domingo, 18 de fevereiro de 2024

Un-U e a Caça de Mamutes (10)

 

Un-U e a Caça de Mamutes (10)

(“Un-U and the Mammoth Hunt – This text has been written in such a way as to facilitate translations by electronic means)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Estamos no outono e o inverno está se aproximando. Está na hora de formar as reservas de alimentos para poder passar o inverno. Em-Do reúne todo o grupo para falar sobre uma próxima caçada a mamutes. Nessa época, esses animais migram em manadas para o sul, sempre usando as mesmas rotas, deixando nítidas marcas de sua passagem na natureza. Quando o clã chegou à sua nova aldeia era primavera, e na sua marcha cruzaram por diversas dessas rotas, uma delas não muito distante da aldeia.

 

O plano é simples: eles seguem uma manada até localizar um animal mais afastado da manada, que então será cercado e atacado com lanças dos dois lados. Dessa vez, as mulheres e as crianças maiores acompanharão os homens à distância para depois ajudar no carnear o mamute e transportar carnes, ossos, tendões, dentes e o couro para a aldeia. Apenas os velhos e as mães com crianças pequenas permanecem na aldeia.

 

As manadas costumam movimentar-se com relativa lentidão, sempre parando onde encontram alimento farto. Dessa maneira, alguns homens vão até a suposta rota de migração, seguindo-a para o norte até avistar uma manada para então retornar e avisar todo o grupo. Enquanto isso, os homens dedicam-se a suas armas, deixando-as o mais perfeito possível. Un-U embora leve uma lança, dará preferência a seu arco e flechas. Ele preparou flechas com pontas de pedra lascada, apenas um pouco mais largas que a grossura da varra de madeira para conseguir uma maior penetração no animal. Ele percebeu que a flecha atirada com bastante força, chega à presa com maior impacto que a lança.

 

Depois de poucos dias, os batedores retornam com a notícia da aproximação de uma manada. Agora, tudo vai muito rápido. Os homens, chegando à rota, também seguem para o norte até encontrar a manada que deixam passar, para então segui-la até o momento apropriado para abater um animal.

 

Perto do anoitecer notam um animal afastar-se um pouco do grupo em busca de um arbusto. Quando está ocupado em se alimentar, o grupo o carca e, a um sinal, atacam ao mesmo tempo. O mamute, ferido por várias lanças e duas flechas de Un-U, solta um alto bramido e, sem reagir, corre em direção à manada. Nisso, um macho percebeu os homens e corre em sua direção em defesa do outro animal. Os homens fogem em várias direções para dificultar ao mamute furioso escolher sua vítima.

 

Nessa fuga, Ne-Me, o genro de Ne-Me tropeça e cai. Por alguma razão e custa para levantar-se e o mamute consegue atingí-lo com um de seus dentes, joga-o para cima onde Ne-Me gira algumas vezes no ar para então cair no meio de alguns arbustos. Todo o grupo tenta distrair o mamute, assim afastando-o de Ne-Me. Os que ainda têm uma lança, atiram-na contra o mamute, outros jogam pedras e Un-U consegue atingi-lo com duas flechas. O mamute bate em retirada.

 

O mamute, alvo de sua caçada, anda mais um pouco, visivelmente enfraquecido, para então cair morto. Ao mesmo tempo, os homens correm em socorro a Ne-Me e encontram-no gravemente ferido e fortemente sangrando de uma grande perfuração ao lado do corpo, logo abaixo das costelas. Ele morre antes de sua mulhar, Nu-E, conseguir chegar. As mulheres e crianças viram toda a caçada e o acidente com Ne-Me de distância.

 

Enquanto Nu-E e dois homens levam o corpo de Ne-Me para a aldeia, as lanças e flechas são retiradas do corpo do mamute e todos começam a tirar couro bastante peludo e carnear a caça. Ao passo que as peças de carne são retiradas, as mulheres e crianças as levam para a aldeia. Tudo tem de ser muito rápido antes das hienas aparecerem. Carne, couro, marfim, tendões, gorduras, tripas e ossos, tudo é levado para a aldeia e aproveitado. No meio dela, cercada pelas fogueiras das outras tendas, ergue-se uma tenda destinada receber a carne, tendões e tripas depois de secada sobre o fogo e que então é pendurada em cavaletes. Os ossos secarão ao sol.

 

No dia seguinte, na presença de do clã, se faz o enterro de Ne-Me. Uma cova é escavada próxima à aldeia onde Un-U e Nu-E o colocam em posição fetal, juntamente com sua lança, seus ornamentos, uma tocha e alguns alimentos para sua viagem ao outro mundo e cobrindo tudo com uma pele. A cova é fechada com terra e uma grande pedra das proximidade é rolada por vários homens até em cima da tumba.

 

Depois de alguns dias, Nu-E desarma sua tenda e volta para a dos pais. Durante muito tempo ela é vista frequentemente sentada calmamente ao lado daquela pedra.

 

 

Este texto só poderá ser reproduzido de qualquer forma e por qualquer mídia com a citação explícita do autor.     

 

 

 

 

    

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário