, assim, Un-U experimenta atirar uma flecha, percebendo que precisa de bastante força para tencionar o arco. A flecha voa bem mais longe que Un-U esperava, e custa para achá-la.  

 

Eles decidam pernoitar junto à fogueira, porém se revezem na observação da ilha, onde os quatro homens fizeram uma fogueira, certamente também vigiando a margem do rio.

 

Na manhã seguinte, Un-U e Na-Ga voltam para a margem do rio gritam bem alto e logo veem os quatro homens aparecer na margem da ilha. Un-U e Na-Ga abrem novamente os braços em sinal de paz e, para sua surpresa, depois de alguma hesitação, os quatro homens respondem com o mesmo gesto, para depois afastar-se, pegar sua embarcação e remar subindo o rio. Foi dado o sinal para um novo encontro e Un-U e Na-Ga retornam com seu troféu para sua aldeia.

 

 Este texto só poderá ser reproduzido de qualquer forma e por qualquer mídia com a citação explícita do autor.     

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