Un-U e a Nova Arma
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(“Un-U and the New
Weapon” – This text has been written in such a way as to facilitate
translations by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
(Também acessível no
blog: kl-rehfeldt.blogspot.com)
Depois de ter
esticado uma pele de veado no chão, presa por meio de pinos pontudos de
madeiras, Ma-Na e Na-I estão ocupadas em limpar com um raspador de pedra lascada
o lado de dentro da pele dos restos de carne e gordura. Em seguida amaciam a
pele, esfregando com uma pedra lisa e achatada uma pasta de sebo misturado com
água, e deixam a pele secar num lugar fresco para a unção poder agir. Sendo uma
pele bastante fina de um veado, amanhã repetirão esse processo apenas mais uma
vez. Por último Ma-Na e Na-I defumarão a pele sobre um fogo feito num buraco no
chão, tornando-a impermeável.
Enquanto
isso, Un-U termina a confecção de seu arco. Depois de ter rachado ao meio um
galho de cerca de dois dedos de espessura e um comprimento de aproximadamente
de duas ‘els’, o comprimento entre cotovelo e ponta dos dedos, afina
gradativamente cada metade do centro para as pontas, arredondado a parte onde a
mão segurará o arco. Agora falta fazer os recortes nas pontas do arco onde será
preso o tendão. Mas, não dispondo de um tendão animal suficientemente comprido,
Un-U recorre a um material vegetal, a ráfia. Com espessura de aproximadamente
meio dedo minguinho, ele a torce fortemente com o resultado de ficar muito
resistente e mais fina.
Faltam
as flechas. Galhos de não mais de um dedo minguinho de espessura, quanto mais
retos, melhor, são endireitados perfeitamente sobre o fogo. O mais difícil é a
preparação de ponteiras de galhada de veado com a faca de pedra lascada. Essas
ponteiras são inseridas em fendas nas pontas das flechas e coladas com resina
de bétula. Na outra extremidade, depois de cavar um entalho para a corda, Un-U
amarra com ráfia duas penas de ave, rachadas ao meio. A nova arma está pronta.
Un-U escolhe
uma pele velha, já com alguns rasgos, amarra-a verticalmente ente duas árvores
e, com extrato de raiz de rúbia – também usado para ornar roupas –, marca um
ponto vermelho no centro. As primeiras flechadas são disparas de uma distância
de dez passos. Assim que os acertos melhoram, a distância é aumentada
gradativamente.
Depois
de alguns dias de prática intensa, os resultados de acerto começam a tornar-se
bastante promissores. No final, Un-U consegue alcançar distâncias de mais de
cem passos. Enquanto a precisão de acerto com a lança termina em cerca de
trinta passos, ele consegue uma boa margem de acerto com distâncias até cinquenta
passos. Mas ele espera ainda aumentar essa marca.
Achando
que já vale a pena, junto com seu genro Na-Gue, Un-U parte para o primeiro uso
na vida real. Antes de partir, porém, esfregam o corpo com folhas de eucalipto
para camuflar o cheiro humano. Não dispensando suas lanças, os dois homens vão
à procura de caça, querendo dar preferência ao uso do arco e das flechas. Un-U
opta por procurar por javalis, em vez de veados mais rápidos, para eventualmente
poder usar a lança, em caso da flecha não acertar ou, mesmo atingido, não matar
o animal, e esse tentar fugir,. Ele conhece um lugar que eles visitam regularmente,
pois há uma grande castanheira, soltando uma abundância de frutos na época
certa, que é agora.
No
caminho, ao passar ao lado de uma pequena clareira, avistam uma lebre. Un-U e
Na-Gue aproximam-se cautelosamente abaixados na moita até esta acabar a cerca
de quarenta passos do animal. Un-U pega seu arco e uma flecha da aljava, aponta
cuidadosamente e atira. A flecha, porém, passa pertinho por cima do coelho que,
certamente assustado com o zumbido das penas da flecha e o bater da mesma no
chão, foge em saltos largos, não permitindo uma segunda tentativa.
Chegando
perto do seu destino, já dá para ouvir um e outro grunhido a pouca distância. Embora
camuflados com cheiro de eucalipto, o vento vem da direção dos javalis, o que
permite que Un-U e Na-Gue se aproximem até uma distância segura para a flechada.
De repente se veem diante de uma vara animais. Com gestos escolhem um javali um
pouco afastado do resto do grupo. Enquanto Na-Gue fica pronto para atirar sua
lança em caso da flecha de Un-U não acertar, esse escolhe uma flecha bem fina e
que penetre melhor no couro do javali, coloca-a no arco, aponta e atira. Enquanto
a flecha ainda está no ar, Un-U já coloca uma segunda no arco e alveja o
javali. Mas, a primeira flecha acerta com precisão. Com um grunhido alto, o
javali anda ainda alguns passos e cai morto. Com o grunhido, o resto da vara foge,
seguindo um enorme macho, que Un-U e Na-Gue já estão preparados para ter de
enfrentar, mas que, não vendo a origem do perigo, prefere fugir.
Quando
toda a vara havia se afastado, os dois homens vão até a presa e Un-U retira a
flecha do javali. É um animal bastante gordo. Eles juntam e amarram as patas
dianteira, depois as traseiras. Na-Gue procura um galho suficientemente grosso,
que então enfia entre as patas. Cada um dos dois pega uma extremidade do galho,
colocando-a sobre o ombro e os dois seguem em direção à sua aldeia, não sem
descansar por algumas vezes.
A nova
arma aprovou.
Este texto só poderá
ser reproduzido de qualquer forma e por qualquer mídia com a citação explícita
do autor.
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