domingo, 20 de dezembro de 2020

Vacinação Obrigatória

 

A Obrigatoriedade da Vacina

 

(“Compulsory Vaccination” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Comentários e posicionamento sobre a obrigatoriedade, ou não, da vacina contra o Covid-19 estão se tornando recorrentes nos mais diversos canais de mídia. Nas próprias instâncias governamentais não há unanimidade, nem no Brasil, nem em outros países. Há argumentos os mais diversos entre técnicos, políticos e religiosos a favor e contra uma vacinação compulsória. Não devemos esquecer, porém, que a mesma já existe com relação a outras doenças infecciosas, lembrando, por exemplo, os imunizantes indicados no Plano Nacional de Vacinação (PNI). Essas vacinas são obrigatórias para crianças e adolescentes, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os pais que se recusarem a levar os filhos para se imunizarem podem sofrer sanções. São, por exemplo, a vacina BCG (Bacilo Calmette-Guerin), ou a pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e todas as infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B). A obrigatoriedade em si deveria, portanto, estar fora de questão.

            No caso específico das diversas vacinas desenvolvidas, ou em desenvolvimento contra o Covid-19 observamos obviamente um insuflamento da polêmica por razões políticos-ideológicos.

Tudo indica, porém, que toda a questão da vacinação, ou não, será tratada e resolvida num plano muito mais pragmático. Precisamos nos convencer da probabilidade de que teremos que conviver por muito tempo com esse vírus e eventuais outros a vir. Enquanto vivermos em cidades com até 42 mil habitantes por quilómetro quadrado e podendo chegar a qualquer lugar no mundo em menos de 24 horas, o risco de propagação rápida e incontrolável de qualquer vírus é inevitável.

Como aprendemos muito na maneira como lidar com a pandemia atual, também aprenderemos como nos proteger na medida do possível, com ou sem lei de obrigatoriedade. Resulta daí, que medidas muito práticas e simples deverão condicionar a tomada de decisão a favor ou contra a vacinação por parte do sistema e da própria população a partir no momento da disponibilidade das vacinas. Nada impedirá que países exijam o atestado de vacinação no momento de entrada por via aérea ou terrestre. Cruzeiros e outras atividades em turismos coletivos, mas também hotéis, ou similares, podem optar pela exigência dessa certificação para seus clientes e hóspedes. E empresas podem exigir na contratação que candidatos a emprego submetam prova de vacinação. A lista pode ser estendida para companhias aéreas e outras que concluam que não querem incorrer no risco de macular seu bom conceito por negligência nesse aspecto.

Tudo, no entanto, dependerá da anuência voluntaria da população aos planos de vacinação proporcionados pelo governo. Quanto maior ela for, menos e menores são as eventuais medidas protetoras possíveis por entidades não governamentais. De qualquer maneira, parece que um atestado digital de vacina contra o Covid-19 no celular deverá facilitar a vida.

      


sábado, 7 de novembro de 2020

Mudanças no Mundo do Trabalho

Mudanças no Mundo do Trabalho

 

(“Changes in the Labor World” - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desde o surgimento da classe dos assalariados, um dos centrais aspectos econômicos, políticos e sociais de uma sociedade é sua situação de emprego, ou desemprego. Atualmente, aspectos como a insegurança a incerteza para o amanhã decorrentes de sensíveis mudanças conjunturais lançam fortes sombras sobre o mercado de trabalho. Elevadas e generalizadas taxas de desemprego contribuem para tais percepções.

No Brasil, essa anomalia negativa tem girado em torno dos 10% nas últimas décadas com picos de 13% em 2015 e os atuais 14%, significando 13 milhões de desempregados de uma força de trabalho de pouco mais de 100 milhões de pessoas. Ao lado deste quadro grave há outro: o de 45 milhões de estimados trabalhadores informais, ou seja, cerca de 50% da população ocupada.

No momento, parte dessa situação, obviamente, decorre das medidas restritivas consequentes da pandemia do coronavírus. Outra parte é o resultado de um processo conjuntural em pleno desenvolvimento – a automação e robotização dos processos industriais e de distribuição.

Existe, no entanto, um fenômeno compensatório paralelo e um tanto esquecido. Há hoje no Brasil cerca de 10 milhões de MEIs (microempresas individuais), com 1 milhão dela criadas durante o período do Covid-19, sem contar as ‘MEIs’ informais. Somados aos 6,5 milhões de microempresários (não individuais) percebe-se que mais de 16% da força de trabalho brasileira é constituído dessa categoria. Ao lado desses existem cerca de 25 milhões de trabalhadores por conta própria (autônomos), perfazendo outros quase 25% da força de trabalho. Somando isto, resultam 40% da força de trabalho brasileiro consistindo de trabalho sem vínculo empregatício.

Em virtude de uma complexidade cada vez maior do nosso mundo em decorrência de crescentes níveis de tecnologia com penetração em todas as camadas populacionais observa-se uma progressiva expansão da área de prestação de serviços, do setor terciário. E é exatamente nesse setor que atua a mão de obra de autônomos, microempresas e MEIs. Nada indica que esta tendência positiva possa sofrer uma reversão sob as condições conjunturais atuais.

A continua redução de mão de obra na área de geração e distribuição de bens materiais, simultânea com uma quase constante expansão e ampliação do terceiro setor, está clamando por uma via de compensação. A migração da mão de obra entre esses setores nem sempre é simples uma vez que os perfis profissionais são bastante distintos. Há a urgente necessidade de mecanismos e estratégias de adaptação e reciclagem profissional do trabalhador liberado do chão de fábrica para a produção de serviços. Como exemplo basta citar o segmento de tecnologia de informação que atualmente oferece milhares de postos de trabalho a serem preenchidos.

Uma sociedade, ou governo, cujo setor de serviços contribui com mais de 70% para o PIB, como é o caso brasileiro, não poderá furtar-se de empenhar todos os esforços num preparo profissional ajustado a novas realidades de mercado, nem de criar condições mínimas – desde o ensino escolar – que permitam uma maior flexibilidade da mão de obra num mundo em rápida transformação tecnológica, econômica e social. Morreu o emprego vitalício. Dadas tais condições, o fantasma do desemprego poderá ser visto não sob o ângulo da falta de trabalho, mas da carência de um preparo adequado para um mm constante mutação. 

 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Alfabetização ou Competência Social

 

Alfabetização ou Competência Social?

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Os tempos mudaram, o homem mudou e consequentemente mudaram os requisitos na preparação para a vida. Novos desafios vêm se impondo já há algum tempo sem, no entanto, com poucas respostas concretas. Acidentalmente, todo o sistema educacional sofreu severos impactos e rupturas devido à pandemia do covid-19. Resultaram disso muitas tentativas de ajuste, algumas com perspectiva de se perpetuarem. Percebe-se um certo esforço em adaptar métodos e estratégias de ensino aos requisitos impostos e às facilidades oferecidas pela moderna civilização digital. Nada ou muito pouco, porém, se vê no sentido de uma reorientação dos conteúdos ensinados.

Isso cria realidades absolutamente desfavoráveis à formação da criança. O extremamente fácil e espontâneo acesso à informação, por exemplo, semeia e desenvolve na criança um conhecimento impensável até na geração passada, de um lado sintonizado com o nível de compreensão e interesse individual, de outro, bastante difuso e desorganizado. Não se observa qualquer preocupação com o ordenamento desse conhecimento no atual sistema educacional. Inadequações dessa ordem alimentam cada vez mais respostas como, por exemplo, o home-schooling (no Brasil praticamente desconhecido, onde os próprios país, na disponibilidade da devida orientação, assumem o ensino dos filhos).

Igualmente nas últimas décadas, cresceu constantemente o número de famílias com o casal ocupado profissionalmente, resultando numa progressiva terceirização da função familiar – especialmente no aspecto da formação de caráter e adequação comportamental – para a escola sem que ela estivesse preparada para tal. As consequências disso não demoraram a aparecer. Problemas de conflito de convivência, como intolerância, falta de respeito com colegas e professores, bullyimg e outros entraram no cotidiano escolar – sem encontrar respostas satisfatórias.

Essas duas realidades conjugadas apontam para a necessidade do desenvolvimento de Competência Social como primeiro conteúdo na vida escolar da criança. A competência social da pessoa resulta da combinação da inteligência social, que consiste na leitura e compreensão o meio social, com a responsabilidade social, que constitui-se das respostas sociais que resultam dessa compreensão. Em outras palavras, aprimorar uma apropriada interação social.

O desenvolvimento da inteligência social é um processo natural na formação da personalidade da pessoa desde a infância e é especialmente estimulado no momento em que a criança é inserida em meios sociais mais amplos como a creche ou escola. Mas é um processo que pode ser influenciado positiva ou negativamente. Por exemplo, a criança nasce sem medos ou preconceitos. A criação do medo age positivamente na construção de cautelas, por outro lado, alimentação de preconceitos contribui, entre outros efeitos, para a segregação e exclusão de indivíduos ou grupos. Percebe-se claramente a conveniência – talvez a necessidade – de facilitar na criança uma leitura social apropriada.

Por seu lado, a responsabilidade social, diferentemente do empirismo observado em grande parte das práticas do meio empresarial, é a tradução dos resultados dessa leitura em atos e atitudes socialmente corretos, aceitáveis e facilitadores. Aspectos centrais na constituição de responsabilidades sociais são o aprimoramento de uma comunicação clara e autoconfiante (onde o exemplo do educador tem um papel importante), a aceitação do erro (próprio e alheio, tanto no aspecto da responsabilidade quanto no da lição e do aprendizado), o lidar com diferenças e as consequentes críticas positivas ou negativas, bem como a evitação de conflitos, ou a aceitação de mudanças. No caso do universo infantil é preciso respeitar e realimentar as motivações espontâneas e a imensa capacidade criativa inata à criança.

 

A construção de uma consistente competência social como ponto de partida na vida escolar certamente assegurará uma convivência menos conflituosa para educadores e educandos e, por conseguinte, um aprendizado mais racional, eficiente e proveitoso. A posterior alfabetização e as primeiras continhas, com toda certeza, serão mais produtivas.

 

Nota:  Maiores detalhes sobre Competência Social poderão ser encontrados no livro: Rehfeldt, Klaus H. G., ‘Competência Social – A interação bem sucedida’, Amazon/Kindle, e-book     

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Vacinas

 Vacinas

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Quem não conhece o passado não compreende o presente, muito menos consegue projetar um futuro.

Vacinas não são novidade como podíamos imaginar. Acredita-se que os experimentos com essa técnica começaram na China (talvez na Índia) já em torno de 200 a.C. Médicos chineses selecionaram pessoas com casos leves de varíola para obter uma proteção imunizante, removendo nos infectados crostas das marcas da doença. Os pedaços foram moídos em pó e inseridos no nariz da pessoa a ser imunizada. Uma ‘vacina’ que nunca saiu da Ásia e se perdeu nos tempo.

Na medicina mais moderna, porém, os médicos na Europa viam-se até o século XIX geralmente impotentes contra as epidemias generalizadas e recorrentes. Uma dessas doenças infecciosas generalizadas era a varíola, que matou cerca de 30% dos afetados ou deixou os sobreviventes frequentemente desfigurados por cicatrizes. Por outro lado, percebeu-se cedo que pessoas uma vez infectadas se tornaram imunes contra novos contágios. Esse conhecimento e outras suspeitas na mesma direção se tornariam a base para todos os trabalhos futuros em busca de imunizações.

Tais esforços eram desenvolvidos por médicos que dedicaram longos e longos anos a estudos, pesquisas, reformulações e recomeços, enfrentando riscos e fracassos paricias até chegar a resultados positivos. Edward Jenner, Theodor C. Eulner, Louis Pasteur, Roberto Koch, para citar apenas alguns nomes, empenharam-se por décadas até vir seus esforços coroados de êxito com as respostas positivas em seus pacientes. Doenças como difteria, raiva, tuberculose, tétano, entre outras tantas, puderam então ser evitadas mediante imunizações prévias. Iniciarem-se vacinações em grande escala resultando na exterminação de muitos flagelos históricos.

Embora as pesquisas pessoais continuassem, como no caso de Jonas Salk e Albert Sabin na busca da vacina contra a paralisia infantil, surgiram no século XX os grandes laboratórios farmacêuticos. Esforços individuais, até então orientados principalmente pelo serviço à ciência e o bem estar humano, passaram a ser desenvolvidos no modelo de laboratório industrial de forma programada e estruturada com o fim primordial de gerar lucros. Com isso, não apenas medicamentos, mas também vacinas puderam ser criados, produzidos e testados em tempos mais curtos e em grandes quantidades. Embora algumas pesquisas virais, como a da imunização contra o ebola, continuem sem resultados satisfatórios a décadas, tecnologias avançadas permitem hoje a criação de vacinas em questão de meses, como no caso do imunizante contra a gripe H1N1, ou do covid-19, com 160 laboratórios em todo mundo se empenhando paralelamente na descoberta, criação e produção da vacina mais eficiente. Curiosamente, grandes indústrias farmacêuticas surgiram em épocas recentes exatamente em locais que, há milhares de anos, eram palco de trabalhos pioneiros nesse ramo, a Índia e a China.

Sempre houve ao longo da história resistências contra a aplicação de vacinas, provindo das mais diversas origens como igrejas ou convicções pessoais, mas também de próprias áreas médicas, ou oriundas da ignorância popular, como ocorrido em 1904 no Rio de Janeiro (a Revolta da Vacina) contra a vacina da varíola, ou ainda da incompreensível discriminação da origem de vacinas, priorizando posições ideológicas sobre questões de saúde da própria população. Entretanto, por conhecimento dos benefícios ou puro bom senso, a grande maioria das populações tem aderido à vacinações de toda ordem, em proteção própria e do próximo.  

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

China

 China

 

(“China” – This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Muito se discuta sobre o poder econômico e político da China na atualidade sob um aspecto central: a ameaça comunista que ela representa para o mundo. Uma argumentação, nem sempre baseado em maiores conhecimentos sobre esse pais.

A China já existiu como País do Meio nos tempos da guerra de Troia. Já fornecia seda para as damas do Império Romano através da Estrada da Seda de 6.400 quilómetros e viagens que levavam até dois anos. Existia na penumbra da história durante séculos até ser redescoberta com a expansão das rotas marítimas. Governos autocráticos fracos e corruptos permitiram uma colonização sui generis por parte da França, Inglaterra, Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão. Enquanto persistia a nação politicamente independente, a ‘economia’ passou a ser realizada completamente por tais países, inclusive sob a legislação dos mesmos. Nos séculos 18 e 19, grandes partes do território chinês foram desmembradas e transformadas em territórios ultramarinos. Com direitos amputados no próprio país, a população, predominantemente agrícola, foi deixada numa pobreza extrema. Exemplo do grau de humilhação do povo chinês foi a praça no centro de Shanghai, frente ao Banco da China, ‘vedada a cachorros e chineses”.

 Com o fim da segunda guerra mundial e da ocupação japonesa surgiu um sentimento nacionalista forte e amplo. Novas lideranças políticas substituíram o regime imperial e na absoluta ausência de ativos públicos e privados, a venda do ideal comunista encontrou eco favorável no país e foi adotado como matriz política, até mesmo porque somente uma capitalização do estado oferecia chances de algum desenvolvimento. Não foi o modelo de comunismo russo envolvendo a demolição de uma estrutura social (embora precária), inexistente na China de então. Além disso, os causadores da situação calamitosa eram estrangeiros, o que muito contribuiu para um nacionalismo emergente, o que num regime socialista mais resultou em nacional-socialismo (o termo foi inviabilizado pela sua aplicação no Terceiro Reich) do que em comunismo na sua concepção clássica.

Levou algumas décadas para a constituição – com muito sacrifício para a população – de um capital de Estado suficientemente consistente para iniciar a realização de investimentos que permitissem uma nova realidade econômica direcionada para a formação de infraestruturas e a industrialização do país e que em curto espaço de tempo redundou num novo modelo de regime: uma nação, dois sistemas, onde o estado ‘comunista’ convive com uma economia de mercado, e isso com muito sucesso.

Há efetivas máculas inerentes a governos autoritários (violação de direitos humanos, intolerância a manifestações críticas, etc.) que merecem ser questionadas, mas o enfrentamento desses problemas é assunto estritamente interno da China.

O desconhecimento de todo esse passado e da história recente do país leva fatalmente a juízos falsos e conclusões equivocadas. Capitalismo e socialismo convergem cada vez mais para uma síntese social-capitalista. As economias capitalistas de mercado abrem-se cada vez mais para iniciativas em busca de melhorias sociais e regimes socialistas gradualmente incorporam princípios da livre iniciativa capitalista, e observa-se uma clara diluição nas frentes ideológicas.

Diferentemente da União Soviética na guerra fria, a China não tem qualquer interesse em ter o comunismo em sua agende de exportação. Seu único objetivo é firmar-se e expandir suas posições no mercado mundial e consolidar seu poder político, seguindo estratégias precisamente planejadas e executadas, sabidamente com muita frieza, energia e determinação. Atitudes consequentes sem concessões. “China first”, mas discretamente. Com condições geopolíticas para tal, o alcance de uma futura hegemonia mundial é mera consequência e segue a lei histórica da alternação dessa posição. No passado, tais mudanças eram causa ou consequência de conflitos bélicos, um cenário altamente improvável em nossos tempos. Alguém sempre estará na ponta. A forma de governo pouco influi nisso.

Fica evidente, assim, a inutilidade de querer refrear ou até impedir um processo evolutivo solidamente configurado. Ao contrário, cabe reconhecer essa realidade e estudar o quanto antes as formulas que permitam a melhor forma de convivência com novas realidades de política e economia internacional, garantindo progresso e prosperidade dentro da nova situação factual.

A China garantiu sua posição como player poderoso no mercado global com o qual a conciliação de interesses mútuos é essencial. O ‘nacional-comunismo chinês’ é antes de mais nada uma assunto interno da China. Divergências ideológicas são absolutamente secundárias, jamais devendo interferir num relacionamento respeitoso, pragmático e proveitosa entre as nações.          

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Demografia e Prosperidade

Demografia e Prosperidade

(‘Demographics and Prosperity’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Durante muito tempo da civilização humana, preponderantemente agrícola, a prosperidade da família dependia fortemente do tamanho da família. A riqueza da família, mas também do grupo, consistia na grande quantidade de filhos, na verdade, acompanhada de expressivos índices de mortandade infantil. Em tempos em que toda a energia provinha das mão do homem, eventualmente reforçada com a tração animal, mesmo o trabalho infantil produzia mais do que consumia. As populações cresciam a taxas em torno de 3% ao ano devido a também elevadas taxas de mortandade na média idade decorrentes de epidemias, fenômenos naturais e guerras. Resultavam daí baixas expectativas de vida.

Essa realidade perdurou até a invenção de nova fontes de energia e o surgimento de mais avançadas modalidades de ganho do sustento com a figura do assalariado, de oportunidades e modos de vida, mas especialmente de uma profunda mudança nos padrões sanitários e medicinais. Observa-se uma radical evolução de recursos existenciais pela disponibilidade de meios para uma vida em crescente prosperidade. De geração a geração aumenta a prosperidade e a conjuntura caminha em direção ao consumismo.

O que não mudou foi o modelo familiar com numerosos filhos, agora com taxas mais reduzidas de mortandade infantil e absorção da disponibilidade de mão-de-obra pelas atividades industriais em plena expansão. O avanço tecnológico serviu de combustível para uma economia de consumo cada vez mais intenso e extenso.

A combinação de dois fatores, na verdade interligados, causaram uma ruptura na evolução demográfica até aqui observada: uma disposição inusitada na mulher em buscar uma melhor educação e vontade de participar ativamente no mercado de trabalho, e o surgimento da pílula que permitiu um planejamento familiar beneficiando essa iniciativa.

As consequência não demoraram a aparecer. No curto espaço de duas gerações, as netas de avós com 6 filhos tiveram somente 2 ou apenas 1 filho. Um estudo longitudinal em 195 países (praticamente a nível mundial) de 1950 a 2019 concluiu que a taxa média de fecundidade despencou de 4,7 para 2,4 filhos por mulher, e em quase metade desses países essa taxa caiu para menos de 2 filhos, ou seja, abaixo da taxa de reposição da população (Brasil, 1,7 filho por mulher).

Por outro lado aumentou a expectativa de vida média mundial desde 1960 de 52,6 para atuais 72 anos, com valor máxima de 83 anos no Japão (Brasil, 76 anos). No entanto, o aumento da expectativa de vida não resulta apenas do prolongamento da vida dos idosos, mas também a meia idade ganha em extensão, incrementando a produtividade de vida das pessoas.

É importante notar, porém, que ambas as evoluções têm limite: a taxa de fertilidade deverá se estabelecer ao redor de 1,5 filho por mulher, e a expectativa de vida (hoje já fortemente sustentada por meios medicinais) dificilmente deverá ir muito além dos 90 anos por simples determinação biológica. Quanto mais a humanidade se aproximar desses valores, maior será o restabelecimento de um equilíbrio entre nascimentos e mortes, porém, com clara e inexorável queda da população.

Isso é ruim? Tudo indica que não. Numa economia de consumo, obviamente um crescimento negativo da população obviamente se traduz em consumo menor de bens e serviços, mas também de recursos e matérias primas, consequentemente de produção menor e – redução da mão-de-obra. Essa redução, entretanto, será compensado tanto pela diminuição da população, quanto pela automação e robotização das atividades já em curso, embora não se saiba hoje em que grau tal compensação se dará.

Outrossim, a transferência de bens para gerações cada vez menores resulta em natural aumento de patrimônio. Enquanto tradicionalmente o patrimônio dos pais era retalhado na distribuição entre 4, 5 ou mais filhos, com uma taxa de fertilidade abaixo de dois filhos por mulher haverá uma concentração de patrimônio acumulado com o trabalho de gerações anteriores.

No plano coletivo, futuras gerações encontrarão uma já existente infraestrutura, beneficiando uma população cada vez menor, assim proporcionando maior conforto em usá-la. Isso terá efeitos expressivos, por exemplo, na educação e formação das próximas gerações, mas também na qualidade de vida geral.

A perspectiva é essa: viver no Brasil daqui a uma geração com talvez 10 milhões a menos de habitantes, mas com toda a riqueza construída nesse período e anteriormente. Uma projeção animadora!

 

sábado, 3 de outubro de 2020

Do Acaso ao Ocaso?

 Do Acaso ao Ocaso?

 

(‘From Chance to Doom?’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Incontáveis acasos e caprichos da natureza encontram-se na origem das condições ‘geotípicas’ que fazem da Terra o que ela é – ou poderia ser. Acasos meramente cósmicos ou venturas do livro de Genesis, não importa, somos obrigados a concordar que nosso planeta possui características e particularidades extremamente complexas, abstrusas, específicas e improváveis de replicação nesse imenso universo, ainda mais cronologicamente coincidentes.

Aleatoriedades causadoras de outras casualidades. Entre incontáveis corpos celestes, encontramo-nos num planeta girando, por acaso cósmico, numa órbita razoavelmente precisa (sofremos um afastamento do sol de cerca de três metros por ano) que garante a manutenção da oscilação de temperatura numa minúscula faixa de poucas dezenas de graus (em constante relação mútua entre os hemisférios) num espectro possível do zero absoluto a 5.500 graus Celsius na superfície do sol, ou aos cerca 1032 graus Celsius na hora do Big Bang.

Faz parte desse acaso cósmico a própria massa exata necessária para segurar sua atmosfera numa densidade a permitir as condições climáticas em parâmetros restritos, como a limitadíssima faixa barométrica.

Nesse mesmo planeta, por um acaso químico-físico, entre inúmeros gases que possam formar qualquer atmosfera planetária, apenas uma sensível composição de 78,09% de nitrogênio, 20,95% de oxigênio, 0,93% de argônio, 0,039% de gás carbônico e pequenas quantidades de outros gases viabiliza e assegura a existência da flora e fauna existente. Um pequeno aumento da participação de oxigênio nessa atmosfera para 27% cobriria esse mundo de combustões espontâneas.

Entre inúmeras disponibilidades, possibilidades e eventualidades, por um acaso biológico, determinadas matérias orgânicos se combinaram para formar estruturas com vida temporária e a capacidade de sua reprodução. Por um acaso geográfico, os 70% de superfície de água asseguram o contínuo ciclo de circulação da água que mantém vivo o delicado e intrincado conjunto de fauna e flora, cuja subsistência resulta da delicada interdependência. Esses são apenas alguns de inúmeros acasos e eventualidades que compõem as propriedades e peculiaridades específicas do nosso mundo.

O maior acaso, no entanto, é o tênue equilíbrio interno e entre um enorme conjunto de fenômenos casuais, bem como a sintonia entre os mesmo. O acaso mais sério, por outro lado, seria o rompimento desse equilíbrio, seja por casuais mudanças de fatores ‘geotípicas’, seja pela ação ou contribuição irresponsáveis do maior predador sobre este planeta, cuja maioria vive numa redoma urbana de desato, indiferença e despreocupação com o mundo – talvez não por acaso – vivo e animado. O resultado seria uma aniquilação em série de todos acasos e suas consequências - um caos, o ocaso. E não haveria ninguém para redigir o epílogo ao livro de Genesis.

 

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

O PIB da Ciência

 

O PIB da Ciência

(‘The GNP of Science’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Ao longo da história das civilizações, domínios e hegemonias foram construídos e derrubados com a espada e a pólvora, hoje uma opção discutível num ambiente de armamento nuclear com altíssimo risco, senão a certeza, de aniquilamento mútuo. Ninguém conseguiu estabelecer-se no topo de seu mundo de forma infinita, todas as hegemonias tiveram seu prazo de validade vencido um dia.

A disputa entre países pela domínio econômico, em paralelo à hegemonia política, é recorrente na história da humanidade. Atualmente está se delineando um novo embate dessa natureza entre os Estados Unidos da América e a República Popular da China. As perspectivas americanas nesse aspecto não são boas. Uma simples projeção das últimas taxas de crescimento do PIB de ambas as nações mostra que em cerca de dez anos a China superará os Estados Unidos nesse parâmetro. Setorialmente, esse prazo pode ser mais curtos ou mais longos.

Historicamente, o PIB de uma nação resulta da disponibilidade de recursos naturais e da força de trabalho para transformá-los em bens econômicos. Na era moderna, um terceiros aspecto ganhou um peso extraordinário – o conhecimento, a ciência. A ciência obteve status de capital. Desenvolvendo-se de forma bastante homogênea pelo mundo ocidental no hemisfério norte, a ciência e tecnologia desenvolveram rapidamente uma dinâmica própria, impulsionando as economias para níveis de produtividade e formação de riqueza jamais vistos.

Durante a primeira metade do século 20, enquanto a Europa se digladiava em duas grandes guerras, em que mesmo os países vitoriosos perderam além de seus capitais humanos e ativos materiais também valiosas fontes de recursos com a independência de suas colônias ultramarinas, os Estado Unidos saíram desses episódio não somente vencedores mas também lucradores, distanciando-se com sua economia e seu avanço tecnológico e científico dos resto do mundo.

Nesta condição de destaque, os Estados Unidos tornaram-se imã para estudiosos, cientistas e pesquisadores de todo mundo em busca de crescimento e da proximidade do topo do conhecimento. Como resultado mais de um terço dos laureados de Prêmio Nobel dos Estados Unidos entre 1990 e 2004 nasceram fora do país. Atualmente, mais de cinco milhões de cientista e engenheiros empregados naquele pais nasceram fora dele e 24 por cento das patentes americanas registradas têm pelo menos um inventor não nascido americano.

No mesmo tempo, a República Popular da China, mais nacional-socialista (o termo é evitado depois de definir o regime do Alemanha do Terceiro Reich) do que comunista, sacrificou duas gerações mantendo-as num nível mínimo de subsistência para formar uma base econômica e um capital de estatal que lhe permitissem a entrada nos mercados mundiais com a vantagem de deter condições competitivas extremamente favoráveis. Passando de mero copiador de produtos de países mais desenvolvidos para desenvolvedor de tecnologias próprias, inclusive no sofisticado mercado de tecnologia da informática e virtual, em poucas décadas a China tornou-se player geopolítico de primeira linha.

A ciência não conhece nacionalidade, ela procura oportunidade. Basta o país oferecer condições de vida, de trabalho atraentes, especialmente nos campos científicos e tecnológicos, muito provavelmente não haverá apenas o retorno de milhares de chineses estudando e trabalhando no exterior, como a migração de não-chineses para lá. Além disso, a médio prazo – em ritmo chinês – uma população quatro vezes maior que a dos Estados Unidos e com uma estrutura educacional avançada, por simples raciocínio matemático, a China terá um potencial quatro vezes maior de pessoas capacitadas para o desenvolvimento tecnológico e científico que aquele de naturalidade americana nos Estados Unidos.

A hegemonia do PIB da ciência sempre migrou e migrará – com destino certo!

 

sábado, 19 de setembro de 2020

Transferência de Renda não É Caso de Canetada.

Transferência de Renda não É Caso de Canetada

(‘Income Transfer Is Not Made by Stroke of a Pen’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Em ocasião anterior, já fiz menção a um trabalho realizado pelo governo finlandês, buscando dados para um projeto de implementação de um programa de Renda Básica Universal. O mesmo consistiu em um teste longitudinal de 12 meses em que um grupo de mil pessoas recebedores de algum benefício financeiro governamental foi contemplado com um valor mensal de Euro 460,00 para sua livre disposição. Essas pessoas foram chamadas depois desse prazo para informar, sem precisar justificar, de que forma esses valores foram utilizados e com quais resultados. Os resultados da pesquisa ainda não foram divulgados. A citação desse trabalho se faz com o propósito de mostrar o nível de preocupação e cautela com que esse tipo de programa é elaborado em outros países; a Finlândia não é caso único, mas emblemático. Programa de Renda Básica Universal são estudados em vários países ao redor do globo.

Por mais concretos ou remotos tais programas estão, as consequências conjunturais da pandemia do covid-19, revelando as enormes fragilidades econômicas e sócias dos segmentos mais pobres da população, tem projetado o assunto para o centro das demandas governamentais. As respostas imediatas foram em direção a auxílios emergenciais temporários de variados formatos sem que tivesse havido tempo para a elaboração de planos ou programas baseados em estudos preliminares que pudessem determinar parâmetros temporais e dimensionais.

A aplicação transitória de tais programas está condicionada a dois fatores: a disponibilidade de fundos financeiros e a duração da epidemia em cada lugar. Além disso envolve a delicada questão de como sair posteriormente de tais auxílios, o que em muitos casos se configurará como retorno à pobreza anterior.

É preciso, porém, ter em mente que, enquanto a densidade populacional crescer, ou manter-se nos níveis atuais, o risco de novas epidemias é real e, ao mesmo tempo, a progressiva automação e robotização (sem falar na expansão de usos de inteligência artificial) nos processos industriais, mas também em cada vez mais áreas da prestação de serviços, permitem projeções de um gradual aumento dos índices de desemprego, permanente ou temporário. Isso imporá à sociedade de, através de seu governo, encontrar formas de amparo financeiro por meio de programas de Renda Básica ou Imposto Negativo.

Na atual evolução conjuntural esboça-se um quadro de um crescente segmento populacional profissional e, portanto, economicamente inútil à sociedade. Por um lado, a sociedade precisa para seu avanço civilizatório de indivíduos cada vez mais talentosos, intelectualmente dotados e de educação aprimorada. Por outro, todos nós temos limitações específicas ou gerais que podem marginalizar involuntariamente uma parte da população, resultando em incapacitações para atividades de cunho cada vez mais tecnológico e virtual. Isso faz parte da diversidade que a natureza impõe a seus seres. Em consequência cria-se um ônus parta a sociedade. 

Muitos países já desenvolveram, ou estão desenvolvendo programas de transferência de renda de acordo com as particularidades econômicas, sociais e culturais de cada um. O Brasil acumulou experiência em tais programas desde a instalação do Programa de Renda Mínima em 1994 e do Bolsa Estudo em 2001, portanto deve poder recorrer a êxitos e falhas havidos nesse período com várias reformulações, ampliações e ajustes, nem sempre isentos de interesses políticos. Dessa maneira pode-se supor que acumulou-se inteligência social suficiente para desenvolver uma programação de longo prazo bem-sucedida. Além disso, muito provavelmente veremos em breve vários programas mais ou menos maduros de transferência de renda sendo desenvolvidos e implantados em diversos países.

Indispensável para o sucesso de transferência de renda, entretanto, é que sua concepção se baseie no conhecimento técnico científico com um mínimo de interferência política, pois só assim ela garantirá uma existência consistente e um seguimento ajustável às mudanças eternamente em curso.   

 


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

O Veneno Russo

 O Veneno Russo

(‘The Russian Poison’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

O caso de envenenamento do oposicionista russo Nawalny mais indica uma rotina do que um episódio isolado. Na Rússia, você pode encontrar em restaurantes canecos de cerveja com três alças. A razão; todos são obrigados a tomar do mesmo caneca, assegurando-se assim a não presença de veneno na bebida. Obviamente uma resposta a envenenamentos frequentes nessas plagas.

Alguma dúvida? A notícia não suscita maiores dúvidas. Entretanto, apesar de fatos comprováveis, a notícia tem inconsistências de ordem cronológica. Rússia e várias repúblicas satélites fizeram parte da União Soviética até 1990, inclusive a Estônia. Naquele país, hoje independente, existem de fatos tais canecos, porém, num restaurante de Tallinn mantido em estilo medieval, com alimentos e utensílios de mesa daquela época, incluído os canecos como relíquia daquele tempo.   

Portanto, trata-se de um exemplo clássico de construção de um mito (ou teoria) de conspiração. É uma amostra de como se produz uma fake news ou um mito conspiratório, tentando dar caráter de verdade a suspeitas de que, neste caso o envenenamento é prática recorrente do governo russo. E certamente, muitas pessoas acreditaram na história como foi escrito e, principalmente, fizeram a conexão com o caso Nawalny.

Isso levanta a questão de como proteger-se contra narrativas falsas ou conspiratórias.

Como se viu acima, são precisos uma boa dose de astúcia e capacidade articuladora, mas, acima de tudo, um propósito, uma intenção. Em primeiro lugar, é típico dessas narrativas não ter motivação positiva e apresentar apenas parte da história com somente uma faceta – aquela que interessa. Teorias de conspiração e fake news razoavelmente críveis requerem certa habilidade e competência – e malevolência – na sua elaboração, por isso, essas notícias entram no receptor do internauta como compartilhamento – ‘encaminhando’. Por outro lado, qualquer contestação, prova em contrário ou desmentido é respondida com agressividade e hostilidade.

Além da percepção dessas características, alguns aspectos podem ajudar na identificação de autenticidade, ou não, quando formulamos as seguintes perguntas:

- há fonte citada, e em caso positivo, ela é merecedora de crédito?

- a informação cabe no tempo e no espaço, ou seja, ela se situa no momento e local reais e possui uma lógica interna?

- o estilo de escrita permite identificar uma redação competente ou profissional?

- o assunto é sensacionalista ou bombástico, mas não aparece nas agência de notícias que, em geral, não perdem notícias reais dessa ordem?

- o texto têm motivação política, incluindo apologias extremas ou ofensas pessoais?

Em tempos de informações em tempo real, existem os sites de busca de informações que absorvem muito rapidamente assuntos do momento, ou mesmo identificam e denunciam fake news e teorias de conspiração como tais. Uma postura objetivo no sentido de convencer-se de que tudo tem dois lados é decisiva.

A contribuição construtiva de cada um, com o propósito de impedir a circulação de informações viciadas, consiste em não compartilhar material que não passa pelo crivo de um sadio e bom senso, não por último por que o ator do compartilhamento pode estar comprometendo sua própria credibilidade. A cautela não causa dano algum, já o vexame...

sábado, 12 de setembro de 2020

Ainda um Sonho

Ainda um Sonho

(‘Still a Dream’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Desde quando a humanidade concebeu a (suposta) verdadeira configuração do universo concretizou-se o desejo de explorá-lo fisicamente, começando por uma visita à Lua. E, embora contestado por alguns, já chegamos lá – pelo menos em caráter de visita.

A próxima meta, o próximo sonho é Marte, um planeta a uma distância mínima de 52,6 milhões de quilómetros. Recentemente, Elon Musk, dono de um conglomerado empresarial que inclui a Tesla e a Space-X convidou 300 candidatos para essa aventura. Detalhe: devem contar com a possibilidade de não voltar à Terra. Sonhos mais altos vão até Alpha Centauri, a mais de 40 trilhões de quilômetros de distância.     

Porque sonhos? Em 1977, a nave Voyager 1 partiu para deixar o nosso sistema solar em direção ao espaço galáctico. Até este momento, ela percorreu uma distância de quase 22 bilhões de quilômetros a uma velocidade – estonteante – de 16 km/seg. Esta mesma velocidade está determinando a viagem espacial da sonda New Horizon, lançada em 2006. Portanto, nada mudou em termos de velocidade nesse intervalo de 30 anos, n em depois.

Distâncias espaciais, no entanto, são medidas em anos luz, onde um ano luz corresponde a 9,46 trilhões de quilômetros, ou então, 1 dia luz corresponde a 26 bilhões de quilômetros. Nessa escala, a viagem a Marte pretendida por Musk em velocidade de luz levaria exatos 3 minutos e 2 segundos, enquanto à velocidade da New Horizon levará cerca de meio ano – só a ida. Viável, pois já houve astronauta por mais tempo que isso no espaço (Valeri Polyakov, 438 dias).

Planetas mais distante do nosso sistema solar estão fora de cogitação devido sua absoluta inospitalidade. Dessa maneira, a procura por outros destinos promissores será preciso deixar nosso sistema em busca de planetas similares ao nosso. Diante da imensa diversidade constitucional e ambiental dos corpos celestes galáxia a fora não será uma busca fácil achar tal similaridade no mesmo instante cósmico da nossa existência.

Além disso, o sistema mais próximo, Alpha Centauro, fica a uma distância de cerca de 40 trilhões de quilômetros, ou seja, 4,3 anos luz. Isso significa que, com nosso recursos atuais de deslocamento no espaço, uma viagem para lá levaria aproximadamente 400 anos apenas a decima segunda geração depois daqueles que partiram da Terra chegaria lá. Portanto, inviável. Por enquanto.

O homem nunca parou de procurar soluções para a superação de seus limites, entre eles o da sua fixação na Terra. Nesta matéria, o limite atual encontra-se na velocidade de deslocamento no espaço, totalmente incompatível com as distâncias cósmicas. Mas há esperanças e perspectivas. A propulsão por íons está sendo desenvolvida (funciona em escala diminuta) com projeções de alcance de velocidades até dez vezes maior que as atualmente atingidas. Viagens a Marte em apenas 40 dias seria possível. Mais longe no futuro podemos ser surpreendidos com algo mais espetacular: a propulsão por prótons que prometem voos a Alpha Centauri em somente 20 anos.

Se, chegando lá, os resultados serão tão proveitosos para a humanidade como aqueles encontrados pelos europeus ao chegar à África e América ou quais dificuldades existenciais deverão sersuperadas está escrito nas estrelas.

Vamos ter que cuidar por muito tempo do planeta que nós temos!

    

sábado, 5 de setembro de 2020

Pobreza e Desigualdade

 Pobreza e Desigualdade

(‘Poverty and Inequality’ – This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

Observa-se um certo deslocamento de foco na abordagem dos quadros socioeconômicos de uma sociedade. Se regredimos um pouco na história vamos encontrar na metade inferior da pirâmide de riqueza uma população razoavelmente homogênea, auferindo ganhos que lhes garantem um sustento de moderado a satisfatório a partir de seu trabalho na lavoura ou nos ofícios, sempre considerando os parâmetros e contextos da época. Flutuações para cima e para baixo, especialmente na camada inferior desse segmento, acontecem de acordo com a ocorrência, ou não, de fenômenos adversos como guerras, doenças ou catástrofes naturais. Logo acima do estrato de lavradores e profissionais urbanos há um grupo relativamente pequeno de administradores públicos da graça da nobreza, a qual ocupa a ponta da pirâmide com pompa e circunstância.

Uma mudança profunda nas estruturas econômicas e sociais ocorreu a partir da primeira revolução industrial. A abundante força de trabalho desvalorizou-se enquanto o capital se solidificou e expandiu. Ao mesmo tempo abriram-se novos campos profissionais de caráter administrativo público e privado, burocrático e de prestação de serviços, auferindo rendas satisfatórias para caracterizar uma nova classe média. O que não mudou é a base da pirâmide ocupada por uma parcela da população em estado de pobreza absoluta, ou seja, o limite inferior é imutável.

Com a explosão da economia em virtude de cada vez mais e melhores recursos energéticos e uma tendência de concentrações de capital, a relativa constância na estrutura dessa pirâmide se desfaz cada vez mais. Iniciativas de risco bem sucedidas e bem remuneradas começam a criar uma casta de nobreza econômica detentora de cada vez mais capital e poder econômico. Um mais recente modelo econômico de produção e consumo em massa ganha, além de sua dinâmica própria, um impulso adicional pelo expressivo, para não dizer explosivo, crescimento populacional.

Salvo em épocas de absolutismo feudal ou do capitalismo selvagem do início da revolução industrial é discutível em que grau – ou se – a prosperidade das camadas mais abastadas produziu uma maior pobreza dos menos favorecidos, especialmente na moderna economia de consumo em que cada consumidor a mais, cada renda a mais representa lucro. Nesse contexto, a suposição da desigualdade entre os mais ricos e mais pobres às custas dos últimos não se sustenta. A pobreza de uns não é causa da riqueza de outros, mas sim, efeito ou resultado da incapacidade da sociedade de absorver e integrar a população carente em seu meio, não importa por quais razões.

Hoje, estruturas assistenciais encarregam-se do amparo dos incapacitados para o trabalho, assim principalmente a falta de acesso a uma educação adequada simplesmente deixa uma boa parcela da população para trás na rápida expansão do conhecimento essencial para competir no mercado de trabalho.

Por outro lado, a absoluta incerteza sobre o futuro do trabalho permite reflexões sobre um possível aumento da população excluída da conjuntura econômica e, portanto, sem renda auferida pelo próprio esforço. Esta possibilidade faz com que considerações sobre uma renda básica universal ganhem um novo impulso, especialmente devido às evidências de fragilidade socioeconômica expostas pela pandemia da covid-19. Ficou claro que uma sociedade que não consegue oferecer uma igualdade de chances e oportunidades a seus membros deverá assumir o suporte econômico e social daqueles que não conseguem ser incluídos satisfatoriamente na vida e no contexto socioeconômico.

Por mais que haja médicos, advogados e engenheiro com infância em alguma favela, o grande desafio do futuro não será como sustentar aqueles que são excluídos da sociedade econômica, mas como dar lhes chances iguais para uma vida digna e produtiva em contribuição ao, e usufruto do bem estar de toda a sociedade.

Atualmente, as considerações a respeito dessa realidade redundam com muita frequência na condenação da crescente desigualdade entre a ponta e a base da pirâmide riqueza – em geral, condenando a formação de grandes riquezas. Vale lembrar, porém, que tais fortunas constituem-se cada vez menos de concentrações de capital, mas sim, de simples capacidades individuais como, por exemplo, ideias geradas por alguma startup funcionando em ambiente de coworking.

Assim, conclui-se claramente que a ponta da pirâmide não é causa, nem agrava a pobreza na base da mesma, mas que esta é efeito da falta da sociedade de, através de seu governo, proporcionar chances iguais a todos os seus membros, e é bom deixar claro que um povo pode sucumbir por falta, jamais por excesso de conhecimento. 

  

 

sábado, 29 de agosto de 2020

O "Great Reset"

O "Great Reset”

 

(‘The Great Reste’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

 

Klaus H. G. Rehfeldt

 

A evolução da nossa civilização tem sido um sucesso inegável. Mas surge uma pergunta: para onde essa evolução levará a humanidade? Nossa sobrevida, até dois séculos atrás absolutamente sustentada por meios e produtos naturais, é crescentemente assegurada por artifícios sintéticos de toda natureza. Nossa expectativa de vida em ascensão resulta da medicação intensiva – preventiva e corretiva – da população idosa. Nossa sociedade de consumo – espontâneo ou estimulado – escasseia nosso recursos naturais e, ao mesmo tempo, nos cerca cada vez mais de lixo e subprodutos – nocivos de vários modos. Os avanços tecnológicos resultam em benefício de segmentos populacionais cada vez mais restritos, porque economicamente mais prósperos, e, enquanto grandes riquezas são construídas em tempos cada vez mais curtos, uma enorme parte da população consome produtos cada vez mais ‘baratos’, de preferência fazendo uso de uma sistema de crédito predatório. Por fim, o desenvolvimento econômico está seguindo em via de oito pistas em direção a um imenso deserto, um deserto de lixo, de um planeta de recursos exauridos, de frustrados consumidores des- ou subempregados ou de futuro profissional incerto, de manifestações climáticas extremadas – e oásis de prosperidade.

É um quadro sinistro, mas não necessariamente desesperador, pois cresce a consciência da seriedade da situação e do futuro preocupante. Pessoas de destaque na política, na economia e no terceiro setor estão levantando a voz em alerta e apelo pela busca de soluções. Enquanto o foco do último Fórum Mundial da Economia em Davos, Suíça, era a mudança climática, o fundador e presidente executivo desse evento refere-se ao próximo fórum em janeiro de 2021 com as seguintes palavras: “[...] precisamos de um “Great Reset” (Grande Reinicialização, ou Rearrumação) do capitalismo. – É nosso dever restabelecer um sistema funcional de cooperação global inteligente, estruturado para enfrentar os desafios dos próximos 50 anos”.

Existem atrás desse termo de impacto já algumas ideias e propostas razoavelmente bem definidas. Elas concentram-se em tópicos como: economia orientada para aspectos sociais, modelo de ensino, redistribuição de renda, cooperação entre países prósperos e aqueles econômica e socialmente mais carentes, comprometimentos ecológicos, enfim, um redesenho de toda a estrutura socioeconômica.

São metas e objetivos antigos. O que muda são os protagonistas e é o momento. Além dos tradicionais promotores e participantes do fórum, milhares de startups, jovens e de sucesso levarão novos impulsos, novas concepções e novas visões do mundo para o próximo Fórum. Por outro lado, a covid-19 evidenciou – escancarou – realidades intoleráveis e insustentáveis, e isso de forma inesperada e altamente impactante.

Obviamente, esse resenho das matrizes e linhas mestre da nossa civilização deverá envolver restrições e delimitações em nossos padrões de vida, e isso, desde já, está causando reações contrárias. Porém, é preciso convencer-se que quanto mais postergarmos essa rearrumação inexorável e inevitável, mais radicais serão as medidas corretoras e mais incisivos os efeitos.

Assim, vale a pena olhar atentamente para Davos em janeiro de 2021.         


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Falando em Medicamentos...



Falando de Medicamentos...

(‘Speaking of Medicines…’ - This text was written in a way to ease comprehensive electronic translations.)

Klaus H. G. Rehfeldt
(Economista e Assist. Social)

Aposto que poucas, muito poucas pessoas têm noção de dimensões e proporções com relação aos remédios que tomam, sejam eles receitados ou de escolha em automedicação. Um comprimido de analgésico com poucos milímetros de diâmetro alivia a dor em pouco tempo e é isso que importa e o recomenda em futuras situações idênticas – ou parecidas.
Entretanto, o assunto merece algumas reflexões. Não estamos falando de algum medicamento específico, mas em termos gerais. Partimos então com um exemplo sobre dimensão e dosagem. Qual é a realidade de um comprimido qualquer que chamaremos de ‘XYZ’ de, por exemplo, 5 mm de diâmetro, pesando cerca de 0,5 grama (embora sua conformação física seja irrelevante para os efeitos medicinais) e cuja bula indica uma dosagem de 20 mg.
Dessas indicações resulta que tal comprimido contém apenas 0,02 g de substancia ativa (fármaco ou princípio ativo). Em outras palavras, 0,02 g, duas centésimas partes desse comprimido bastam para alcançar os efeitos procurados.
Há no entanto, outro aspecto a considerar nas nossas reflexões. Ainda não dispomos de uma maneira de direcionar uma medicação diretamente ao local de atuação, através da nano-medicação, ainda em fase de pesquisa. Portanto, a substância ativa distribui-se por todo o corpo – de maneira homogênea ou heterogênea. No caso da distribuição homogênea, ou seja, igual por todo o corpo, voltamos ao analgésico tomado contra uma dor de cabeça. Como a cabeça com um peso médio de 5 kg representa apenas 7% da massa corporal de uma pessoa de 70 kg de peso. Desta maneira, apenas 7% dos 20 mg de substância ativa do mesmo chegam à cabeça, isso são meros 0,0014 g. Já na distribuição heterogênea, certos tecidos ou órgãos não dão acesso a determinadas substâncias ativas e o fator de distribuição torna-se mais favorável, porém sempre haverá uma perda do fármaco pelo corpo. Aliás, é no fator de distribuição que reside a causa de muitos efeitos colaterais indesejados.  
Assim, falando em medicamentos, seu uso é coisa muito séria, especialmente num país de altíssimas taxas de automedicação – de especificidade de remédio e dosagem - e baixíssimos níveis de conhecimento. Percebe-se dessa forma que nosso corpo é extremamente sensível à presença de substâncias ativas e suas dosagens e os riscos no uso inadequado de qualquer medicação são imensos.