sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Un-U e a Nova Arma (7)

 

Un-U e a Nova Arma (7)

(“Un-U and the New Weapon” – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

(Também acessível no blog: kl-rehfeldt.blogspot.com)

 

Depois de ter esticado uma pele de veado no chão, presa por meio de pinos pontudos de madeiras, Ma-Na e Na-I estão ocupadas em limpar com um raspador de pedra lascada o lado de dentro da pele dos restos de carne e gordura. Em seguida amaciam a pele, esfregando com uma pedra lisa e achatada uma pasta de sebo misturado com água, e deixam a pele secar num lugar fresco para a unção poder agir. Sendo uma pele bastante fina de um veado, amanhã repetirão esse processo apenas mais uma vez. Por último Ma-Na e Na-I defumarão a pele sobre um fogo feito num buraco no chão, tornando-a impermeável.

 

Enquanto isso, Un-U termina a confecção de seu arco. Depois de ter rachado ao meio um galho de cerca de dois dedos de espessura e um comprimento de aproximadamente de duas ‘els’, o comprimento entre cotovelo e ponta dos dedos, afina gradativamente cada metade do centro para as pontas, arredondado a parte onde a mão segurará o arco. Agora falta fazer os recortes nas pontas do arco onde será preso o tendão. Mas, não dispondo de um tendão animal suficientemente comprido, Un-U recorre a um material vegetal, a ráfia. Com espessura de aproximadamente meio dedo minguinho, ele a torce fortemente com o resultado de ficar muito resistente e mais fina.

 

Faltam as flechas. Galhos de não mais de um dedo minguinho de espessura, quanto mais retos, melhor, são endireitados perfeitamente sobre o fogo. O mais difícil é a preparação de ponteiras de galhada de veado com a faca de pedra lascada. Essas ponteiras são inseridas em fendas nas pontas das flechas e coladas com resina de bétula. Na outra extremidade, depois de cavar um entalho para a corda, Un-U amarra com ráfia duas penas de ave, rachadas ao meio. A nova arma está pronta.

 

Un-U escolhe uma pele velha, já com alguns rasgos, amarra-a verticalmente ente duas árvores e, com extrato de raiz de rúbia – também usado para ornar roupas –, marca um ponto vermelho no centro. As primeiras flechadas são disparas de uma distância de dez passos. Assim que os acertos melhoram, a distância é aumentada gradativamente.

 

Depois de alguns dias de prática intensa, os resultados de acerto começam a tornar-se bastante promissores. No final, Un-U consegue alcançar distâncias de mais de cem passos. Enquanto a precisão de acerto com a lança termina em cerca de trinta passos, ele consegue uma boa margem de acerto com distâncias até cinquenta passos. Mas ele espera ainda aumentar essa marca.

 

Achando que já vale a pena, junto com seu genro Na-Gue, Un-U parte para o primeiro uso na vida real. Antes de partir, porém, esfregam o corpo com folhas de eucalipto para camuflar o cheiro humano. Não dispensando suas lanças, os dois homens vão à procura de caça, querendo dar preferência ao uso do arco e das flechas. Un-U opta por procurar por javalis, em vez de veados mais rápidos, para eventualmente poder usar a lança, em caso da flecha não acertar ou, mesmo atingido, não matar o animal, e esse tentar fugir,. Ele conhece um lugar que eles visitam regularmente, pois há uma grande castanheira, soltando uma abundância de frutos na época certa, que é agora.

 

No caminho, ao passar ao lado de uma pequena clareira, avistam uma lebre. Un-U e Na-Gue aproximam-se cautelosamente abaixados na moita até esta acabar a cerca de quarenta passos do animal. Un-U pega seu arco e uma flecha da aljava, aponta cuidadosamente e atira. A flecha, porém, passa pertinho por cima do coelho que, certamente assustado com o zumbido das penas da flecha e o bater da mesma no chão, foge em saltos largos, não permitindo uma segunda tentativa.

 

Chegando perto do seu destino, já dá para ouvir um e outro grunhido a pouca distância. Embora camuflados com cheiro de eucalipto, o vento vem da direção dos javalis, o que permite que Un-U e Na-Gue se aproximem até uma distância segura para a flechada. De repente se veem diante de uma vara animais. Com gestos escolhem um javali um pouco afastado do resto do grupo. Enquanto Na-Gue fica pronto para atirar sua lança em caso da flecha de Un-U não acertar, esse escolhe uma flecha bem fina e que penetre melhor no couro do javali, coloca-a no arco, aponta e atira. Enquanto a flecha ainda está no ar, Un-U já coloca uma segunda no arco e alveja o javali. Mas, a primeira flecha acerta com precisão. Com um grunhido alto, o javali anda ainda alguns passos e cai morto. Com o grunhido, o resto da vara foge, seguindo um enorme macho, que Un-U e Na-Gue já estão preparados para ter de enfrentar, mas que, não vendo a origem do perigo, prefere fugir.

 

Quando toda a vara havia se afastado, os dois homens vão até a presa e Un-U retira a flecha do javali. É um animal bastante gordo. Eles juntam e amarram as patas dianteira, depois as traseiras. Na-Gue procura um galho suficientemente grosso, que então enfia entre as patas. Cada um dos dois pega uma extremidade do galho, colocando-a sobre o ombro e os dois seguem em direção à sua aldeia, não sem descansar por algumas vezes.

 

A nova arma aprovou.

 

Este texto só poderá ser reproduzido de qualquer forma e por qualquer mídia com a citação explícita do autor.       

 

 

 

 

  

 

 

 

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