Un-U e a Caça de
Mamutes (10)
(“Un-U and the
Mammoth Hunt – This text has been written in such a way as to facilitate
translations by electronic means)
Klaus H. G. Rehfeldt
Estamos no outono e o
inverno está se aproximando. Está na hora de formar as reservas de alimentos
para poder passar o inverno. Em-Do reúne todo o grupo para falar sobre uma
próxima caçada a mamutes. Nessa época, esses animais migram em manadas para o
sul, sempre usando as mesmas rotas, deixando nítidas marcas de sua passagem na
natureza. Quando o clã chegou à sua nova aldeia era primavera, e na sua marcha
cruzaram por diversas dessas rotas, uma delas não muito distante da aldeia.
O plano
é simples: eles seguem uma manada até localizar um animal mais afastado da
manada, que então será cercado e atacado com lanças dos dois lados. Dessa vez,
as mulheres e as crianças maiores acompanharão os homens à distância para
depois ajudar no carnear o mamute e transportar carnes, ossos, tendões, dentes
e o couro para a aldeia. Apenas os velhos e as mães com crianças pequenas
permanecem na aldeia.
As
manadas costumam movimentar-se com relativa lentidão, sempre parando onde
encontram alimento farto. Dessa maneira, alguns homens vão até a suposta rota
de migração, seguindo-a para o norte até avistar uma manada para então retornar
e avisar todo o grupo. Enquanto isso, os homens dedicam-se a suas armas,
deixando-as o mais perfeito possível. Un-U embora leve uma lança, dará
preferência a seu arco e flechas. Ele preparou flechas com pontas de pedra lascada,
apenas um pouco mais largas que a grossura da varra de madeira para conseguir
uma maior penetração no animal. Ele percebeu que a flecha atirada com bastante
força, chega à presa com maior impacto que a lança.
Depois
de poucos dias, os batedores retornam com a notícia da aproximação de uma
manada. Agora, tudo vai muito rápido. Os homens, chegando à rota, também seguem
para o norte até encontrar a manada que deixam passar, para então segui-la até
o momento apropriado para abater um animal.
Perto
do anoitecer notam um animal afastar-se um pouco do grupo em busca de um
arbusto. Quando está ocupado em se alimentar, o grupo o carca e, a um sinal,
atacam ao mesmo tempo. O mamute, ferido por várias lanças e duas flechas de
Un-U, solta um alto bramido e, sem reagir, corre em direção à manada. Nisso, um
macho percebeu os homens e corre em sua direção em defesa do outro animal. Os
homens fogem em várias direções para dificultar ao mamute furioso escolher sua
vítima.
Nessa
fuga, Ne-Me, o genro de Ne-Me tropeça e cai. Por alguma razão e custa para
levantar-se e o mamute consegue atingí-lo com um de seus dentes, joga-o para
cima onde Ne-Me gira algumas vezes no ar para então cair no meio de alguns
arbustos. Todo o grupo tenta distrair o mamute, assim afastando-o de Ne-Me. Os
que ainda têm uma lança, atiram-na contra o mamute, outros jogam pedras e Un-U
consegue atingi-lo com duas flechas. O mamute bate em retirada.
O
mamute, alvo de sua caçada, anda mais um pouco, visivelmente enfraquecido, para
então cair morto. Ao mesmo tempo, os homens correm em socorro a Ne-Me e
encontram-no gravemente ferido e fortemente sangrando de uma grande perfuração
ao lado do corpo, logo abaixo das costelas. Ele morre antes de sua mulhar, Nu-E,
conseguir chegar. As mulheres e crianças viram toda a caçada e o acidente com
Ne-Me de distância.
Enquanto
Nu-E e dois homens levam o corpo de Ne-Me para a aldeia, as lanças e flechas
são retiradas do corpo do mamute e todos começam a tirar couro bastante peludo
e carnear a caça. Ao passo que as peças de carne são retiradas, as mulheres e
crianças as levam para a aldeia. Tudo tem de ser muito rápido antes das hienas
aparecerem. Carne, couro, marfim, tendões, gorduras, tripas e ossos, tudo é
levado para a aldeia e aproveitado. No meio dela, cercada pelas fogueiras das
outras tendas, ergue-se uma tenda destinada receber a carne, tendões e tripas
depois de secada sobre o fogo e que então é pendurada em cavaletes. Os ossos secarão
ao sol.
No dia
seguinte, na presença de do clã, se faz o enterro de Ne-Me. Uma cova é escavada
próxima à aldeia onde Un-U e Nu-E o colocam em posição fetal, juntamente com
sua lança, seus ornamentos, uma tocha e alguns alimentos para sua viagem ao
outro mundo e cobrindo tudo com uma pele. A cova é fechada com terra e uma grande
pedra das proximidade é rolada por vários homens até em cima da tumba.
Depois
de alguns dias, Nu-E desarma sua tenda e volta para a dos pais. Durante muito
tempo ela é vista frequentemente sentada calmamente ao lado daquela pedra.
Este texto só poderá ser reproduzido de qualquer forma e
por qualquer mídia com a citação explícita do autor.
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