O Upgrade
Silencioso da Índia
(“India's Silent Upgrade¨ – This text has been written in such a way as
to facilitate translations by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
A comparação comum da Índia com um
elefante, um animal pesado, forte e lento, mas também cooperativo quando
domesticado, já não cabe mais. Hoje, é entendimento, ainda não tão comum, que
esse país está se tornando o mais recente tigre asiático.
A Índia sempre foi um
país misterioso. Seja em suas mais de 500 religiões, seja em suas estruturas
sociais, e, recentemente, em seu avanço tecnológico e econômico.
Poucos países são tão
marcados pelo seu passado nos últimos dois séculos como a Índia. Primeiro um
longo período de colonização, no entanto, sem colonos. Depois dessa colonização
de exploração (exportação de matérias-primas, importação de produtos acabados),
inicialmente por uma única empresa britânica, depois pelo governo do mesmo
país, a independência pacífica, mas, também a secessão do Paquistão. Em
seguida, a adoção do modelo econômico soviético, sem considerar os passados
econômicos distintos dos dois países. Enfim, com a desvinculação dessa doutrina
econômica, a busca de uma economia de mercado.
Mesmo assim, em
geral, muito pouco se conhece da Índia além de sua população numerosa (1,4
bilhão de habitantes), sua estrutura social de castas e o Taj Mahal, ou, então,
a entrada da Índia no clube nuclear em 1974, ou a recente alunagem do primeiro
veículo espacial no lado oculto da lua.
Entretanto, algo
começou a mudar no campo social a partir da década de 1980 com a chamada
“discriminação positiva¨ cujas medidas previam que uma série de vagas
universitárias e cargos no serviço público estivessem disponíveis a membros da
população original conhecidos como Adivasi (grupos tribais), bem como a grupos
de castas inferiores, como os "Intocáveis"
(Dalits), "reservados" de acordo com sua proporção na população
e sujeitos a suas qualificações e seu perfil profissional.
Porém, nesse ponto há
dois aspectos com consequências de longo prazo sobre o perfil socioeconômico da
Índia. Primeiro, como tantos outros países com desenvolvimento tardio, o país
perdeu o bônus demográfico, e deve desde já preocupar-se com seu sistema
previdenciário. Em segundo lugar, o desenvolvimento econômico da Índia é prejudicado
pelo baixo nível de educação, com uma população muito grande sem educação
primária e secundária; mesmo o ensino superior, por exemplo, não está
acompanhando um grau de desenvolvimento mais elevado, como por exemplo, o do
país vizinho, da China.
Por
outro lado, várias gerações de estudantes de nível superior importaram com seus
estudos no Estados Unidos, Europa, Austrália e outros países asiáticos
conhecimentos e tecnologias de ponta nos mais diversos campos.
O crescimento
econômico, sempre na presença de avanços tecnológicos significativos, acelerou
para uma média de 6,4% entre 1995 e 2005. Na década entre 2005 e 2015, a taxa
de crescimento foi ainda maior. Em 2017, a Índia foi a quarta economia que mais
cresceu no mundo, respondendo por 7,2%. No período de 1980 a 2022, o PIB
aumento de US$ 186,3 bilhões, 9º lugar do mundo (Estados Unidos, US$ 2.857
trilhões; Brasil, US$ 237,4 bilhões) para US$ 2.668 trilhões, 5º lugar no
mundo, (Estados Unidos, US$ 21,06 trilhões – aumento de ,74 vezes: Brasil, US$
1,449 trilhão – aumento de 6,1 vezes). Com um crescimento relativamente pequeno
(média de 1,2% ao ano na última década) resultou no mesmo período um aumento do
PIB per capita de US$ 267,39 para US$ 2.301,42, um aumento de 8,6 vezes.
A Índia não tem
passado de país industrializado. Mesmo no presente, é uma área sem grande
expressividade. Existe até a possibilidade da Índia simplesmente pular a faze
de industrialização, onipresente em todos os países desenvolvidos. Nesse
aspecto não se deve esquecer que o setor industrial, empregando cada vez menos
mão de obra, tem pouco a pouco menos influência direta sobre o progresso social
da economia. O que realmente impulsionou o crescimento econômico foi, e
continua sendo a expansão do setor de serviços, substancialmente beneficiado
pelo amplo domínio da língua inglesa por boa parte da população (por exemplo,
já na década de 1990, grande parte de multinacionais tinham seus call centers
na Índia). E esse crescimento está presente em praticamente todas as
macroeconomias.
Importante é observar
que cerca de dois terços da população indiana vivem da agricultura. Existem
aproximadamente 137 milhões de propriedades agrícolas na Índia, 60% possuem
menos de um hectare. Apesar dessas estruturas agrárias, a Índia é o segundo
maior produtor mundial de arroz, trigo e cana-de-açúcar, bem como o maior produtor
mundial de frutas e leite.
Esse fator
conjuntural poderá ser importante, pelo menos em caráter transitório, quando o
mundo se vê diante de consequências pouco previsíveis que o avanço da
inteligência artificial terá sobre o setor de serviços.
O Fundo Monetário
Internacional (FMI) espera que a economia indiana continue a crescer mais de
seis pontos percentuais do PIB nos próximos anos, tornando-se o crescimento
mais forte do mundo. Os longos anos da "taxa hindu de crescimento
econômico", como o estado insignificante da economia do subcontinente foi
ridicularizado, acabaram. Usando bem seus potenciais indiscutíveis, o país de
1,4 bilhão de habitantes pode se tornar uma superpotência global.
Tudo indica que ainda
nesta década, a Índia deverá ocupar o 4º lugar entre as maiores potências
econômicas do mundo.
Tudo isso é realidade na Índia atual.
ResponderExcluirParece inconcebível entretanto que este mesmo país ainda conviva com uma taxa de analfabetismo altíssima, crescimento demográfico descontrolado e saneamento urbano praticamente inexistente e a maior parte da população abaixo da linha de pobreza.